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segunda-feira, janeiro 10, 2005

  Portugal, 2005

Nos dias finais de 2004, chegou a uma empresa uma nota para liquidação de impostos em atraso, referentes ao IRC do ano de 2002, no montante aproximado de 53.000 euros, juros de mora incluídos. Surpresa. Falta pagar alguma coisa? O quê? A existência de dívidas ao fisco é incompatível com a participação em concursos públicos. Ordens da administração: averiguar e sanar o problema.

O director financeiro anulou os três dias de férias previstas para o fim do ano, agarrou-se aos papéis, conferenciou com o ROC, chateou os auditores que cobram um balúrdio por hora e pôs-se a caminho da repartição emissora do aviso, com a certeza mais do que absoluta que não devia nada ao fisco. Inglório. O chefe não está, só para o ano e só o chefe é que sabe da coisa. O senhor X também arranha a coisa, mas está de baixa. O senhor Z fala consigo. O senhor Z não sabe da coisa. Sugere que se pague e depois protesta-se. Nem pensar. Fica para o próximo ano.

Na terça-feira, 4 de Janeiro, mais uma visita ao sistema. Infrutífera, apesar de pré-marcada. Parece que o computador estava com uma coisa qualquer. Que os avisos foram do computador e a coisa está envolvida. Que é preciso ver com cuidado o estado da coisa do computador. É melhor pagar e depois protestam. Não, nem pensar. A gente volta.

Finalmente, na sexta-feira, um 'deixem lá', foi engano, não devem nada. Era mesmo a tal coisa do computador que estava virada para ali e devia estar virada para acoli. Foi o sistema que se enganou por causa da coisa. Não se preocupem. Rasguem isso. Já seguiu outra declaração.

Ninguém pediu desculpas, nem devolveu os dias de férias perdidos, as horas de trabalho absolutamente improdutivo e os custos suportados pela empresa que a coisa do computador gerou por estar virada para ali e não para acoli. Afinal, quem é que pode ser responsabilizado pelos estados binários dos bits e dos bytes da coisa?

Chegou hoje à empresa a correcção do erro da coisa. Pedem que se liquidem impostos em atraso referentes ao IRC do ano de 2002 no montante aproximado de 47.600 euros, juros de mora incluídos. Lá terá que se fazer mais umas quantas visitas ao sistema. Parece que a coisa ainda está um bocado torta. E naqueles serviços não há mesmo ninguém que consiga pôr a coisa em pé.

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