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segunda-feira, julho 11, 2005

  FAQ das Modernas Políticas Socialistas do Betão

P: Quanto custa o TGV?

R: Essa pergunta não faz sentido e revela uma mentalidade pequenina. A França e a Espanha têm TGV. O Japão tem TGV. Nós não podemos ser continuar a ser os pobrezinhos da Europa. Temos é que fazer o TGV rapidamente, independentemente de considerações economicistas sobre o tema. Além disso, o TGV será privado. O estado limitar-se-á a garantir o equilíbrio da operação.

P: Faz sentido apostar ao mesmo tempo na Ota e no TGV?

R: A Ota e o TGV são investimentos absolutamente complementares. A Ota vai ser óptima para o TGV, porque os portugueses vão passar a ir de TGV até à Ota para apanhar o avião para o Porto. A Ota, por si só, quase viabiliza o TGV. Podemos até dizer que o TGV só se justifica porque é preciso dotar a Ota de boas infra-estruturas de transporte e a Ota é um investimento que se torna obrigatório como meio de viabilizar o TGV. São as chamadas duplas sinergias.

P: E quanto custa a OTA?

R: O economicismo subjacente a essa questão é próprio dos países atrasados. O investimento na OTA vai criar 100006,83 postos de trabalho, acabar com o desemprego e salvar de uma morte anunciada o sector da construção em Portugal. O investimento vai ser quase todo privado e o estado vai lucrar bastante com toda esta operação, porque tudo isto vai gerar muitos impostos, empregos, felicidade generalizada e, consequentemente, mais filhos.

P: Então, porque é que não se fazem mais Otas?

R: É uma boa ideia que está em estudo. Provavelmente, será construído um segundo aeroporto do Porto, em Ovar. Os portugueses e as portuguesas que se queiram deslocar de Lisboa ao Porto, apanham o TGV até à Ota, o avião até Ovar e de novo o TGV até ao Porto. Com sorte, até apanham 2 vezes o mesmo comboio e nesse caso ser-lhes-á atribuído um benefício fiscal em sede de IRS.

P: Afinal, a política de betão é boa ao má?

R: Depende. A política de betão cavaquista era muito má. Horripilante. As pessoas não são feitas de betão. A política de betão socialista é boa. O betão socialista cria empregos e desenvolvimento. Além disso há uma diferença significativa entre as duas políticas de betão. A política de betão cavaquista era paga com portagens e dinheiros públicos. A política de betão socialista é de borla para os portugueses e é paga por privados. Uma maravilha.

P: E estas obras não contribuem para o défice?

R: Essa questão revela uma mentalidade neo-liberal. Os números não são tudo. O investimento público é a base da economia moderna. O investimento público não deve contar para o défice. É necessário alterar os critérios contabilísticos do défice para excluírem o muito necessário investimento público. É melhor ter défice e investimento do que não ter défice e ficarmos sub-desenvolvidos como a Irlanda, a Finlândia ou a Espanha.

P: Afinal, o défice não é assim tão mau, pois não?

R: Depende. O défice barrosista é asquerosamente mau, porque origina políticas obsessivas neo-liberais de cortes cegos na despesa pública e horríveis receitas extraordinárias. O défice socrático é menos mau, até virtuoso, porque não só não obriga a cortes cegos na despesa como é combatido sem recurso a pavorosas receitas extraordinárias, além do que não impede o choque tecnológico, favorece a modernidade, o desenvolvimento, o bem estar dos portugueses e, consequentemente, mais filhos.

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