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quarta-feira, janeiro 05, 2005

  Também tu, Pôncio?

Com as diatribes de Marcelo ou o esconde-esconde de Cavaco, ainda Santana aguentava. Sem o Pôncio é que não.

O PSD já tinha perdido esse enorme vulto da cultura política social-democrata, o pensador Henrique Chaves, uma dos pilares da construção teórica da política social-popular democrática. Agora saltou da carruagem mais um esteio da fundamentação filosófica do centro político.

Pôncio é um político de fino recorte, linguagem apurada e inteligência superior. Um verdadeiro estratega do jogo do poder. Imbatível nos debates, Pôncio ataca sempre os seus adversários com elegância, descobrindo-lhes espantosas faltas onde mais ninguém as consegue ver. À defesa ninguém o ultrapassa. Pôncio transforma sempre uma rasteira a um adversário num acto limpo de combate ético.

Utilizando argumentação de altíssimo nível, Pôncio é quase sempre incompreendido pelo cidadão comum, incapaz de ver o que só é possível de ser interpretado por uma mente tão tortuosamente brilhante. Pôncio sabe sempre o que dizer. Nunca está fora-de-jogo. Para Pôncio, as quedas dos adversários são sempre vistas como frutos do acaso, imponderáveis do jogo sem consequências importantes. As quedas dos seus correligionários são sempre passíveis de intervenção dos órgãos competentes e, bastas vezes, Pôncio manifestou a sua indignação com a não actuação dos juízes.

Pôncio foi um dos grandes praticantes da análise da verdade como conceito relativo e derivado de uma realidade transcendente cuja compreensão só está ao alcance de alguns filósofos. Na escola de pensamento de Pôncio notabilizam-se o escritor e cronista Sousa Tavares, o político Pinto da Costa e o seu ajudante Nuno Cardoso e ainda o celebérrimo Reinaldo Teles e suas proeminentes discípulas.

Santana gostava muito de Pôncio. Compreendiam-se bem. É uma perda irreparável. Sem Pôncio o campeonato parece perdido.

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