terça-feira, maio 10, 2005
É a Cultura, Estúpido.
Hoje acordei pragmático, mas durou pouco. No Público, li Eduardo Prado Coelho, deslocando-se entre o mais e o mais:
Preciso urgentemente de um bom café.
Hoje acordei pragmático, mas durou pouco. No Público, li Eduardo Prado Coelho, deslocando-se entre o mais e o mais:
«Vasco Graça Moura defende uma tese insustentável (ou, pelo menos, que deve ser combatida), mas extremamente interessante. Ela tem a ver com a globalização. Verificamos que hoje os produtos culturais, que nos habituámos a considerar analógicos, isto é, que têm uma espécie de plasticidade, o que significa que a nossa relação com eles é densa e elástica, se desloca entre o mais e o mais, funciona com as graduações de sentido, têm hoje um outro estatuto. Segundo Vasco Graça Moura, seriam produtos digitais e nessa condição a especificidade do cultural tende a desaparecer. Tudo é igual a tudo, porque tudo é redutível à linguagem do digital.O digital é como o dinheiro. Tal como o dinheiro é para nós um equivalente geral, o digital torna todas as coisas iguais. É também um equivalente geral. O que resulta daqui é que a forma liberta-se do conteúdo.»Este homem é um pensador profundamente analógico, esvoaçando entre o mais e o mais, um ser em que a forma e o conteúdo são absolutamente inseparáveis.
Preciso urgentemente de um bom café.
