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terça-feira, fevereiro 08, 2005

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Hoje, no meu jornal.

Dissonância Cognitiva

O Partido Socialista anuncia-nos um tempo novo. "Mudar" é a palavra central da estratégia de marketing de José Sócrates. E, porque qualquer metamorfose bem delineada pressupõe novos executantes, podemos perguntar quem são essas faces da mudança que acompanham o líder socialista neste nobre desígnio de coisa nova. A resposta, cristalina, lê-se na lista de candidatos do PS ao futuro parlamento. As novidades dão pelos nomes de João Cravinho, Maria de Belém, Jaime Gama, Leonor Coutinho, Jorge Coelho, José Lello, Pina Moura, Fernando Gomes ou Ferro Rodrigues, entre muitos outros protagonistas do futuro anunciado que também provocam muitos arrepios na espinha e arranham desconfortavelmente a nossa memória. Para sublinhar esta vontade do novo futuro, o campanha eleitoral do PS foi inaugurada por António Guterres. A abstenção agradece.

No PSD, o início da renovação está agendado para a noite de 20 de Fevereiro. A acreditar nas sondagens recentes, não faltarão os voluntários para pendurar um cartaz na Rua de São Caetano à Lapa anunciando 'Líder, Precisa-se'. Imagina-se já uma hipotética confrontação pós-eleitoral entre candidatos como Luís Filipe Meneses ou Marques Mendes e aguarda-se com a máxima curiosidade o posicionamento de gente tão carismática e de profundo conteúdo político como Raúl dos Santos, João Jardim, Mendes Bota, o filho de Valentim Loureiro ou o pai do João.

Até os sunitas em Bagdade se sentiram mais motivados para votar.

Em defesa do agro-mar

Um dos poucos factores comuns às 30 nações que lideram o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas é, pelo menos, 30 anos de capitalismo. No entanto, apesar destas e de todas as outras evidências sobre as consequências das experiências alternativas, meio século depois de Hayek ter publicado 'O Caminho da Servidão', ainda há em Portugal quem procure "a revolução socialista que destrua o sistema capitalista e a exploração do Homem pelo Homem" ou a "socialização da banca, dos principais meios de produção da indústria, da água, dos recursos energéticos e do agro-mar".

Não, eles não dizem isto nos comícios nem à frente das omnipresentes câmaras das televisões. Frases como "A UDP é um partido marxista, de natureza comunista, que apoia o Bloco de Esquerda" escondem-se apenas nas linhas programáticas dos partidos que constituem o Bloco de Esquerda. A palavra comunismo foi excomungada do uso público. Percebe-se bem porquê.

Ao longo de quase todo o século XX, o comunismo condenou milhões de pessoas à miséria e praticou outras maldades ainda piores por esse mundo fora. É natural que um partido que se chama a si próprio 'Comunista' já não constitua apelo forte para quase ninguém que leia jornais ou saiba aceder à Internet. O Bloco sabe-o bem e foge da palavra maldita como o diabo da cruz. E é por isso que o PCP definha devagar, acompanhando o ritmo da lenta diminuição da iliteracia em Portugal.

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