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segunda-feira, maio 02, 2005

  Os Filhos do Disparate

João Morgado Fernandes escreveu esta posta a 29 de Abril. Na dita não há links, mas por algum motivo incógnito, recebi imensas visitas redireccionadas a partir do link directo do texto, "Os Filhos Ilegítimos do Bloco". Imagino que muitos leitores do Terras do Nunca terão vindo aqui demandar prováveis refutações ou cheirinhos de polémica.

Não há motivo para tal. Pela minha parte, aceito perfeitamente o capuz que me oferecem, apesar de estar muito encolhido no flanco direito e demasiado largo na parte de fora.

O texto, dirigido aos "filhos ilegítimos", é evidentemente escrito por alguém que não esconde afinidades com os "pais bastardos". E é um texto passível de reversão, como tão bem demonstrou Adolfo Mesquita Nunes, no Arte da Fuga.

Adiante e passem-se os argumentos, que o que me leva a responder a João Morgado Fernandes é apenas um parágrafo que aparece já perto do fim. Um parágrafo que está absolutamente errado. Este:

«Mas o mais curioso desta malta é que eles nasceram como que em oposição ao Bloco de Esquerda. Se não fosse o Bloco, esta malta não existia. Porque eles só existem em contraponto ao Bloco. Aqueles moinhos de vento contra os quais lutam são única e exclusivamente as ideias do Bloco. Que eles tomam como corrente dominante da sociedade. É vê-los por aí a argumentar - espreme-se e que sai? Apenas manifestos anti-Bloco. Mas essa malta não beneficiou apenas da existência do Bloco, a tal esquerda cujos valores são hegemónicos. Beneficiou igualmente dos media (a outra face negra da coisa?), a qual, com problemas de consciência por ter impulsionado o Bloco, dá agora espaço generoso aos que a ele se opõem.

Bem, isto é falso. "Esta malta" em que me incluo, já cá andava há muito tempo e não mudou de ideias. A questão é que não valia a pena correr atrás de moinhinhos de vento, coisinhas sem impacto ou partidecos de extrema-esquerda sem qualquer influência na sociedade.

O que se passou nos últimos anos é que os apóstolos do disparate se reorganizaram, cresceram, aumentaram os discípulos e até já têm meia dúzia de ilustres deputados da nação. Escrevem grandes artigos nos jornais e dispõem de tempos de antena absolutamente superiores ao seu peso eleitoral. Ganharam visibilidade.

Ora apesar da institucionalização da extrema-esquerda à volta desse projecto de marketing bem sucedido que é o Bloco de Esquerda, continua a ser impossível não rir de cada vez que se visitam os sites da UDP ou do PSR, ou de cada vez que Sousa Santos ou Fernando Rosas debitam as mais disparatadas opiniões no generosíssimo espaço que os media lhes atribuem, que miltantes anónimos expressam hilariantes motivações revolucionárias ou que o diácono Anacleto executa os seus números de malabarismo na televisão.

É evidente que ninguém está para gastar os dedos a debater com a insignificante Ruptura/FER porque não é preciso lutar contra a ignorância dos ignorados. A irrelevância é por si só castradora da iniciativa. As coisas mudam quando um professor universitário que dá pelo nome de Fernando Rosas mata 200 anos de teoria económica em artigos absolutamente cretinos em página ímpar e inteira no principal diário português ou em absurdos comentários televisivos em horário nobre? Como é que a gente pode evitar desfrutar da explícita ignorância do figurão?

O que é que estão à espera quando, numa tentativa de se mostrarem sérios pensadores da cidade, tentam escrever programas de acção baseados nos equívocos que defendem e assinam estas hilariantes propostas?

Meu caro João, não se confunda. O que o motivou a escrever a sua posta não são, como escreve, manifestos anti-Bloco. São apenas e simplesmente, óbvios manifestos anti-disparate.

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