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quinta-feira, janeiro 13, 2005

  Small Expectations

Há 8 anos, Guterres preparava-se para ir para o governo, com a prestimosa ajuda da SIC e de grande parte da comunicação social. Guterres passeava em tournée pela Lusitânia e deixava uma promessa em cada esquina, fotografava-se junto a cada grupo de protesto, reunia-se com todo e qualquer grupo de pressão em frente às luzes das TV´s e inventava a cada dia mais algumas aplicações para os dinheiros aparentemente infinitos que iria buscar aos contribuintes. Na SIC, António Peres Metelo, disfarçado de jornalista, vendia-se diariamente em falsas explicações justificativas dos desmandos prometidos por Guterres. Argumentava que o PS estava apenas a explicar onde iria aplicar o aumento da receita fiscal que o crescimento económico proporcionaria e que quem estava em falta era o PSD porque se recusava a dizer o que queria fazer aos dinheiros. Depois foi o que se viu: Peres Metelo teve o seu cargo público e Guterres, apesar do invejável crescimento económico que encontrou e da benesse da entrada no euro com a consequente descidas das taxas de juro, estoirou com as contas públicas de tal modo que ainda hoje não vemos a luz ao fundo do túnel.

Nos dias que correm o debate deveria estar a ser feito à volta da mais que necessária redução do peso do estado na economia. Onde cortar, como, o quê, a quem. Mas não está. E não está porque o PS, provável vencedor das eleições de Fevereiro, não tem qualquer intenção de atacar o cancro da despesa pública. Dois debates televisivos arruinaram-me os últimos resquícios de esperança que, ingenuamente, ainda alimentava.

Anteontem debatiam na Dois parlamentares dos 5 partidos. Independentemente da prática recente, PP e PSD defendiam cortes na despesa pública. Nunca disseram onde, nem em quê. Têm a teoria mas não explicam a prática, ou não têm coragem de a explicar. Na esquerda, a ignorância económica do deputado do PCP e de Luís Fazenda estiveram ao nível habitual. Representando o PS, Joel Hasse Ferreira tinha algumas obrigações de responsabilidade exigíveis a um partido que quer ser governo. Nada. Uma completa nulidade misturada com muita irresponsabilidade e banha da cobra. Joel Hasse Ferreira foi incapaz de fugir da banalidade da promessa do crescimento milagroso que resolverá todos os problemas à custa do aumento de receitas sem ser necessário atacar as despesas. Pura demagogia, pura mentira, pura ilusão. Medidas do lado da despesa: zero. Pior ainda: quer retirar do cálculo de défice o 'investimento' e, apesar disso, chegar ao fim dos 4 anos da legislatura com 3% de défice. Uma absoluta tragédia de endividamento público, é o que o PS nos promete para os próximos 4 anos. 4 anos*3% de défice mais investimento, falamos de um aumento da dívida pública superior a 15% do PIB... Que irresponsabilidade!

Poderia dar-se o caso de ser apenas eleitoralismo de Hasse Ferreira. Não é. Ontem, no "Quadratura do Círculo", depois de Sócrates ter prometido um aumento de despesa de mais algumas centenas de milhões de euros por ano, Pacheco Pereira tentou arrancar a José Magalhães uma pequena medida, uma apenas, de combate à despesa do estado. Não há. José Magalhães não conhece nenhuma. A cassete é sempre a mesma: crescer o PIB a 3% a.a. e 'criar' 150.000 empregos...

As poucas expectativas de um PS responsável e capaz de atacar a situação das contas públicas, já se foram. Não sobra nada, nem sequer a luz ao fundo do túnel.

Enquanto por cá o rumo para o abismo parece estar definido, o homem que pediu uma consolidação orçamental come arroz com pauzinhos.

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