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quarta-feira, março 30, 2005

  Marxismo? Keynesianismo? Não!... É Anacletismo!

Hoje há uma página do Público verdadeiramente recomendável. No lado direito, está o nosso intelectual Coelho, no segundo dia de desagravo ao 'intelectual, pai de todos os intelectuais e eu queria ser intelectual como ele e se tivesse uma Simone intelectual também a emprestava aos meus amigos intelectuais mas só se ele fosse mais nova e boa na cama'. Depois de tanta gente ter feito notar nestes últimos dias que em política Sartre não acertou uma e que no confronto com Aron saiu mal na fotografia, o Eduardo saltou em defesa do seu 'role model'.

O Eduardo é também o autor de um dos mais célebres tratados sobre as leis da oferta e da procura, no qual "demonstrou" que o aumento do preço dos livros levaria a um aumento do seu consumo.

Hoje, ao lado do Eduardo, está a crónica do historiador Rosas. O professor insiste em demonstrar os seus conhecimentos económicos semana após semana, e de tão profícuo divulgador já nada nos deveria espantar. Mas hoje, o professor superou-se. Escreve sobre a directiva que tem feito mexer a Europa. E explica as consequências da aplicação do projecto Bolkestein:

«...os clientes dos países com salários mais altos e protecções sociais mais efectivas passariam a recorrer a empresas prestadoras de serviços (desde logo por eles criadas) localizadas nos Estados com salários mais baixos. ...Com um duplo efeito: por um lado, o dumping social, a concorrência desleal, contra os trabalhadores do país de destino, por outro, frustrando a possibilidade de os trabalhadores dos países de origem melhorarem as suas condições de vida e de trabalho, obtendo um verdadeiro rendimento diferencial à custa da sobreexploração do trabalho mais barato importado.»
Brilhante. Por momentos pensei que o Fernando tivesse feito uma das suas habituais confusões e tivesse trocado país destino e país origem, mas não. Ele pensa mesmo que o prestador de serviços portugueses vai dar cabo da sua vida porque as empresas dos países mais ricos querem recorrer aos seus serviços. O Fernando sabe como é: quando aumenta a procura, a oferta está tramada. Isto é quase tão mau como o investimento estrangeiro, que só estraga a vida dos trabalhadores dos países que recebem esse investimento. Um horror.

E este artigo fez-me lembrar uma carta de um leitor para o saudoso Anacleto, sobre este mesmo tema, carta absolutamente genuína, como é evidente:

"Caro Anacleto.

Semos um grupo de jóvens priocupados com o trágico sistema capitalista em que mergulha-mos, que só tem trasido miséria e dificuldades para o nóço povo. Este Verão ferquentámos a escola de Verão do Blogo de Esquerda e apreendemos que são os capitalistas selvájens e os neon-liberáis que expalhão a pubreza pelo mundo e já só sobrão um ou dois países avanssados mas que não pudemos dizer purque na escola explicarão-nos que se a jente dis bem dêsses paízes a extrema direita pode aporveitar para nos atacar.

Ora a jente tem feito umas cessões de breine estoming todas as noites para termos ideias que possão ajudar o povo a melhurar a sua vida e então tivémos esta lembrança que queria-mos dizer a vocês. É assim: os capitalistas só são ricos purque as pessoas comprão as coisas nas lojas dos capitalistas por cauza das leis da prócura e da oferta. Também se diz que os charros são caros proque à muita prócura e à pouca oferta. Atão, pensámos nós, proque é que o blogo não apersenta na Cembleia um prujeto para revugar as leis da prócura e da oferta?"
E a resposta foi:

Obrigado pela sugestão. Esta ideia é muito interessante. Resolvemos delegar a redacção da proposta de Revogação das Leis da Procura e da Oferta no companheiro Fernando Rosas. Ele próprio nunca percebeu muito bem para que é que estas leis servem. Até agora nunca precisou de as usar.
Ora aí está a confirmação. A escolha era perfeita. É que isto não é keynesianismo nem é marxismo. É puro anacletismo.

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