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sábado, abril 09, 2005

  Lógica Redutora de Soma Nula

Caro Paulo. Eu até entendo que não goste das pessoas que dão a cara nos Compromisso Portugal e coisas afins. Se eu fosse tão próximo do PS como o Paulo, também não gostaria que os melhores gestores portugueses manifestassem sistematicamente opiniões contrárias às ideias generalizadas no partido.

E claro que é desnecessário lembrar-me que "o sucesso no sector privado não lhes confere nenhuma legitimidade democrática". Absolutamente nenhuma. Quando um gestor de sucesso manifesta a sua opinião está a fazer o mesmo que o Paulo faz no seu Bloguítica ou eu neste blogue. Acontece é que os sitemeters de algumas figuras de sucesso reconhecido registam mais 'hits' do que os nossos, mas aí não há nada a fazer. O Deco também vendeu mais livros que muitos bons escritores.

Os seu posts acabam por reflectir o sentido da cultura dominante, que em Portugal é essencialmente anti-empresa e anti-sucesso. Um drama dos nossos tempos. De tal maneira que o sucesso no sector privado parece ser um obstáculo ao acesso no sector público. Já o contrário é fácil. Quantos políticos medíocres não encontraram um lugar de prestígio numa qualquer empresa que precise de favores do estado, depois de terem sido simplesmente ministros medíocres?

O que acho que não faz sentido é a sua imposição aos homens que se dispõem a migrar das empresas para a actividade política.

«...desde que respeitem uma condição prévia: nada de discursos salvadores da Pátria e de homens providenciais».
Um bom liberal como eu está longe de pretender impôr comportamentos morais aos outros. Posso avaliar e não gostar, mas nunca exigir. E também acho que está a ser injusto. Os discursos salvadores da pátria não têm vindo desse lado. Quem o usou extensivamente nos últimos tempos até foram os mesmos que o aproximaram do abismo. "Agora, Portugal vai ter um Rumo", lembra-se?

Mas diga-se que quando um gestor está disposto a prescindir de 20, 30 ou 100 mil euros por mês para dedicar-se à coisa pública eu só posso aplaudir. É precico muita coragem. É que ao dar este passo, sabe à partida que vai ser insultado diariamente por políticozinhos medíocres, que os seus estilos de vida vão ser invejosamente espiolhados, que as suas atitudes serão gozadas e achincalhadas em alguma comunicação social, que as suas opiniões vão ser deturpadas a cada comentário e que as mentiras sobre a sua vida vão ser verdades absolutas porque impressas por jornalistas "impolutos" que nunca se enganam e que são poços de virtudes.

E não vale a pena preocupar-se com António Borges. Como outros, provavelmente será apenas mais um que vai perder a paciência para aturar a lusa mesquinhez e deixar-se de políticas. Dentro do seu próprio partido, pululam muitos personagens que também lhe vão fazer ver que a política é só para os políticos.

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