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terça-feira, fevereiro 22, 2005

  O Debate, o Investimento e os Têxteis do Vale do Ave

Ontem houve contenda na RTP1. Os Prós e Contras, no pavilhão de Portugal. Notável local para se tagarelar sobre Investimento público. Simbólico q.b. Podiam ter elegido o estádio de Faro-Loulé que também custou milhões e está às moscas.

A conversa esteve bastante animada. Foi preciso chegar ao dia a seguir às eleições para se discutir o que é realmente importante.

O momento da noite foi uma lição de economia com os lugares trocados: a iletrada tentou ensinar o doutor. Foi aclamada. Arrepiante, como já alguém disse. O povo aplaude a ignorância e rejeita a realidade.

É urgente que se comece a ensinar o a-b-c da economia nos cursos de Sociologia. A julgar pelas atoardas que se ouvem de cada vez que um sociólogo bota discurso, as coisas estão mesmo negras. Alguém devia explicar a André Freire que as fábricas têxteis portuguesas não são competitivas porque já somos demasiado ricos. Se os portugueses ainda ganhassem a mesma jorna que os chineses, as empresas têxteis não se iam embora. A Holanda também perdeu todo o mercado da construção e reparação naval para a Coreia do Sul, quando os holandeses deixaram de ser competitivos, porque eram ricos demais, o que não foi só excelente para os holandeses como também para os coreanos.

E é bom que na China façam as coisas baratinhas. Todos ganhamos por ter acesso a têxteis mais baratos, consumindo uma menor fatia dos nossos escassos recursos para adquiri-los. Mas há alguns que perdem. Os trabalhadores das têxteis. E para estes, o que é preciso é facilitar novos investimentos que substituam aqueles que deixaram de ser competitivos. E isso faz-se simplificando a vida de quem quer investir. Baixando impostos, diminuindo a burocracia, simplificando as leis do trabalho. Exactamente o contrário do que se subentende da conversa do porta-voz do partido do governo. Mau sinal.

A alternativa é não ter hoje têxteis e ter desemprego. Mas não se preocupem. A continuar por estes caminhos sugeridos por Miguel Portas, André Freire e Odete Santos, em breve seremos outra vez competitivos no sector têxtil. Pelas más razões, evidentemente.

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