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segunda-feira, janeiro 31, 2005

  Lobby Hetero

O lobby hetero ataca a norte. Bendito sois vós entre as mulheres.

  Barnabe Hussein

Já contribuí com 5 visitas para o contador do blog da esquerda-chic, mas ainda não consegui ler nada sobre as eleições no Iraque.

  A Causa Torta

velhas ideias que não desaparecem com as mudanças de vestuário. A democracia, por vezes, provoca muitas dores de cotovelo.

domingo, janeiro 30, 2005

  A Voz da 'Resistência'

Foi com grande desconforto e consternação que um 'jornalista' da TSF anunciou que, 2 horas antes do fecho das urnas, 72% dos iraquianos já tinham votado. Isto, claro, apesar do esforço dos 'resistentes' que se mataram a trabalhar para o evitar, realizando corajosos ataques suicidas junto às mesas de voto anti-patrióticas. Os 'resistentes' explodiram autocarros cheios de civis, colaram bombas ao corpo para se desintegrarem ao lado de eleitores-traidores, mataram, assustaram e ameaçaram. Mesmo assim o povo foi ingrato. Não houve respeito pelo trabalho dos 'resistentes'.

Deixe lá estar homem. Amanhã vamos ter mais bombas e vai poder anunciar aos microfones da al-Jazeera da Avenida de Ceuta que afinal, as eleições já foram e as bombas continuam. E vai poder insinuar com voz triunfante que ainda não foi desta que esses malandros que inventaram a democracia vão conseguir levar-nos a melhor.

  A Causa Deles

"Os iraquianos votam hoje. Ou melhor, alguns iraquianos vão hoje às urnas."

Bolas. Precisa-se redefinição do conceito de "alguns".

  Boa Sorte, Iraque!


30 de Janeiro de 2005, Dia da Democracia

sábado, janeiro 29, 2005

  Prometo-vos um Lindo Dia

1. Pode o peso do estado diminuir de 48% para 40% em 6 anos? Pode. Se a idade da reforma aumentar. Se diminuir o número de funcionários públicos. Se o desemprego baixar. E, contas feitas, se houver congelamento das despesas públicas, o PIB terá de crescer em média, 3.1% ao ano.

São tudo coisas que, infelizmente e provavelmente, não vão acontecer. Imaginemos que um governo bendito, num acto de assombrosa coragem e de suicídio eleitoral, consegue que as despesas públicas crescam apenas a... 1,5% ao ano. (grosso modo, 1/6 do que cresceu com Guterres e 1/3 do que cresceu com Barroso).

Deste modo, para o peso do estado descer para 40% do PIB, a economia teria que crescer em 6 anos a uma média de 4,6% ao ano... Só na China.


2. Recuperar 150.000 empregos e crescer a 3% ao ano. Belas promessas. Lembrei-me de outras que se podem fazer, do mesmo género: "Comigo, a temperatura média da água do Mar no Algarve em Agosto será de 24º". "Comigo, haverá sempre neve na Serra da Estrela no Inverno". "Comigo, não há seca no Algarve em 2005". Isto sim, são coisas que fariam com que o 'básico' a quem querem ensinar inglês vá a correr botar o voto na urna!

  Valente Demasiado Polido

...

Porque afinal quem são os senhores do "Bloco"? São uma centena de intelectuais de Lisboa e do Porto, com um eleitorado de classe média urbana, que subiram à custa de imaginárias "rupturas" com a moral tradicional, de um radicalismo inteiramente retórico e de um certo talento para a televisão. Nada disto é de esquerda e nada disto lhes permite falar em nome dos trabalhadores ou, de resto, de quem quer que seja. Não representam mais do que uma difusa repugnância pelo regime e as banalidades da moda ideológica do tempo.

Se aplicassem a si próprios a regra que pretendem aplicar a Paulo Portas, também eles precisavam de mudar de vida. Repudiar a gravata, a favor de um arzinho "estudantil", não é dentificação bastante com o povo explorado e oprimido. Se o conservadorismo pede a Paulo Portas que ele "gere" uma filha com um sorriso, o que não pedirá o trombeteado esquerdismo do "Bloco"? Uma pessoa treme de pensar e ninguém deseja que o dr. Louçã se incomode e sofra. Só convinha talvez que se coibisse de examinar a virtude do próximo e que não falasse tanto em "hipocrisia". Por razões de gosto e de higiene política."


Vasco Pulido Valente, ontem, no Público. Artigo completo, aqui.

sexta-feira, janeiro 28, 2005

  Notinhas Soltinhas Feitas nuns Minutinhos Sobrantes.

1. Este post do Maradona deixou-me bem disposto.

2. Este post de Freitas do Amaral na Visão fez correr muita tinta gastar muitas teclas pela Lusolândia. Meia surpresa, apenas. A deriva estatista de Freitas já não é novidade para ninguém. Inesperado, é Freitas ter preferido Sócrates a Louçã. Consta que o amigo Mário ficou tão zangado que já não vai convidar Freitas para a próxima vernissage da sua Fundação.

3. Este post diz-nos que os jovens benfiquistas anti-liberais do Tugir completam um ano de blogue. Daqui deste cantinho, os meus parabéns verdes e liberais.

4. A Ryanair foi uma benção para os viajantes portugueses. A TAP já está com grandes promoções nos vôos para Londres. Os preços após taxas já são por vezes apenas o triplo dos da Ryanair. Bendita concorrência.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

  60 Anos


© 2000 by Rudy Brueggemann

"Arbeit Macht Frei" Nunca Mais.

  Memórias Demasiado Curtas

"Portugal, pelos anos mais recentes, nunca viveu uma situação idêntica.", escreveu Jorge Coelho, no DN, referindo-se ao boato.

Será que o choque tecnológico também servirá para actualizar a RAM de Jorge Coelho?

quarta-feira, janeiro 26, 2005

  Partidazo

Infelizmente, nem sempre os melhores ganham.

  Anacletos de Todo o Mundo, Uni-vos, Pô!

Se você é um velho comunista, se você é um deserdado dos velhos regimes socialistas, se você é um palerma que não distingue um boi da goiabada, se você é um pós-moderno que gosta de botar discurso sem dizer nada, se você é LGBT ou aparentado a veado, se você ainda não percebeu essa estória da procura e da oferta, se você tem inveja dos ricos e do sucesso, se você acha que o comércio livre é a desgraça dos povos, se você acredita que o proteccionismo é a salvação das massas, se você gosta de se mostrar com a tromba do Che estampada na na t-shirt, se você gosta de boinas com estrelinha, se você acha que está in usar keffieh, se você acredita que o futuro do mundo está na defesa do agro-mar, se você não tem a certeza se a Coreia do Norte é uma democracia, se você acha que o Muro de Israel é mau mas o de Berlim era bom, se você acha que a Microsoft é uma conspiração judaica para impedir o desenvolvimento dos povos, se você é um pateta alegre, se você acha que a pobreza do terceiro mundo se resolve com fóruns e socialismo, se você acredita que se vive melhor em Cuba do que na Florida, se você não percebe patavina dessa coisa do défice, se você acredita que cortar o investimento estrangeiro aos países pobres é bom, se você sentiu um arrepio na espinha com a reeleição do fascista Bush, se você acha que as pessoas só fazem bobagem se não forem controladas por um estado protector, se você é um grande apreciador de circo, se você admira as guerrilheiras das FARC, se você acredita que o QI de Michael Moore é superior a 70, se você deseja ardentemente que os americanos sejam corridos do Iraque, se você acredita em fantasmas, em duendes ou no saci-pererê...

É isso aí, meu irmão. Você é um Anacleto. Você é dos nossos. Venha se juntar a nós, tamos todos em festa no Brasil, em Porto Alegre o Carnaval se antecipou!

Forum Social Mundial, 26 a 31 de Janeiro de 2005.

  Sul


Chefchaouen, Marrocos, Junho de 2001

terça-feira, janeiro 25, 2005

  Celorico de Basto?

A culpa é do Marcelo!

  Mudam-se os Tempos...

Vital Moreira quer calar a voz da classe comentatária!

  O 12º Lugar

Bernardino Soares é uma curiosidade biológica. Bernardino já nasceu velho. Ontem, no debate sobre o Estado da Nação, o jovem-velho Bernardino repetiu vezes sem conta o slogan: o Sistema Nacional de Saúde português é o 12º melhor do mundo.

Que espanto. Que ranking! Haja saúde! Portugal tem um sistema de saúde melhor que o da Alemanha, muito melhor que o da Inglaterra e damos uma ratada aos Estados Unidos. Portugal mostra como se faz à Suécia, ao Canadá e à Finlândia! Sorte a nossa não sermos australianos ou dinamarqueses. Não! Somos Portugal e estamos em 12º lugar.

É mesmo? Espreitando para dentro do ranking, como se compara Portugal com os Estados Unidos, por exemplo?

Indicador a indicador, temos:

Health Level : 24º EUA, 29º Portugal
Health Distribuition : 32º EUA, 34º Portugal
Responsiveness Level : 1º EUA, 38º Portugal
Responsiveness Distribuition : 3º EUA, 53º Portugal
Fairness in Finantial Contribuition: 54º EUA, 58º Portugal
Overall Goal Attainment : 15º EUA, 32º Portugal

É só isto. Não há mais. Então se os Estados Unidos estão à nossa frente em TODOS os indicadores, porque é que Portugal está em 12º lugar e os Estados Unidos só aparecem em 37º?

A explicação é fácil. Este indicador é um dos tais cujo objectivo é apenas confirmar as ideias pré-concebidas dos seus autores. Por isso, como a realidade não cola com as prévias conclusões, é preciso dar a volta à coisa. Vai daí, pegaram na classificação obtida nestas parcelas, por si só bastante discutíveis, e dividiram pela despesa em saúde per capita em cada nação...

Há muitos indicadores tontos, como este. Outro, que está muito na moda, é o do limiar de pobreza. São indicadores que suportam realidades fictícias, mas que são excelentes argumentos para os debates na televisão e que fazem sempre grandes manchetes nos jornais.

A confusão que o ranking dos sistemas de saúde gerou foi imediata. Pode ler-se aqui e seguir os links.

E mesmo que o jovem-velho Bernardino o proclame vezes sem conta, infelizmente, Portugal não tem o 12º melhor sistema de saúde do mundo.

segunda-feira, janeiro 24, 2005

  Notas da Pré-Campanha

1. António Guterres entrou na campanha eleitoral, em boa hora. Qualquer resquício de probabilidade de considerar um voto útil em busca de uma maioria absoluta do PS desvaneceu-se definitivamente.

2. "Em quem votas, no Sócrates, no Santana ou no Portas?", perguntou-me. "Em ninguém, nestas eleições não voto em pessoas, voto em partidos", respondi, absolutamente convicto e, pela primeira vez, constitucionalmente correcto.

3. L. vota em Viseu. L. quer a direita longe do poder. Por isso, L. vai votar no Bloco de Esquerda. L. é muito inteligente (na escala bloquista, evidentemente).

4. Conveniente é a teoria do debate de Sócates. No Canal 2, à meia-noite, num programa que quase ninguém vê. A vacuidade do programa do PS recomenda pouca conversa com contraditório. Sócrates mostra sensatez em não querer discutir o assunto. E a sensatez é uma qualidade apreciável num futuro primeiro-ministro.

5. Bagão Féliz chamou 'Neo-fascista de esquerda' a Louçã. Foi a primeira vez desde que é ministro que Bagão acertou em cheio na mouche.

domingo, janeiro 23, 2005

  Escort Service

O Líder foi apanhado pelo FêCêPê. O Líder tem companhia.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

  Promoção

Fui promovido a administrador. Que bom. Do condomínio.

  Mais Respostas Respondidas a Perguntas Perguntadas

Debatia-se a redução do número de funcionários públicos e o reflectido autor do Irreflexões, deixou este comentário/pergunta:

Eu só tenho um tipo de pergunta. Para começar. Muitos. Demais. Quantos? Precisamente quantos? Eu até posso concordar em tese mas falar disto assim não vale nada. Quantos professores, médicos, juízes, enfermeiros, quantos? Quantos administrativos? Quantos? Quantos técnicos superiores? Quantos? Quantos, sei lá, cantoneiros? Quantos? Quantos técnicos de acção social? Quantos? Quantos polícias? Quantos militares? E por aí adiante ...
Quando alguém quer comprar um carro, não começa por escolher a cilindrada e os acabamentos. Não me serve de nada escolher um Rolls Royce se só posso pagar por um Renault 5. Quam não tem dinheiro não tem vícios.

No estado também tem que ser assim. O estado tem que saber onde estão os seus limites e não se pode comprometer a pagar para lá das suas capacidades. Já percebemos que um estado que custa metade do PIB é um estado insustentável. Os brutais impostos que hoje se pagam em Portugal já não chegam para pagar o custo do brinquedo. E não vale a pena em pensar ir pelo lado da receita porque os impostos em Portugal têm que baixar se queremos manter alguma competitividade. Logo, o custo do estado tem obrigatoriamente que descer. Só pode descer. Qualquer outro caminho tem consequências trágicas e já estamos hoje a ter uma amostra das consequências dessas absurdas opções que seguimos nos últimos anos.

Por isso a pergunta tem que ser feita ao contrário. Qual a dimensão da máquina do estado que é sustentável peloa economia? Sabendo que há uma relação absolutamente negativa entre crescimento económico e peso do estado na economia, é bom decidirmos depressa se no futuro queremos ter ricos mais pobres ou pobres mais ricos.

Passemos à questionação irrefletida:

Q: Quantos professores, médicos, juízes, enfermeiros, quantos?
A: Professores, médicos e enfermeiros: Zero. Não há motivo absolutamente nenhum para que estes profissionais sejam funcionários públicos. Os professores devem ser contratados pelas escolas e as escolas é que lhes devem pagar os salários através dos dinheiros que recebem dos alunos, estes sim, se necessário, subsidiados pelo estado. Os médicos e enfermeiros devem ser contratados pelos hospitais, clínicas ou centros de saúde de acordo com as necessidades e com as disponibilidades. O príncipio de financiamento não deve ser muito diferente do das escolas. Os maus profissionais devem ser despedidos. Os bons profissionais devem ser mais bem pagos. Mas isso é outra conversa.

Q: Quantos administrativos? Quantos?
A: Dezenas de milhar a menos dos que há hoje. A absurda burocracia do estado é ela própria uma máquina que re-inventa as suas próprias necessidades administrativas onde elas não existem. Remeto mais uma vez para a posta do Monstro, que é apenas um exemplo que se repete por todos os ministérios. Se a isto juntarmos as autarquias, as regiões, os governos civis e as regiões autónomas, estamos em números de 6 dígitos, certamente.

Q: Quantos técnicos superiores? Quantos?
A: Não faço ideia, mas certamente muitos. Na Câmara de Lisboa conheço para aí uma centena que não faz falta nenhuma ou, pior ainda, só lá estão a criar bloqueios. No ICEP, no IAPMEI e no Ministério das Finanças também conheço muito do género. Que razia que se fazia. Ganhávamos todos. Se tivermos em conta que a maior parte destes técnicos está lá principalmente para atrapalhar quem quer trabalhar, seria um alívio tirar do caminho todos estes engulhos.

Há tempos contaram-me (na primeira pessoa) a história de uma auditoria encomendada pelo estado a um organismo público. O auditor tinha acabado um trabalho semelhante numa multinacional, onde se tinha concluído que a equipa de 12 pessoas do departamento administrativo e financeiro era ligeiramente excessiva para as necessidades da empresa. Quando chegou a este instituto, cujos serviços correspondiam a menos de 5% dos da multinacional, encontrou 88 pessoas no departamento correspondente... Esta história já tem meia dúzia de anos e ao que sei, ainda continua tudo na mesma, mas consta que o Departamento de Recursos Humanos do Instituto já foi reforçado, porque era, evidentemente, insuficiente para as necessidades.

Q: Quantos, sei lá, cantoneiros? Quantos?
A: Zero, evidentemente. O estado não é uma empresa de pavimentação. Quando precisar de trabalhos de construção civil, vai ao mercado. O sector privado dimensionar-se-à o melhor possível para dar resposta às encomendas.

Q: Quantos técnicos de acção social? Quantos?
A: Não sei, mas há-de haver quem saiba. Conheço poucos, uns com evidente valor para a sociedade, mas também sei de um ou dois casos que, valha-me Deus, que nulidades... De qualquer modo é verdadeiramente simbólico que seja o mais eficiente promotor do nosso exército de necessitados e desempregados, o estado, a contratar mais e mais técnicos de acção social para resolver os problemas que ele próprio cria. É tal e qual a toxicodependência. O drogado também compra sempre mais droga porque o vício é cada vez maior...

Q: Quantos polícias?
A: Dos que temos hoje, precisamos pouco. Dos bons, deveríamos ter muitos. O número nunca poderá ser absoluto porque a quantidade de polícias deve ser um equilíbrio entre as necessidades e as disponibilidades. Todos os dias vejo carros estacionados em cima do passeio aqui perto de onde estou e nunca vi nenhum ser multado. Uma cadeira de rodas não consegue passar sem ser pelo meio do trânito. No início de Novembro fui a um posto da PSP apresentar uma queixa e vi mais de 20 polícias sentados, na conversa, a escrever à máquina(!)...

Q:Quantos militares?
A: Não faço ideia, mas de qualquer modo o número nunca poderá ser absoluto porque a quantidade de militares deve ser um equilíbrio entre as necessidades e as disponibilidades. A defesa é uma das obrigações do estado que são inalienáveis. Em tempo de paz precisamos de poucos militares. Em caso de guerra, precisamos não só de mais militares como de mudar os políticos que nos levaram para a guerra.

Venham mais perguntas. Haja tempo para responder. E já agora, gostava de ler também as suas respostas às mesmas questões.

quinta-feira, janeiro 20, 2005

  Uma Histórinha para Jovens Socialistas

O Tugir é um blogue socialista, feito por militantes do partido, dos activos, com cartão, secção e tudo. Ontem, tentei responder a meia dúzia de perguntas que Luís Novaes Tito deixara no Tugir sobre a redução de funcionários públicos. Pois... falhei. A resposta dos jovens socialistas demonstrou que fui muito pouco esclarecedor.

A culpa foi evidentemente minhae à minha falta de capacidades didácticas. Aqui fica uma nova tentativa de explicação da coisa, escrita a pensar exclusivamente nos jovens socialistas:

=============================

Eram uma vez o João, o José e o Luís. O João e o José eram funcionários de uma empresa, a Privada. O Luís era funcionário da Pública. Os nossos heróis ganhavam 1000 euros por mês.

O patrão do João e do José pagava pelo trabalho destes dois personagens 3410 euros todos os meses, 1.705 por cada um, porque para dar 1.000 euros ao João e ao José era obrigado a dar 705 euros ao patrão do Luís.

Não, não era a Máfia. Neste país imaginário onde se passa a história era a própria lei que mandava que assim fosse e, acreditem ou não, o João e o José e mais o patrão dos dois, pagavam aquele balúrdio sem grandes protestos. Diga-se que nem o João nem o José tinham consciência plena de quanto poderiam ganhar se estas subvenções fossem reduzidas...

Ora, onde íamos nós? Ah, pois, o patrão do Luís ia buscar ao patrão do João e do José 1.410 euros, todos os meses. E ainda ia buscar mais 250 euros a cada um dos dois, ao João e ao José, aos bocadinhos, o que dava, no total, 1.910 euros.

O patrão do Luís gostava de jogos. E tinha um hábito: fazer montinhos com o dinheiro que ia buscar ao João, ao José e ao patrão do João e do José. Dividia os 1.910 euros assim:

Num montinho punha 455 euros e guardava-o num bolso do colete que dizia: 'IRS'. Noutro montinho punha 303 euros e guardava-o no boslo: 'TSU João e José'. Num terceiro montinho punha 649 euros e guaradva-o no bolso: 'TSU Patrão do João e José' (Estes dois bolsos eram o mesmo com duas entradas, mas esse detalhe é irrelevante para esta história). No bolso a que chamava 'IVA' guardava 320 euros. E ainda fazia um outro montinho com os restantes 183 euros e guardava-o no bolso 'Outros'.

Agora era preciso pagar ao Luís. O patrão do Luís gostava de fazer assim: juntava os 1.910 euros outra vez num só monte, tirava 1.000 euros do bolo e dava-os ao Luís, num envelope chamado 'Salário Líquido'. Do que sobrava, tirava 224 euros e punha no bolso que dizia IRS ? Retenção na Fonte. E pegava em 136 euros que punha num outro bolso chamado 'Caixa Geral de Aposentações'.

E, claro, ao longo do mês, também ia buscar 250 euros ao próprio Luís, para os bolsos do IVA e Outros. Depois voltava a juntar tudo outra vez num montinho, que tinha agora 1.160 euros. E desses 1.160 euros gastava todos os meses 1.340, porque tinha um défice, mas isso são outras contas. Parte desse dinheiro que o patrão do Luís gastava, eram as despesas do próprio Luís em telefones, telemóvel, internet, energia, renda do espaço que o Luís ocupa, lápis, canetas, bicas e afins...

Agora, o Luís vai ter que sair. O Luís é um tipo capaz, inteligente e que está a desperdiçar a sai capacidade de trabalho porque as suas funções são apenas ajudar o patrão a fazer montinhos de moedas e o patrão do Luís há já meia dúzia de anos que comprou uma gruinha. O Luís podreria ter outras funções para as quais é muito bom, mas o sindicato não deixou.

No mês em que o Luís se vai embora, o ex-patrão volta ao monte com os 1.910 euros, tira os mesmos 1.000 euros e dá-os ao Luís. Risca as palavras 'salário líquido' do envelope e escreve por cima 'Subsídio de Desemprego'. Depois, para evitar as confusões em algumas cabecinhas, vai ao mesmo monte e transfere 136 euros para o bolso da Caixa Geral de Aposentações.

E, claro, ao longo do mês, continua a ir buscar 250 euros ao próprio Luís, para os bolsos do IVA e Outros. Depois volta a juntar tudo outra vez num montinho, que tem exactamente os mesmos 1.160 euros que no mês anterior... Só que agora, já não gasta 1.340. Gasta menos. Deixou de pagar as despesas do Luís em telefones, telemóvel, internet, energia, renda do espaço que o Luís ocupava, lápis, canetas, bicas e afins...

E agora, façam vocês as continhas a partir do dia em que o Luís arranjou emprego, e o ex-patrão deixou de lhe pagar os 1.000 euros no envelope onde se escreve 'subsídio de desemprego'...


  Jornalismo de Qualidade

Hoje, no Diário Económico.
Título da Notícia: Aumento de propinas afasta mil alunos do Minho. Subtítulo: Cortes orçamentais estão na origem das desistências.

Depois, vem o primeiro parágrafo da notícia:

«O aumento de propinas afastou cerca de mil alunos da Universidade do Minho (UM), revelou o reitor Guimarães Rodrigues. Desde 2002, "cerca de 800 alunos, que estavam inscritos e que tinham duas ou três cadeiras para concluir o curso, resolveram acelerar para terminar a licenciatura", declarou ao programa Rádio - Universidade, uma parceria TSF/DE, emitido no sábado. É esta a explicação avançada para a diminuição do número de estudante que acabou por ser a justificação do Governo para um corte orçamental de 2,4 milhões de euros nas transferências do OE para 2005. O reitor garante que "há mais saída de alunos porque terminaram o seu curso e não uma baixa de procura". Apesar de reconhecer que é difícil quantificar, Guimarães Rodrigues admite que este ano lectivo cerca de "200 alunos tenham abandonado a UM por causa do aumento das propinas".
A 'jornalista' chama-se Madalena Queirós.

quarta-feira, janeiro 19, 2005

  Nuno Cardoso...

...deu uma conferência de imprensa. E disse mais ou menos isto:

"Rui Rio. A culpa é do PSD. E do Rui Rio. É uma cabala do Rui Rio e do PSD. É contra o Pôncio. Contra o FêCêPê. Contra o Porto. Contra o Norte. Contra Portugal. Contra mim. O Aguiar Branco manda nos juízes. O Aguiar é amigo do Rio. Eu é que vou ganhar as eleições. Eu já vou à frente do Rio nas sondagens. Vou tramar o Rio. Cabala do Rui Rio e do Aguiar. Eu bou-me aos gajos."

Pode-se ter 2 metros de altura e comportamento abaixo de cão.


  O Excesso

Há funcionários públicos a mais. Muitos. E como o peso do estado está a tornar-se insustentável para continuar a ser pago pela economia que gera riqueza, mais tarde ou mais cedo terá que haver despedimentos na função pública. Pode ser mais cedo (e será doloroso), ou mais tarde (e será muito mais doloroso).

Parte-se de um príncipio: é possível dispensar muitos funcionários sem tirar qualquer capacidade ao estado de fazer o que faz. Este pressuposto parece evidente, tendo em atenção relatórios recentes sobre a actividade da função pública. E há casos por demais óbvios... estou a lembrar-me do município que tem 7 funcionários na recepção e mais um ou dois à porta de cada serviço, dos departamentos de recursos humanos de serviços com meia dúzia de funcionários e da enormidade de departamentos e de institutos que engordam os vários tentáculos do monstro.

Luís Novais Tito, do Tugir, tem nada menos que 120 questões pertinentes relacionadas com o tema dos despedimentos no estado. Para já deixou meia dúzia que, subentende-se, não teriam resposta fácil.

Posso tentar? A cor das questões é subliminar.

1 - Quanto vai custar ao subsídio de desemprego?

No máximo, custa o mesmo do que custam hoje os salários líquidos dos mesmos funcionários. À medida que estes forem sendo absorvidos pelo sector privado, vai custar cada vez menos.

2 - Quanto vai custar ao IRS?

Imposto de funcionário público é como fazer negócio consigo próprio. Toma lá dá cá. Basta que um só destes funcionários públicos se empregue no sector privado ou começe um negócio próprio para tornar o saldo positivo para o estado.

3 - Quanto vai custar à Cx. Geral de Aposentações?

É irrelevante. É só uma questão de bolsos: tira de um e mete no outro. Preocupante é a linha de raciocínio que origina esta pergunta. Se continuarmos por aí, não tarda nada estamos a sugerir um aumento do número de funcionários do estado para ajudar a Caixa Geral de Aposentações.

As três primeiras perguntas juntas respondem-se melhor. Hoje, um dado grupo de funcionários recebem um salário bruto do estado, que inclui um montante que é devolvido ao próprio estado na forma de descontos para a Caixa Geral de Aposentações e para o IRS.

Se os funcionários forem dispensados, passam a receber um subsídio de desemprego. O saldo para o estado seria, aparentemente nulo se Salário Líquido=Subsídio de Desemprego. Mas não é. O saldo para o estado é bastante positivo, porque estes funcionários deixam de consumir telefones, espaço de escritório, energia, papel, canetas, etc, etc. O falecido professor Alfredo de Sousa fez em tempos as contas e chegou à conclusão que o custo associado a um funcionário activo representa cerca de 65% do seu salário, e isto sem contar com o custo do trabalho que este funcionário em excesso origina para os outros funcionários do seu serviço. Ou seja, a poupança seria desde logo significativa.

E o que acontece quando um só destes funcionários se empregar no sector privado? Passa a pagar impostos. E basta que um só pague impostos para deixar o estado com saldo positivo.

4 - Quanto vai custar ao comércio em geral?

Nada. Porque é que havia de custar?

5 - Quanto vai custar ao ensino privado?
6 - Quanto vai custar à construção civil?

Todos os sectores criadores de riqueza teriam a ganhar com um estado mais pequeno e mais barato. Um estado mais económico cobraria menos impostos. Menos impostos impicam um maior rendimento disponível para os contribuintes. Contribuintes mais ricos são contribuintes com mais disponibilidade para pôr os filhos nas escolas privadas e para comprarem casas novas.

Quais são as outras 114 perguntas?


  Lido

"... o arcebispo James Ussher, da Igreja Irlandesa, depois de fazer um estudo cuidado da Bíblia e de outras fontes históricas, concluiu, num pesado volume a que chamou «Annals of the Old Testament», que a terra tinha sido criada no dia 23 de Outubro de 4004 a.C., ao meio-dia."
Lido em 'Breve História de Quase Tudo' de Bill Bryson.

  Paço de Arcos


Paço de Arcos, 2002

segunda-feira, janeiro 17, 2005

  Cortes Com Olhos

Já muitos antes se pronunciaram sobre o assunto. Recentemente, foi Augusto Santos Silva num debate televisivo, que depois de mais uma pequena demonstração de iliteracia económica, balbuciou algumas palavras sobre o combate à despesa no estado, sugerindo que cortes na função pública, talvez, desde que não sejam cortes cegos.

Hoje foi Carvalho da Silva, no Público, que deixou passar igual mensagem. "Admitimos cortes na função pública, mas não uma redução cega".

Ora, sempre que os últimos governos tentaram timidamente cortar qualquer tipo de despesa no estado, logo estes e muitos outros personagens gritaram em uníssono: "Cortes Cegos! Cortes Cegos!".

Bem, chegou a hora. Estamos em campanha. Digam lá que cortes com olhos é que Vossas Excelências se propõem fazer para atacar o mais grave de todos os graves problemas de Portugal: a despesa pública.

Estou à espera. Sentado, infelizmente.

  A Vida É Bela

Continuando a sua forte aposta de renovação de caras, o PS trouxe Jorge Coelho para frente das câmaras de TV. Num estilo que lhe é habitual, Coelho explicou com muita elevação que Santana é o rei das trapalhadas e que em 2006 vão regressar os benefícios fiscais.

Estamos a pouco mais de um mês das eleições que, tudo indica, levarão o PS ao poder e continuamos no mundo das facilidades. As SCUTs não vão ter portagem, o governo vai dar milhões aos pobres, vai investir aqui e ali e, em 2006, vai re-introduzir os benefícios fiscais, apostar na poupança dos portugueses e não no consumo.

Todos sabemos que os portugueses têm esta mania horrível, quando se apanham com dinheiro no bolso, gastam-no. Liberalismos. O PS vai acabar com este vício, por via fiscal.

Convém perceber os timings da coisa. Em 2006, os portugueses vão preencher a declaração de IRS relativa a 2005, ano em que houve uma redução de IRS. Metade dessa redução é devida à actualização dos escalões já neste ano e metade será paga com as devoluções de 2005. Em 2006 terá que haver uma reactualização dos escalões, para encaixar o resto da redução do IRS. O que sugere o PS? Aumentar o IRS para 2006 com vista a reintroduzir os benefícios fiscais, que serão pagos em 2007? Manter a redução de IRS? Aumentar outros impostos? Afinal, como se financia a re-introdução dos benefícios fiscais? Não há resposta. Nem precisa haver, porque, todos sabemos que com o PS, a vida é bela.

  Os Interesses

"...Mas o nosso drama é que em Portugal não é só grande parte da esquerda que é iliberal: grande parte da direita também o é. Vive-se à babugem do Estado e também por isso é que estamos como estamos."

José Manuel Fernandes, Público.


domingo, janeiro 16, 2005

  O Líder Perdeu

Desilusão? Não, de modo algum. São estas pequeninas contrariedades que temperam o gosto da vitória.

sexta-feira, janeiro 14, 2005

  Notas da Pré-Campanha

1. Morais Sarmento disse em Castelo Branco que José Sócrates era um produto de «marketing político com muita cosmética e pouca substância», que «lhe falta tudo para ser um modelo de competência e de visão estratégica na condução dos destinos do país» e que «é flagrante e evidente a ausência de uma única ideia estruturada que dê solidez e credibilidade ao seu discurso».

Sócrates ficou muito chateado. Não queria que se soubesse. Santana também. Pensou que Morais falava dele.

2. O Bloco informou a imprensa que vai recorrer ao humor na campanha eleitoral. Isto é, Louçã continuará a falar, Fazenda a participar em debates e Rosas a publicar crónicas no Público.

3. O choque tecnológico prometido por Sócrates está aí. Começou pelo teleponto prá-frentex e continuou numa moderna acção de spam. Isto promete. Não tarda nada sai um o programa "Um Blog para cada Português", liderado pelo moderno deputado digital José Magalhães. À boa maneira socialista, custará para cima de uma pipa de milhões. Ainda alguém se lembra do "e-mail para todos os portugueses" do governo guterrista, que custou 1 milhão de contos e que atingiu uma quota de mercado tão original que não se media em percentagem mas sim em partes por milhão?

  Dúvida

Um jogador com nome felino (Leo Lima) e outro alcunhado à canídeo (Cláudio Pitbull) são os próximos reforços do FêCêPê. Os jornais desportivos sugerem que Leo e Pitbull vieram para recompor o plantel, substituindo os dispensados Carlos Alberto e Derlei.

Outra leitura é possível e Rui Rio que se cuide. Leo e Pitbull podem ter sido contratados para ajudar Pinto da Costa nas suas anunciadas batalhas políticas, substituindo os cansados Bobby e Tareco...

  O Iluminado


Santa Luzia, Tavira, Julho de 2002

quinta-feira, janeiro 13, 2005

  Porque é que o Chilenos são os Sul-Americanos Mais Ricos?

Um artigo de Ryan McMaken, "Chile: Socialismo, Ditadura e Liberalismo".

«The Chilean economy after all, has posted growth rates above 7% per year for many years now, and maintains a very small debt load (Chile now has a budget surplus of 2% of GDP), relatively sound currency, and a free business environment. Chileans have savings rates many times in excess of American rates. As Lagos himself now says: "It is not something of the right-wing parties nor the left-wing parties. It's simply sound economic policy."»

  Small Expectations

Há 8 anos, Guterres preparava-se para ir para o governo, com a prestimosa ajuda da SIC e de grande parte da comunicação social. Guterres passeava em tournée pela Lusitânia e deixava uma promessa em cada esquina, fotografava-se junto a cada grupo de protesto, reunia-se com todo e qualquer grupo de pressão em frente às luzes das TV´s e inventava a cada dia mais algumas aplicações para os dinheiros aparentemente infinitos que iria buscar aos contribuintes. Na SIC, António Peres Metelo, disfarçado de jornalista, vendia-se diariamente em falsas explicações justificativas dos desmandos prometidos por Guterres. Argumentava que o PS estava apenas a explicar onde iria aplicar o aumento da receita fiscal que o crescimento económico proporcionaria e que quem estava em falta era o PSD porque se recusava a dizer o que queria fazer aos dinheiros. Depois foi o que se viu: Peres Metelo teve o seu cargo público e Guterres, apesar do invejável crescimento económico que encontrou e da benesse da entrada no euro com a consequente descidas das taxas de juro, estoirou com as contas públicas de tal modo que ainda hoje não vemos a luz ao fundo do túnel.

Nos dias que correm o debate deveria estar a ser feito à volta da mais que necessária redução do peso do estado na economia. Onde cortar, como, o quê, a quem. Mas não está. E não está porque o PS, provável vencedor das eleições de Fevereiro, não tem qualquer intenção de atacar o cancro da despesa pública. Dois debates televisivos arruinaram-me os últimos resquícios de esperança que, ingenuamente, ainda alimentava.

Anteontem debatiam na Dois parlamentares dos 5 partidos. Independentemente da prática recente, PP e PSD defendiam cortes na despesa pública. Nunca disseram onde, nem em quê. Têm a teoria mas não explicam a prática, ou não têm coragem de a explicar. Na esquerda, a ignorância económica do deputado do PCP e de Luís Fazenda estiveram ao nível habitual. Representando o PS, Joel Hasse Ferreira tinha algumas obrigações de responsabilidade exigíveis a um partido que quer ser governo. Nada. Uma completa nulidade misturada com muita irresponsabilidade e banha da cobra. Joel Hasse Ferreira foi incapaz de fugir da banalidade da promessa do crescimento milagroso que resolverá todos os problemas à custa do aumento de receitas sem ser necessário atacar as despesas. Pura demagogia, pura mentira, pura ilusão. Medidas do lado da despesa: zero. Pior ainda: quer retirar do cálculo de défice o 'investimento' e, apesar disso, chegar ao fim dos 4 anos da legislatura com 3% de défice. Uma absoluta tragédia de endividamento público, é o que o PS nos promete para os próximos 4 anos. 4 anos*3% de défice mais investimento, falamos de um aumento da dívida pública superior a 15% do PIB... Que irresponsabilidade!

Poderia dar-se o caso de ser apenas eleitoralismo de Hasse Ferreira. Não é. Ontem, no "Quadratura do Círculo", depois de Sócrates ter prometido um aumento de despesa de mais algumas centenas de milhões de euros por ano, Pacheco Pereira tentou arrancar a José Magalhães uma pequena medida, uma apenas, de combate à despesa do estado. Não há. José Magalhães não conhece nenhuma. A cassete é sempre a mesma: crescer o PIB a 3% a.a. e 'criar' 150.000 empregos...

As poucas expectativas de um PS responsável e capaz de atacar a situação das contas públicas, já se foram. Não sobra nada, nem sequer a luz ao fundo do túnel.

Enquanto por cá o rumo para o abismo parece estar definido, o homem que pediu uma consolidação orçamental come arroz com pauzinhos.

terça-feira, janeiro 11, 2005

  Grande Animação

Um bom filme para ver esta semana é "O Rei Leão". Até porque há sempre o risco de mais tarde não haver nada para festejar...

  11/1/2005

Sócrates começou a falar. Os disparates começaram. A imprensa ignorará o dislate do menino.

Pedro Santana Lopes não ficou atrás. As declarações sobre Morais Sarmento foram mais um tiro no pé. Claro, ninguém fala de crise para comentar a viagem do presidente. Sampaio levou um Boeing à China para mais uma desbunda ao jeito de Belém. A comunicação social chama a atenção para o custo do Falcon do ministro...

  Prosas Antigas

"Os portugueses estão preocupados e perlexos. Vêem aumentar o desemprego, a precarização do emprego, a exclusão social, as desigualdades sociais e a insegurança quanto ao futuro. À sua volta, quando não na sua própria família, a pobreza, velha e nova, alastra e atinge mesmo aqueles que trabalham."

Boaventura Souza Santos, Maldonado Gonelha e Maria Bento, Junho de 1997

  Ouvido de Passagem

Dois 'teenagers'.
Ela: "Contaste à tua mãe?"
Ele: "Contei."
Ela: "Tá zangada?"
Ele: "Não, a esta hora tá mazé ganzada."

  Azulejos


Av. Infante Santo, Lisboa, 2002

segunda-feira, janeiro 10, 2005

  Título Enganoso

Passei pela banca dos jornais e embasbaquei-me perante o título do 24 Horas: "Os Vícios Privados de José Sócrates". Não... Não acredito! Será que é possível? Por momentos senti-me nervoso com o que imaginei que poderia estar escarrapachado no corpo da notícia. Abri o "jornal", devagar, esperando o pior. O dono do quiosque olhava-me de esguelha e julgo ter visto na sua expressão um esgar trocista. Virei página após página até que, finalmente...

Suspirei de alívio. Podemos estar descansados. Sócrates não é católico praticante pró-Vaticano. O título é enganoso.

  Portugal, 2005

Nos dias finais de 2004, chegou a uma empresa uma nota para liquidação de impostos em atraso, referentes ao IRC do ano de 2002, no montante aproximado de 53.000 euros, juros de mora incluídos. Surpresa. Falta pagar alguma coisa? O quê? A existência de dívidas ao fisco é incompatível com a participação em concursos públicos. Ordens da administração: averiguar e sanar o problema.

O director financeiro anulou os três dias de férias previstas para o fim do ano, agarrou-se aos papéis, conferenciou com o ROC, chateou os auditores que cobram um balúrdio por hora e pôs-se a caminho da repartição emissora do aviso, com a certeza mais do que absoluta que não devia nada ao fisco. Inglório. O chefe não está, só para o ano e só o chefe é que sabe da coisa. O senhor X também arranha a coisa, mas está de baixa. O senhor Z fala consigo. O senhor Z não sabe da coisa. Sugere que se pague e depois protesta-se. Nem pensar. Fica para o próximo ano.

Na terça-feira, 4 de Janeiro, mais uma visita ao sistema. Infrutífera, apesar de pré-marcada. Parece que o computador estava com uma coisa qualquer. Que os avisos foram do computador e a coisa está envolvida. Que é preciso ver com cuidado o estado da coisa do computador. É melhor pagar e depois protestam. Não, nem pensar. A gente volta.

Finalmente, na sexta-feira, um 'deixem lá', foi engano, não devem nada. Era mesmo a tal coisa do computador que estava virada para ali e devia estar virada para acoli. Foi o sistema que se enganou por causa da coisa. Não se preocupem. Rasguem isso. Já seguiu outra declaração.

Ninguém pediu desculpas, nem devolveu os dias de férias perdidos, as horas de trabalho absolutamente improdutivo e os custos suportados pela empresa que a coisa do computador gerou por estar virada para ali e não para acoli. Afinal, quem é que pode ser responsabilizado pelos estados binários dos bits e dos bytes da coisa?

Chegou hoje à empresa a correcção do erro da coisa. Pedem que se liquidem impostos em atraso referentes ao IRC do ano de 2002 no montante aproximado de 47.600 euros, juros de mora incluídos. Lá terá que se fazer mais umas quantas visitas ao sistema. Parece que a coisa ainda está um bocado torta. E naqueles serviços não há mesmo ninguém que consiga pôr a coisa em pé.

  Nome e Cognome

No Público, Louçã critica a falta de ideias do PSD e do PS. Nada de admirar, vindo de quem vem. Em termos de geração de ideias, o PSD e o PS juntos, somados e multiplicados ainda ficam a milhas da capacidade de produção do grande criador, o pensador, o monarca das ideias. Até julgo que Louçã ficará conhecido para a posteridade com nome e cognome. Louçã, o Supremo Idiota.

  Bessa

Daniel Bessa recomenda-se, em entrevista ao Público. E se toda a entrevista é recomendável, nos tempos que correm era essencial que este conselho do professor chegasse aos ouvidos de Sócrates: A Economia Portuguesa Precisa de Liberalização, o Que Não É Fácil de Dizer para o Interior do PS

domingo, janeiro 09, 2005

  Notas deste Domingo

1. O Público publicou um comunicado do Bloco de Esquerda em defesa do pós-moderno Boaventura.

2. Sócrates quer investir em energias renováveis. Nada de novo. Ao PS nunca faltou a imaginação para inventar novas utilizações para o dinheiro dos contribuintes. Também quer apostar nas cidades. E no ambiente. E na água. E na defesa do consumidor. E quer que as câmaras tenham dinheiro sem vender licenças de construção. E, claro, continua a prometer as SCUTS á borla para os utilizadores mas pagas pelos outros. A consolidação orçamental continua dentro de momentos.

3. A gripe continua e ganha o cinema em casa. À custa do roupão e das pantufas já seguiram "Anatomia de um Crime", "O Pecado Mora ao Lado", "O Inadaptado", "Europa", "Chinatown", "Training Day", "Malèna", "Last Picture Show", "Rio Bravo"... e o "Goodfellas" está no intervalo.

4. Tá tão linda a classificação...



sábado, janeiro 08, 2005

  Noite Verdibranca

Estava fria a noite, em Alvalade.
Esteve a 8 pontos do Benfica.
Estava com o Liedson em férias extra.
Estava eu cheio de gripe.

A noite aqueceu.
Os menos oito viraram mais três.
O Liedson resolveu.
A gripe ficou.


sexta-feira, janeiro 07, 2005

  PSD vs FCP vs PS

Ainda não há link, mas acabo de ouvir Pôncio Monteiro declarar na RTP que ele próprio, Pinto da Costa e mais alguns constituíram em movimento cívico para concorrer contra Rui Rio à Câmara do Porto. Como resposta, espera-se que o PSD e PS participem na próxima Liga de Futebol.

quinta-feira, janeiro 06, 2005

  Eles Não Constituicionalizaram!

Meus caros bloguéres:

Em Portugal há condomínios onde não podem habitar crianças e em que os herdeiros que não respeitarem as condições do contrato de condomínio são obrigados a vender as suas fracções. Os compradores de fracções nestes condomínios privados sabem com o que contam, sabem que os seus direitos estão limitados e mesmo assim pagam um preço elevado pela qualidade. Ainda não vi ninguém queixar-se de discriminação por não ter acesso aos apartamentos. São os condomínios privados para a terceira idade. Um exemplo, aqui, entre muitos.

quarta-feira, janeiro 05, 2005

  Um Grande, Grande Amor


Hipos in Love, Lisboa, 1999

  Me Too!!!

Ora bem, andou meio mundo a dar prémios a isto e aquilo e até fica mal o jaquinzinhos não fazer os seus tops e podiuns e afins. Seguem-se os tops do jaquinzinhos para os melhores discos, filmes e repastos de 2004

1. Melhores Discos de 2004

Não sei. Não faço a menor ideia. Há 20 anos sabia de cor o nome da 7º faixa do antepenúltimo disco de uma catrefada de músicos e grupos. Há 10 anos já só sabia as músicas que passam na rádio. Agora já são os meus filhos que escolhem a música que se ouve no carro. "Escolhem" até é uma palavra meiga. A certa seria "Impõem". E dessas, a que mais embirro é com um hit que para aí anda de um grupo romeno. Para cúmulo, a minha filha escolheu-a para o toque do telemóvel.

2. Melhores Filmes

Aqui ainda vou. O filma que mais gostei de ver em 2004 foi Lost in Translation. Menções Honrosas: Mystic River. Eternal Sunshine of the Spotless Mind. The Station Agent. Para ver com a família: Les Coristes. Tempo muito mal gasto: Monster.

3. Melhores Comezáinas

Medalha de Ouro para um almoço no dia de Carnaval em Valhelhas, no restaurante Vallécula. Schlept!

Medalha de Prata para o jantar de fim de ano em casa de amigos. Leitão recheado regado a Cartuxa.

Medalha de Bronze para uns rojões do melhor que apanhei numa escolha aleatória num restaurante em Famalicão, o Tanoeiro.

Fico por aqui. Três 'tops' já são suficientes para me sentir na moda. Para o ano há mais.

  Também tu, Pôncio?

Com as diatribes de Marcelo ou o esconde-esconde de Cavaco, ainda Santana aguentava. Sem o Pôncio é que não.

O PSD já tinha perdido esse enorme vulto da cultura política social-democrata, o pensador Henrique Chaves, uma dos pilares da construção teórica da política social-popular democrática. Agora saltou da carruagem mais um esteio da fundamentação filosófica do centro político.

Pôncio é um político de fino recorte, linguagem apurada e inteligência superior. Um verdadeiro estratega do jogo do poder. Imbatível nos debates, Pôncio ataca sempre os seus adversários com elegância, descobrindo-lhes espantosas faltas onde mais ninguém as consegue ver. À defesa ninguém o ultrapassa. Pôncio transforma sempre uma rasteira a um adversário num acto limpo de combate ético.

Utilizando argumentação de altíssimo nível, Pôncio é quase sempre incompreendido pelo cidadão comum, incapaz de ver o que só é possível de ser interpretado por uma mente tão tortuosamente brilhante. Pôncio sabe sempre o que dizer. Nunca está fora-de-jogo. Para Pôncio, as quedas dos adversários são sempre vistas como frutos do acaso, imponderáveis do jogo sem consequências importantes. As quedas dos seus correligionários são sempre passíveis de intervenção dos órgãos competentes e, bastas vezes, Pôncio manifestou a sua indignação com a não actuação dos juízes.

Pôncio foi um dos grandes praticantes da análise da verdade como conceito relativo e derivado de uma realidade transcendente cuja compreensão só está ao alcance de alguns filósofos. Na escola de pensamento de Pôncio notabilizam-se o escritor e cronista Sousa Tavares, o político Pinto da Costa e o seu ajudante Nuno Cardoso e ainda o celebérrimo Reinaldo Teles e suas proeminentes discípulas.

Santana gostava muito de Pôncio. Compreendiam-se bem. É uma perda irreparável. Sem Pôncio o campeonato parece perdido.

terça-feira, janeiro 04, 2005

  A Desertificação de Lisboa.

Em Madrid, os edifícios da Plaza Mayor são para habitação. Por lá moram famílias, principalmente jovens, quer em casas próprias quer em casas arrendadas. Debaixo da histórica Plaza há um enorme parque de estacionamento que serve os turistas, os trabalhadores do centro da cidade e principalmente os residentes. A Plaza agradece. O parque permitiu a valorização das habitações centenárias, a procura acrescida permite a conservação permanente dos edifícios históricos e a população residente na zona nobre, com poder de compra acrescido, torna a zona viva, de dia e de noite.

Em Barcelona, a Plaça de Catalunya é uma zona central e residencial. Debaixo da praça histórica há cerca de 3.000 lugares de estacionamento. Grande parte da multidão que circula na famosa Rambla utiliza esses lugares. Só num dos muitos parques existentes no subsolo há mais oferta do que em toda a baixa de Lisboa!

Sugiro que se espreite para este mapa do centro de Barcelona, uma das cidades onde melhor se circula a pé, onde melhor se circula de automóvel e onde as zonas pedonais e exclusivas a peões ocupam mais espaço no centro. Espantoso, não é? Não, não é. Barcelona também é o que é por ter sabido resolver o problema do estacionamento. Com muita oferta, muita fiscalização e preços de mercado.

Em Lisboa é assim. Ou assim. O IPPAR acaba de confirmar a sentença de morte lenta a toda a zona do Príncipe Real e da Praça das Flores, sentença essa já emitida em primeira instância pela famigerada regulamentação do arrendamento urbano. E o que eu gostava era mesmo de saber a opinião destes críticos e defensores da cidade sobre a conservação e fruição dos centros históricos de Madrid e Barcelona...

Confesso que por vezes me espanto com a ignorância de certos doutores.

  Os Metralhas Também Nunca Estiveram ao Lado do Coronel Cintra

Pôncio não quer fazer campanha ao lado de Rui Rio.

segunda-feira, janeiro 03, 2005

  Os Impostos Vão Aumentar em 2005

Hoje foi dia de diz e desdiz, como quase todos os últimos dias dos últimos meses do finado ano. Primeiro disse-se que com o PS no poder o IVA iria aumentar para 20%. Meio mundo botou discurso sobre o tema, uns que sim outros que não, e depois de muito comentado o PS desmentiu. Logo veio de lá o PSD, que desmentiu o desmentido do PS e até afirmou que com com o PS os impostos sobem mas com o PSD os impostos vão baixar.

Mentem ambos. Em 2005 os impostos vão subir. Não depende do partido do governo.

Nas campanhas, os partidos têm por hábito 'explicar' que se combate um défice enorme baixando impostos. Aumentando alegremente as reformas e os salários dos funcionários públicos. Praticando a solidariedade pública com uma aposta firme em novas e variadas despesas de índole 'social'. Construindo novos hospitais para inaugurar no ano das próximas eleições. Contratando mais polícias. Investindo em infraestruturas babilónicas e megalómanas. Organizando Expos, Euros e Capitais da Cultura para alegrar o povão.

Eles contam-nos esta história e, espantosamente, há por aí muito boa gente que acredita na patranha.

É mentira. Em Portugal os impostos vão mesmo subir. Em 2005, quase de certeza, e em 2006, inevitavelmente. O que não subirem hoje, subirão amanhã, com o crescimento anual da dívida pública ao ritmo da acumulação dos défices.

Vão começar pelo tabaco, argumentando que nos estão a proteger a saúde. Depois serão as bebidas alcóolicas, para defender a sobriedade dos portugas e diminuir os custos de tratamento das cirroses. Logo se seguirá um imposto ecológico sobre energia e combustíveis. E, Deus nos livre, se o Bloco tiver poder de obrigar o governo a satisfazer os seus caprichos, teremos uns impostos palermas que em nome da justiça social servirão para afugentar o capital de Portugal e provocar ainda maiores aumentos de impostos a prazo. E também virá o IVA. Alguns produtos vão mudar de categoria, passando de 5% para o 12% ou de 12% para 19%. Produtos com peso no cartaz de compras. As bebidas alcoólicas, por exemplo. O vinho e a cerveja. Ao mesmo tempo vão baixar um ou dois produtos pouco significativos de cima para baixo, para justificar a coisa como uma arrumação e não como um aumento de impostos. E quando já não souberem o que fazer, é o 19% que vai para 20% ou o 5% que vai para 6%. A culpa será da herança do anterior governo.

Infelizmente, não haverá alternativa. E não há alternativa porque a alternativa é insuportável para os partidos.

O que é obrigatório em Portugal é acabar com 200.000 postos de trabalho no estado e suportar a lenta e penosa absorção desta multidão pelo sector privado. Desfazer ou encolher para as suas competências fundamentais as centenas de IFADAPs/INGAs/IAPMEIs/ICEPs/ANACONs que por aí pululam, consumindo ingloriamente fatias crescentes da riqueza criada nas empresas. Privatizar os serviços que sobrevivem incompetentemente à sombra do contribuinte. Diminuir significativamente as transferências para as autarquias, obrigando-as também a racionalizar os seus quadros de pessoal e as suas despesas eleitoralistas. Aumentar as horas lectivas dos professores do ensino secundário e das universidades públicas. Encerrar e concentrar escolas. Tudo coisas que terão um imediato e colorido 'bota-abaixo' dos sindicatos, dos grupos de pressão e mais meio mundo com a total colaboração da nossa inconsciente comunicação social que fará muitos directos das manifestações de indignação dos grupos afectados.

Se algum partido tiver a veleidade de fazer uns míseros 5% do que é obrigatório, terá desde logo garantido uma derrota das grandes nas eleições seguintes...

A conclusão é só uma: se nada do que é essencial vai ser feito, os impostos vão mesmo aumentar. Quem não o afirmar explicitamente nesta campanha eleitoral estará a mentir. Hoje mentiram-nos Manuel Pinho e Miguel Frasquilho. Amanhã vamos ouvir as mentiras de Sócrates e Santana. Vêm aí o tempo das promessas. É assim a política em Portugal.

  PMMIB MOAJ 2004

Nada melhor para começar o ano do que a atribuição do futuramente celebérrimo PMMIB MOAJ(*) para 2004.

Nesta segunda edição, os Blasfemos levam a taça. Bem merecida. E para o ano há mais, se houver.

(*) Prémio do Melhor e Mais Interessante Blogue na Modesta Opinião do Autor do Jaquinzinhos.

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