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quinta-feira, janeiro 20, 2005

  Uma Histórinha para Jovens Socialistas

O Tugir é um blogue socialista, feito por militantes do partido, dos activos, com cartão, secção e tudo. Ontem, tentei responder a meia dúzia de perguntas que Luís Novaes Tito deixara no Tugir sobre a redução de funcionários públicos. Pois... falhei. A resposta dos jovens socialistas demonstrou que fui muito pouco esclarecedor.

A culpa foi evidentemente minhae à minha falta de capacidades didácticas. Aqui fica uma nova tentativa de explicação da coisa, escrita a pensar exclusivamente nos jovens socialistas:

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Eram uma vez o João, o José e o Luís. O João e o José eram funcionários de uma empresa, a Privada. O Luís era funcionário da Pública. Os nossos heróis ganhavam 1000 euros por mês.

O patrão do João e do José pagava pelo trabalho destes dois personagens 3410 euros todos os meses, 1.705 por cada um, porque para dar 1.000 euros ao João e ao José era obrigado a dar 705 euros ao patrão do Luís.

Não, não era a Máfia. Neste país imaginário onde se passa a história era a própria lei que mandava que assim fosse e, acreditem ou não, o João e o José e mais o patrão dos dois, pagavam aquele balúrdio sem grandes protestos. Diga-se que nem o João nem o José tinham consciência plena de quanto poderiam ganhar se estas subvenções fossem reduzidas...

Ora, onde íamos nós? Ah, pois, o patrão do Luís ia buscar ao patrão do João e do José 1.410 euros, todos os meses. E ainda ia buscar mais 250 euros a cada um dos dois, ao João e ao José, aos bocadinhos, o que dava, no total, 1.910 euros.

O patrão do Luís gostava de jogos. E tinha um hábito: fazer montinhos com o dinheiro que ia buscar ao João, ao José e ao patrão do João e do José. Dividia os 1.910 euros assim:

Num montinho punha 455 euros e guardava-o num bolso do colete que dizia: 'IRS'. Noutro montinho punha 303 euros e guardava-o no boslo: 'TSU João e José'. Num terceiro montinho punha 649 euros e guaradva-o no bolso: 'TSU Patrão do João e José' (Estes dois bolsos eram o mesmo com duas entradas, mas esse detalhe é irrelevante para esta história). No bolso a que chamava 'IVA' guardava 320 euros. E ainda fazia um outro montinho com os restantes 183 euros e guardava-o no bolso 'Outros'.

Agora era preciso pagar ao Luís. O patrão do Luís gostava de fazer assim: juntava os 1.910 euros outra vez num só monte, tirava 1.000 euros do bolo e dava-os ao Luís, num envelope chamado 'Salário Líquido'. Do que sobrava, tirava 224 euros e punha no bolso que dizia IRS ? Retenção na Fonte. E pegava em 136 euros que punha num outro bolso chamado 'Caixa Geral de Aposentações'.

E, claro, ao longo do mês, também ia buscar 250 euros ao próprio Luís, para os bolsos do IVA e Outros. Depois voltava a juntar tudo outra vez num montinho, que tinha agora 1.160 euros. E desses 1.160 euros gastava todos os meses 1.340, porque tinha um défice, mas isso são outras contas. Parte desse dinheiro que o patrão do Luís gastava, eram as despesas do próprio Luís em telefones, telemóvel, internet, energia, renda do espaço que o Luís ocupa, lápis, canetas, bicas e afins...

Agora, o Luís vai ter que sair. O Luís é um tipo capaz, inteligente e que está a desperdiçar a sai capacidade de trabalho porque as suas funções são apenas ajudar o patrão a fazer montinhos de moedas e o patrão do Luís há já meia dúzia de anos que comprou uma gruinha. O Luís podreria ter outras funções para as quais é muito bom, mas o sindicato não deixou.

No mês em que o Luís se vai embora, o ex-patrão volta ao monte com os 1.910 euros, tira os mesmos 1.000 euros e dá-os ao Luís. Risca as palavras 'salário líquido' do envelope e escreve por cima 'Subsídio de Desemprego'. Depois, para evitar as confusões em algumas cabecinhas, vai ao mesmo monte e transfere 136 euros para o bolso da Caixa Geral de Aposentações.

E, claro, ao longo do mês, continua a ir buscar 250 euros ao próprio Luís, para os bolsos do IVA e Outros. Depois volta a juntar tudo outra vez num montinho, que tem exactamente os mesmos 1.160 euros que no mês anterior... Só que agora, já não gasta 1.340. Gasta menos. Deixou de pagar as despesas do Luís em telefones, telemóvel, internet, energia, renda do espaço que o Luís ocupava, lápis, canetas, bicas e afins...

E agora, façam vocês as continhas a partir do dia em que o Luís arranjou emprego, e o ex-patrão deixou de lhe pagar os 1.000 euros no envelope onde se escreve 'subsídio de desemprego'...


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