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segunda-feira, fevereiro 28, 2005

  O Grande Jogo

É esta noite, o grande jogo da jornada. Espero ver bom futebol e adeptos bem-comportados. E também espero que o frio não estrague o espectáculo, que a arbitragem não influencie o resultado e, claro, que o Sporting ganhe. E no outro jogo, que empatem.

  Clint

Em 1977, Taxi Driver perdeu para Rocky. Um tal John G. Avildsen recebeu o troféu para o melhor realizador. Foi o ano em que o boxe ganhou.

Em 1981 os prémios foram para Ordinary People e Robert Redford. Raging Bull perdeu. Foi o ano em que o boxe perdeu.

Em 1990, a academia preferiu Kevin Costner e Dances With Wolves ao melhor Scorsese, Goodfellas. Foi o ano em que não houve boxe.

Esperava-se que a injustiça fosse desfeita com outra injustiça. Não foi. Este foi o ano em que o amor ganhou.

  Obrigação Livre

Por ordem espontânea, a blogosfera livre reorganiza-se. Depois da 'Mão Invisível', nasceu 'O Insurgente'.

O elenco é absolutamente de luxo.

  Pernas Geladas

Está um frio de rachar. Alguém sabe se ainda se vendem ceroulas em Lisboa?

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

  PIB cresceu 3.7% no 4º Trimestre de 2004

Nos EUA. Capitalistas.

  Razões do Nosso Atraso

INAC proíbe Air Luxor de iniciar voos entre Lisboa e Ponta Delgada.

  Never Say Never Again

«Ainda vão parar todos ao PSD...» - disse o blóguer anónimo ao ilustre dirigente da Nova Democracia.
«Nunca!» - respondeu o ilustre dirigente da Nova Democracia ao blóguer anónimo.

Para mais tarde recordar.

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

  Roterdão

Não sei porque é que me lembrei disto.


Kinderdjik Windmill, Perto de Roterdão, Holanda

  Gasolina Perigosa, Tomates Feios

O socialista António Saleiro, presidente da Associação dos Gasolineiros, não quer concorrência dos supermercados que podem estragar-lhe as margens de lucro. Por isso, exige proteccionismo, em nome da segurança dos consumidores.

Na Florida, os produtores de tomates não querem a concorrência de outros tomates mais saborosos que podem estragar-lhes as vendas. Por isso, proíbem-nos, e desculpam-se com a estética do tomate. (via Mises)

As hipocrisias justificam-se. A concorrência é boa mas é para os outros.

  A Boa Moeda

Esperança na Laranja.

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

  Fausto Três

Esta manhã no seu «Economia Dia a Dia», na TSF, Perez Metello advogava uma vez mais a alteração do PEC para permitir ao novo governo aplicar o prometido Plano Tecnológico sem ser penalizado pela ultrapassagem do limite dos 3% de défice público.

A mesma alteração já foi defendida por outros líderes da nova maioria e é por vezes apresentado como a grande concepção regeneradora, que nos possibilitará voltar ao ritmo do crescimento sem desmoronar as periclitantes contas públicas.

Como é óbvio, esta medida é um embuste. O que o novo-futuro governo está desde já a mendigar é uma autorização para aldrabar as contas. O que nos estão a pedir é para gastar mais uns milhões dos contribuintes num choque tecnológico, fazendo de conta que não aconteceu nada, escondendo debaixo do tapete uma parcela dos gastos.

E se o procedimento é indesejável e pouco recomendável porque as contas públicas exigem verdade e transparência, o presságio que anuncia é bem pior. Demonstra-nos que o novo poder ainda não entendeu a gravidade que representa o absurdo excesso dos gastos públicos, insustentável para a dimensão da nossa economia e principal inibidor do crescimento económico.

O problema não é nem nunca foram os limites do PEC. Esses estão lá e estão lá muito bem e até servem para proteger os cidadãos dos excessos dos governos. Só pecam por serem demasiado largos, como os últimos anos tão bem demonstraram.

Os 3% estabelecidos pelos estados da EU eram um limite para os anos maus, para suportar um pico de crise e nunca o objectivo de longo prazo que Sócrates já sugeriu implicitamente. O único défice sustentável é, evidentemente, 0%. E porque em Portugal o endividamento público já ultrapassou um outro limite imposto pelo PEC, até é necessário ter superavits para reduzir o fardo que deixamos aos nossos filhos.

Ao pedir que se alarguem os limites do PEC, o sinal que se está a passar para a economia é tenebroso. Quer dizer que o novo governo não está a pensar atacar a despesa pública, a única medida eticamente aceitável para os contribuintes e para as gerações vindouras. Sugere-se aos agentes económicos que, mais uma vez, vamos ter um governo a pensar no curto prazo e nas próximas eleições.

E se de políticos de vistas curtas não se pode esperar muito, já para um economista como Perez Metello este tipo de discurso só pode ser feito com objectivos tácitos. Perez Metello está a vender a alma ao diabo. Nada de novo. É uma reprise de um filme que já passou em 1996, com o mesmo actor principal. Em 1996, ganhou ele. Agora talvez ganhe outra vez. Quem perde é a sua credibilidade.

  Nortista Populista Anti-Liberal

Luís Filipe Meneses quer um partido de centro-esquerda e social-democrata. Não há por aí ninguém que lhe mande uma ficha de adesão ao Partido Socialista?

  Notas Soltas Metabloguísticas

1. Ainda não acrescentei 'O Sinédrio' à lista de links. Falha grave. Parafraseando um blóguer famoso, o espaço da direita está a precisar de uma reorganização.

2. Este post de Rui A. no Blasfémias é absolutamente recomendável.

3. Este post da Joana no Semiramis também.

4. Estes marretas estão de parabéns. 9 deputados não é para qualquer um...

5. Este blogue promete. A seguir.


terça-feira, fevereiro 22, 2005

  Worst Case Cenário

Escrito a 8 de Fevereiro:

«No PSD, o início da renovação está agendado para a noite de 20 de Fevereiro. A acreditar nas sondagens recentes, não faltarão os voluntários para pendurar um cartaz na Rua de São Caetano à Lapa anunciando 'Líder, Precisa-se'. Imagina-se já uma hipotética confrontação pós-eleitoral entre candidatos como Luís Filipe Meneses ou Marques Mendes e aguarda-se com a máxima curiosidade o posicionamento de gente tão carismática e de profundo conteúdo político como Raúl dos Santos, João Jardim, Mendes Bota, o filho de Valentim Loureiro ou o pai do João.»
Moeda boa precisa-se, com a máxima urgência.

  O Drama do Escorpião

Meneses disparou com o nome de António Mexia para a Câmara Municipal de Lisboa. Ignorou Carmona Rodrigues, provavelmente o melhor presidente que Lisboa já teve em muitos anos. Quem será a próxima vítima? António Capucho?

  Esperança na Laranja

Santana abandona presidência do PSD

Terror na Laranja

Luís Filipe Meneses posiciona-se como candidato à sucessão.

  O Debate, o Investimento e os Têxteis do Vale do Ave

Ontem houve contenda na RTP1. Os Prós e Contras, no pavilhão de Portugal. Notável local para se tagarelar sobre Investimento público. Simbólico q.b. Podiam ter elegido o estádio de Faro-Loulé que também custou milhões e está às moscas.

A conversa esteve bastante animada. Foi preciso chegar ao dia a seguir às eleições para se discutir o que é realmente importante.

O momento da noite foi uma lição de economia com os lugares trocados: a iletrada tentou ensinar o doutor. Foi aclamada. Arrepiante, como já alguém disse. O povo aplaude a ignorância e rejeita a realidade.

É urgente que se comece a ensinar o a-b-c da economia nos cursos de Sociologia. A julgar pelas atoardas que se ouvem de cada vez que um sociólogo bota discurso, as coisas estão mesmo negras. Alguém devia explicar a André Freire que as fábricas têxteis portuguesas não são competitivas porque já somos demasiado ricos. Se os portugueses ainda ganhassem a mesma jorna que os chineses, as empresas têxteis não se iam embora. A Holanda também perdeu todo o mercado da construção e reparação naval para a Coreia do Sul, quando os holandeses deixaram de ser competitivos, porque eram ricos demais, o que não foi só excelente para os holandeses como também para os coreanos.

E é bom que na China façam as coisas baratinhas. Todos ganhamos por ter acesso a têxteis mais baratos, consumindo uma menor fatia dos nossos escassos recursos para adquiri-los. Mas há alguns que perdem. Os trabalhadores das têxteis. E para estes, o que é preciso é facilitar novos investimentos que substituam aqueles que deixaram de ser competitivos. E isso faz-se simplificando a vida de quem quer investir. Baixando impostos, diminuindo a burocracia, simplificando as leis do trabalho. Exactamente o contrário do que se subentende da conversa do porta-voz do partido do governo. Mau sinal.

A alternativa é não ter hoje têxteis e ter desemprego. Mas não se preocupem. A continuar por estes caminhos sugeridos por Miguel Portas, André Freire e Odete Santos, em breve seremos outra vez competitivos no sector têxtil. Pelas más razões, evidentemente.

  Pacheco Desmente Apoio a Marques Mendes

E faz muito bem. Dentro do PSD há muito mais por onde escolher. Há muitos eleitores que gostariam de se rever, ainda que marginalmente, num partido. E apesar de tudo, no PSD ou à sua volta, ainda há quem saiba qual é o rumo que viabiliza Portugal.

No PS, aparentemente, não há. Ou então estão todos a mentir.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

  Um Triplo Dahhhhhh!

No Prós e Contras, Sérgio Figueiredo teve que ouvir uma 'lição' de economia keynesiana completamente absurda por parte de Odete Santos, que apesar de não saber do que fala, foi aplaudida pelo auditório. Miguel Portas quer que o estado gaste o que não tem e afirma que controle de despesa significa desemprego. E o porta-voz do PS explica que ter só 3% de défice é neo-liberal... Pobre Sérgio!

  Madrid


Plaza Mayor, Abril de 2001

  Outra Vez, Para Que Fique Bem Claro

Em 2005 os impostos vão aumentar. A dívida pública também.
Depois não digam que foi surpresa.

  Signos

Acabo de descobrir que Sócrates faz anos no mesmo dia da minha falecida cadela. A bichinha era dócil, inteligente e de bom carácter. É nestas alturas que gostava de acreditar na astrologia.

  The Day After

1. Hoje saí de casa com chuva. O PS já está a fazer milagres pela agricultura.

2. Almeida Santos consegue realizar o seu slogan de campanha, 20 anos depois. O PS tem um governo, uma maioria e um presidente.

3. Não, não valia a pena terem concorrido juntos. O meu fornecedor oficioso de informação estatística informa-me que se PP e PSD têm concorrido juntos, os votos somados de ambos apenas roubariam 5 deputados ao PS. A saber, em Aveiro, Castelo Branco, Faro, Vila Real e Madeira. A maioria continuaria absoluta.

4. Perez Metelo também quer mudar o pacto de estabilidade, para permitir maiores gastos sem ultrapassar os limites definidos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento. A teoria é simples: se as contas não dão certo, muda-se a matemática. Preocupante. É aqui que reside o maior desafio do novo governo. É OBRIGATÓRIO diminuir o peso da máquina do estado. Se Sócrates ignorar esta obrigação cívica para com os contribuintes portugueses, cozerá em lume brando. Daqui a 6 meses já só se fala em défices, dívida e receitas extraodinárias. Cairá, mais tarde ou mais cedo.

5. Em 2005 os impostos vão aumentar.

6. O discurso de Santana foi pífio. Se o PSD quer ter futuro, Santana tem que se ir embora. E não são Marques Mendes ou Filipe Meneses que fazem falta ao PSD. Infelizmente, os medíocres são os mais prováveis vencedores do partido. A estrutura não vai deixar que as coisas mudem.

7. O de Sócrates não foi melhor. Fez o discurso do 'toma lá que já levaste' e em vez de falar para Portugal, continuou a campanha pela noite fora. A primeira medida que promete nada tem a ver com as exigências do estado. Quer mandar jovens para as empresas. As empresas vão deixar de contratar estagiários. Se o estado paga, mais vale esperar, aproveitar a onda e tentar receber alguns de borla.

8. Nas TVs, ganhou a SIC. A TVI foi por vezes risível. O casal meteu água por todos os lados. Nobre Guedes estava de costas para a Manuela e quase que ficou com um torcicolo de tanto olhar para trás.

9. Maioria absoluta. Não há desculpas. Aproveitem bem a oportunidade.

domingo, fevereiro 20, 2005

  Lopes

Vai tentar sobreviver. Mau sinal para o PSD.

  Portas

Fechadas.

  Na TVI é Só Rir

As caretas da Manuela são o apanhado da noite. Agora vou jantar.

  Novidades no PSD

Isaltino já apareceu duas vezes sem charuto.

  Bem Pensado

Quartel-General de Santana é no Hotel D.Pedro. Bem junto às obras do Túnel do Marquês.

  Aliança Democrática

Pacheco empresta blogue a Lobo Xavier.

  Renovação

Festa no PS. Maria de Belém, Ferro Rodrigues e Jorge Coelho já botaram discurso.

Update: O desfile continua: António Costa e Manuel Alegre.

  Ana Drago

A Menina Guerreira disse adeus ao Menino Guerreiro.

  Má disposição ou Oposição?

Questão para os próximos tempos. Que PSD vamos ter?

O do Isaltino, do Raul dos Santos, Filipe Meneses, João Jardim, Valentim Loureiro e quejandos, ou o de Rui Rio, António Borges, António Mexia, Dias Loureiro, Pacheco Pereira...

  Pacheco Wireless

Onscreen e Online! O Abrupto não para!

  The Flying Circus

8 a 9 deputados do Bloco. Isto agora é que vai ser uma animação... Com tantos anacletos parlamentares já há uma certeza: assunto não vai faltar aqui neste vosso blogue.

  Eleições

Eles fazem que disfarçam, mas já toda a gente percebeu que o PS teve maioria absoluta. Pacheco não perdoa. E nem SIC nem RTP, a melhor cobertura está a ser a do Blasfémias. E o melhor post da noite, é este.
"Aos eleitores do Bloco que acabam de acordar: As urnas já fecharam. Agora só nos Açores."
Vamos lá ver a festa. A ressaca vem depois.

  Domingo de Votos - A Irreflexão Final

1. O Sábado de reflexão não foi suficiente. Fartei-me de reflectir. Sobre o melhor clube, sobre as melhores estratégias de desenvolvimento e sobre a melhor forma de me fazer às curvas para tentar derrotar os fortes pilotos que ameaçam a minha hegemonia. Hoje é um dia de voto e só vou decidir com o papelinho à frente. Em alternativa, peço à cara metade que escolha. Dou-lhe o meu voto, como prenda antecipada de um aniversário que se aproxima.

2. Parece-me que alguém gostou ainda mais do que eu.

3. Em dia de eleições, a RTP-1 esteve quase meia hora em directo atrás de um senhor de um partido. Não eram os únicos. Maria José Ritta também andava por lá.

sábado, fevereiro 19, 2005

  Mo Cuishle

Ele podia estar em casa, de pantufas e roupão de seda, rodeado de criados e afundado em todos os confortos. Podia simplesmente aproveitar os seus dias a tirar partido dos muitos "million dollars" que amealhou. Ainda bem que não está. Longa vida, Avô Clint.

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

  Ajudem-me!

A hora aproxima-se e não consigo decidir. A opção é muito complicada. Já sei o que não quero, mas não sei o que quero. Uma decisão já está tomada: não vou ficar sentado em casa em frente á TV, à espera do que aconteça. Também não vou desperdiçar a minha opção numa escolha menor. Quero mesmo escolher e só tenho duas hipóteses. Esta ou esta. Que me sugerem?

  Dois Anos de Liberdade

Dois anos em defesa do mais sublime valor, sem intermitências. Muitos parabéns, Miguel.

  Perder a Voz

1. O líder do PCP perdeu a voz. Uma metáfora involuntária do que é o PCP.
2. E os blogues também não podem falar das eleições, amanhã?

  Dois Dias

A dois dias das eleições e ainda não sei em quem vou votar. (Mas não estou assim tão indeciso. Sei perfeitamente em quem não voto).

  Escritos Antigos

13/Jan/2002, após a fuga de Guterres e a 2 meses das eleições que levaram Durão Barroso ao poder.

"O nosso maior (enorme!) problema a médio longo prazo chama-se despesa pública. Como fazer cortes substanciais nesta despesa quando todos aqueles cuja vida depende do orçamento de estado lutarão sempre, com maior ou menor justiça, por um aumento do seu quinhão?

Qualquer médico ou enfermeiro dirá que o estado devia investir mais na saúde. Qualquer professor ou estudante grita por mais recursos para a educação. Os sindicatos da função pública querem aumentos de 6% e melhores carreiras com mais promoções. Os reformados e pensionistas querem melhores reformas e pensões. Os magistrados exigem mais investimentos na justiça. Os polícias querem mais subsídios, melhores salários e os seus comandantes querem aumentar o perfil académico das corporações. Os militares querem submarinos e aviões, melhores salários e regalias. A Frente Unida para a Cultura quer triplicar as despesas na cultura. As autarquias exigem aumentos de fundos e criam fontes de despesa rígida sem parar. Agora são as Polícias Municipais. O RMG já vai em mais de 410.000 beneficiários e não para de crescer (num país onde se tem vivido quase em pleno emprego).

E há mais. O nosso futuro exige que o governo invista fortemente em infra-estruturas. No cenário actual, Portugal já foi o país da Europa de menor crescimento wm 2001. Somos os mais pobres e cada vez estamos mais atrás.

No futuro próximo (a partir de Abril...) podem acontecer duas coisas, independentemente de quem ganhe as eleições:

Podemos continuar como até aqui, aumentando todos os anos o quinhão de estado e correndo mais tarde ou mais cedo o risco de estouro. Ou podemos cortar forte na despesa pública. Teremos guerras e guerrinhas, corporações em peso em protesto, clima de guerrilha institucional e um governo de curta duração. Cortar forte na despesa pública só pode significar um explosivo cocktail que incluirá na sua receita coisas como programas de redução de funcionários públicos, encerramento de dezenas de institutos e comissões, concessões de serviços até aqui públicos, menos dinheiro para a saúde, educação e cultura (encerramento de escolas, diminuição de subsídios), cortes importantes em subsídios e na segurança social, privatizações da RTP, TAP, ANA, etc. Mas... só assim poderemos esperar taxas de crescimento futuras que nos aproximem da UE. Quem terá coragem? Estas coisas não são fáceis de conseguir em democracia.

Podemos também tentar o meio termo. Andar sem grande sobressaltos, com algum mau estar em alguns sectores, com taxas de crescimento baixas e com necessidades evidentes de aumento regular de impostos, vivendo do turismo e de pouco mais. Ferro Rodrigues dizia numa entrevista recente que o aumento de gastos sociais era indispensável para nos aproximarmos de modelos sociais mais desenvolvidos do tipo do norte da Europa. É justamente esse o nosso problema. Temos um governo com gostos escandinavos e um povo com uma realidade latina. Chama-se a isto pôr o carro à frente dos bois. Mas que dá votos, lá isso dá!"

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

  Desemprego

Escreveu o Blasfemo João Miranda:

«A discussão é inútil porque as verdadeiras causas do desemprego são: os ciclos económicos, o peso do estado na economia, a criação de empregos fictícios pelo estado, o subsídio de desemprego, o salário mínimo e os direitos dos trabalhadores. O peso do estado na economia impede a formação de empresas competitivas, a criação de empregos fictícios pelo estado cria problemas estruturais na economia, o subsídio de desemprego desincentiva a procura activa de emprego, o salário mínimo e os direitos dos trabalhadores tornam o mercado laboral rígido e desincentivam as contratações.»
E mais. A carga fiscal sobre as empresas, que não só reduz as disponibilidades para o investimento como aumenta significativamente o custo do trabalho, diminuindo a sua procura. O excesso de regulação que inibe, atrasa e muitas vezes mata os novos projectos. Os sindicatos que impedem a flexibilidade laboral intra-empresas, condenando-as muitas vezes ao encerramento. A perseguição permanente à livre iniciativa, quer pelo execesso de burocracia quer pela sanha fiscal, que elimina potenciais novos empresários deslocando-os do lado da oferta para o lado da procura no mercado de trabalho. O estado mau pagador, que destrói as tesourarias das empresas com quem faz negócio. Estas são as verdadeiras causas de desemprego e podemos ter a certeza que não vão ser combatidas pelos milagreiros de serviço.

  Nasceu.



  A Cultura Subsidio-Dependente Pimbó-Chic

Lido no Público...

"Sócrates chegou ao Chiado vindo de um almoço na cervejaria Trindade, uma das praxes das campanhas eleitorais do PS. Os convidados eram personalidades da cultura, com uma estrela internacional a abrilhantar o acto, o francês Jack Lang, ex-ministro da Cultura.

A iniciativa, percebeu-se no final, acabou por se tornar num acto (mais um) de lançamento da candidatura de Manuel Maria Carrilho à Câmara Municipal de Lisboa. Primeiro falou a actriz Rita Blanco - que na verdade protagonizou mais um momento de "stand up comedy" do que propriamente de discurso político, com frase do género "primeiro deixem-me baixar as calças". Quanto à sua presença e à decisão de falar, explicou-a de forma simples dizendo que "a questão não é o PS, a questão é mandar embora aquele comediante rasca" -e toda a gente percebeu que se referia, evidentemente, a Santana Lopes.

Daqui partiu para o apelo ao primeiro ministro da cultura de Guterres. "Queria que voltasse o senhor Carrilho [para] fazer qualquer coisinha por nós. E já que não quer voltar ao país ao menos que volte a Lisboa." Ouviram-se tímidas palmas na sala. A seguir, Carrilho voltaria a ser levado aos píncaros. Jack Lang tomou da palavra e considerou-o "um dos melhores, senão mesmo o melhor ministro da Cultura da Europa" (sic!)."


  A Última Luz


Sierra Nevada, Abril de 2004

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

  Vamos Lá Outra Vez

«Às empresas que, até 31 de Dezembro de 1993, procedam a actos de cooperação ou de concentração pode ser concedida isenção de sisa relativa à transmissão de imóveis necessários à concentração ou à cooperação, bem como dos emolumentos e de outros encargos legais que se mostrem devidos pela prática daqueles actos.»
DL 404/90, Artº 1º.

É impressionante como tanta gente engole como boas as sistemáticas acusações, quase sempre disparatadas e infundamentadas, do Doutor Francisco Anacleto Louçã. Ontem, assistimos a mais um número de ilusionismo. Ora vamos lá outra vez.

1. O DL 404/90 é um decreto generalista que se aplica a todos os grupos económicos e transcreve para a legislação o que é óbvio: quando se tira do bolso esquerdo para por no bolso direito, não se deve pagar imposto.

2. O DL 404/90, inicialmente previsto para durar apenas por dois anos, ainda se mantém em vigor. O prazo foi alterado e prolongado pelo DL 143/94 e por outros que não sei o número. Felizmente. Durante toda a década de 1990, foi com base neste DL que se fizeram inúmeras operações de concentração e reorganização de empresas que permitiram o fortalecimento de alguns grupos económicos nacionais. O DL 404/90 permitiu também a absorção por grandes grupos de empresas em dificuldades que, de outra maneira, teriam fechado portas.

3. Todas as empresas podem requerer a isenção de sisa (agora IMT) ao abrigo do DL 404/90, no âmbito de operações de concentração ou de transferência de activos dentro do mesmo grupo económico.

4. Na quase totalidade dos casos, o indeferimento de um pedido de isenção ao abrigo do DL 404/90 teria como efeito a suspensão das operações de concentração. Pelo menos, nos casos em que estive profissionalmente envolvido, seria assim.

5. Acontece que um pedido de isenção ao abrigo do DL 404/90 não pode ser indeferido se todas as condições exigidas estiverem reunidas. "O direito ao benefício fiscal surge com a verificação histórica dos pressupostos objectivos ou subjectivos da respectiva previsão".

6. Ao contrário do que se tem dito em alguns meios de comunicação social e na blogosfera, não há qualquer isenção de impostos sobre criação de riqueza ou de mais-valias. A simples mudança de titularidade de activos dentro de um mesmo grupo económico não é, por si só, criadora de riqueza. Não faz qualquer sentido obrigar um banco ou qualquer outro grupo a pagar impostos apenas por mudar o nome da agência de Pacífico para Índico.

7. O problema português também passa por aqui. É absolutamente ridículo que ainda existam em Portugal este tipo de impostos, absolutamente anti-económicos e inibidores da criação de riqueza. O IMT só deveria incidir sobre a primeira transacção de cada imóvel, para pagar ao município as infra-estruturas públicas que o novo prédio vai partilhar. As segundas transacções deveriam ser obviamente isentas. Lucros eventualmente criados pela transacção serão taxados em sede de IRC.

8. É evidente que os grupos se reorganizam para obter mais lucros. Esperam criar riqueza no futuro. E se tiverem sucesso na reorganização serão tributados pelos lucros adicionais, mais uma vez, em sede de IRC. Tributar a reorganização de grupos económicos não é muito diferente de tributar o investimento.

9. O que nos vale é que Sócrates não sabia do que estava a falar, quando tentou cavalgar na acusação patêga de Louçã. É evidente que um qualquer governo socialista vai deferir todos os pedidos de isenção feitos ao abrigo do 404/90. Ou, melhor ainda, mudar a lei para tornar estas isenções automáticas. Ou, ouro sobre azul, acabar com o IMT no mercado secundário.

10. Quase todos os grupos portugueses já recorreram ao 404/90. Sonae, BCP, BPI, Santander, Mota e Companhia, Teixeira Duarte, é só escolher. Quase que aposto que não falha nenhum nos 100 Maiores.

Louçã queria cobrar 400 mil euros a um grupo por este mudar o nome dos balcões de Azul para Amarelo. Mas que brilhante demonstração da desgraça que seria para Portugal ter esta gente associada ao poder...

  CO2erências

A Quercus está a festejar a assinatura do protocolo de Quioto. A Quercus exige a redução das emissões de gases causadores de efeito de estufa e a sustituição gradual da produção de energias baseadas na queima de materias fósseis por energias renováveis. Depois da festa os jovens ambientalistas vão protestar contra a construção das barragens do Sabor e de Odelouca.

  Angústia para o Pequeno Almoço

Já mais a frio e depois de uma noite bem dormida, o que sobrou do debate de ontem é uma angústia para o pequeno almoço. A mediocridade revelada pelo nosso futuro primeiro-ministro assusta. Não tem nada para dizer e quando arrisca vem o disparate. Preocupante.

E eu, que até gosto de maiorias absolutas, até já nem sei se não será preferível um governo fraco que caia depressa e que não tenha tempo para fazer as asneiras prometidas...

terça-feira, fevereiro 15, 2005

  A Ignorância do Bicho

O Decreto Lei 404/90 permite a reorganização das empresas e a constituição de grupos empresariais, isentando de impostos estúpidos as concentrações empresariais, nomeadamente da sisa. Como é óbvio, as reorganizações de empresas não seriam feitas se a simples mudança de activos dentro de um grupo fosse tributada.

O que é ridiculo é que em Portugal a isenção de impostos numa operação que não gera riqueza tenha que ser feita por requerimento ao ministro. Há centenas de exemplos de aplicação do DL 404/90 e não conheço nenhum caso de indeferimento.

É claro que o Dr. Anacleto Louçã não sabe do que fala. Nada de novo, portanto. E ficou mal a Sócrates cavalgar na onda. Caíu da prancha.

  Imprevidência Cautelar

No Público, leio que o advogado Sá Fernandes, ainda não satisfeito com a confusão que armou, quer embarretar outra vez a Av. Joaquim António de Aguiar:

"O advogado José Sá Fernandes, responsável pela providência cautelar que levou à suspensão da construção do Túnel do Marquês, veio já considerar «intolerável, irresponsável e imoral» a decisão governamental, adiantando estar a ponderar interpor uma nova providência cautelar contra a construção da obra".
Ora eu até já soube de algumas conclusões de EIA que mandam enterrar troços de estradas, por causa de florinhas anémicas, bichinhos invisíveis, rastos de dinossauros pézudos ou por causa de um dos milhões de micro-ecossistemas sem os quais a humanidade pereceria com dores agudas. Do que não me recordo é de um único estudo em que as conclusões fossem rejeitar um túnel e fazer a coisa à superfície. Também não vi muitos e é capaz de haver.

Mas mesmo sem saber muito do assunto, de uma coisa tenho eu a certeza. Se alguém fizer um estudo de impacto ambiental a Sá Fernandes, as conclusões serão inequívocas: Sá Fernandes não deve andar à superfície. Os impactos ambientais de Sá Fernandes são terrivelmente prejudiciais á sociedade. Para termos um ambiente mais limpo, deviam enfiá-lo num túnel.

  Ministro de Portugal e dos Algarves

Anda alguém a pregar partidas aos colegas. Reparem como se chama o jornalista que assina este artigo. Rápido, antes que eles apagem.

  Os Combates do Google

PS vs PSD
Socrates vs Santana
Rui Rio vs Luis Filipe Menezes
Liedson vs Simão Sabrosa
Anacleto Louçã vs Batatoon
Alberto João Jardim vs Fernando Rosas
Luís Osório vs Luís Delgado
Liberais vs Estatistas
Fascismo vs Comunismo
Pinochet vs Fidel
Blogspot vs Weblog
Irmã Lúcia vs Manuela Moura Guedes
Ana Gomes vs Ágata

Sporting vs Benfica
Sporting vs Porto

Mais, aqui.

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

  Welcome


Inhambane City, Setembro de 1998

  blogspot.público.pt

Quatro Casamentos e um Funeral

O António afiançara à Maria que a vida seria um mar de rosas e cheia de prosperidade. O casamento foi feliz e despreocupado. O António era um gastador compulsivo mas a Maria não queria saber nada dessas coisas de dinheiro. "A família não são números", proclamava o António a quem lhe chamava a atenção para os excessos. O que interessava era a qualidade de vida, as grandes festas e as aparências.

Quando um dia, repentinamente, o António fugiu de casa deixando apenas as prestações das dívidas por pagar, a Maria entrou em desespero. Estava de tanga. Atemorizada, casou com o Zé Manel, depois de um curto namoro. Afinal, o Zé Manel parecia ser bem mais ajuízado que o António e talvez trouxesse alguma ordem às finanças lá da casa.

Os rapazes sentiram logo algumas diferenças. As semanadas foram congeladas, o Zé Manel não lhes dava dinheiro para o autocarro e o discurso mudara: "Temos que poupar, não podemos gastar o que não temos", dizia o Zé Manel. Mas aquilo era só da boca para fora. Os costumes da família estavam bem enraízados e, no essencial, tudo continuou como no tempo do António.

Apesar das dívidas cada vez maiores, não se cortava na cozinha, nem nas férias, nem nas contas da água, da luz ou do telefone. Nunca se dizia que não a um livro, a um disco ou a uma ida ao cinema. Não se mexia em direitos adquiridos. Por vezes o gerente da Caixa telefonava, inquietado com o saldo do cartão de crédito. E de vez em quando vendiam algumas jóias antigas para acalmar os credores.

Até que um dia o Zé Manel anunciou que se ia embora. Arranjara um emprego no estrangeiro, muito bem pago. E disse à Maria: "Não te preocupes, eu vou-me embora mas arranjei-te marido novo. Casas-te com o Pedro. Ele cuida de ti."

A Maria assim fez mas o enlace durou pouco. O Pedro era um bocado estouvado e tinha alguns amigos pouco recomendáveis. O pai da Maria não gostava dele nem um bocadinho e fez-lhe a vida negra. E um dia, o Pedro chegou a casa e descobriu que tinha a mala nas escadas.

Agora a Maria vai casar com o José. Foi o pai dela que arranjou o casamento. O José faz-lhe lembrar o António, de quem era muito amigo. O José propõe-se gerir as finanças familiares de outra maneira. Quando a Maria lhe pergunta como é que ele vai fazer ele explica: "É fácil, o objectivo é sermos felizes."

O José já prometeu que as semanadas das crianças vão ser aumentadas, porque é uma vergonha que os nossos filhos tenham menos dinheiro que os filhos dos outros. Vai comprar um computador lá para casa e ligá-lo à Internet, em banda larga. Vai haver telemóveis para todos. "É um choque tecnológico", explica ele. E promete à Maria, que continua a ser a única a trabalhar lá em casa, que não vai precisar de lhe dar nem mais um tostão. O José vai gerir a casa com o que tem. E daqui para a frente, quem paga o café e os cigarros é ele. Essa mania do consumidor-pagador já era.

Soa a banha da cobra mas a Maria quer marido e os bons pretendentes não aparecem. A família da Maria gosta do José. Parece que vem aí um tempo novo e os rapazes já estão fartos de más notícias. O José é recebido lá em casa de braços abertos.

As más surpresas vão começar a chegar lá para o fim da Primavera. E um dia, alguém vai reparar que o título desta história é "Quatro Casamentos e Um Funeral".

  Vai uma Sueca?

O POUS é uma das mais curiosas organizações que se apresenta a votos no próximo dia 20 de Fevereiro. O POUS é um partido tipo «mousse de chocolate». É caseiro. É o partido do casal de antigos deputados socialistas Aires Rodrigues e Carmelinda Pereira. Há casais que ocupam os tempos livres com cinema, outros que se dedicam à pesca e até o que há mais por aí são casais telenovela-futebol. O Aires e a Carmelinda são diferentes. Nas horas livres brincam aos partidos.

As acções de campanha do POUS são feitas com 2 senhoras, a Carmelinda e uma amiga, uma banca improvisada, uma bandeira e pouco mais. Quase ninguém lhes liga, excepto os jornalistas que são obrigados a mostrar compaixão pelos pequenos partidos. Ou porque os directores dos jornais não estão para aturar as queixas que eles fazem por ninguém lhes ligar pevide.

O símbolo do POUS é uma mão fechada, igual à do Partido Socialista mas em jeito de murro da mesa, e um enorme «4». A mão serve para roubar alguns votos ao Partido Socialista. Não é bem como no caso do MRPP, mas ainda sobram algumas migalhas. O «4» simboliza a quarta internacional, uma daquelas divisões típicas da esquerda, para quem gostar mais do campesinato do que de operariado era razão suficiente para levar cacetada com os paus das bandeiras.

Mas há outra explicação para o símbolo. A mão é a de Aires Rodrigues a esmurrar a mesa e a gritar: «Bolas, Carmelinda! Estou farto de jogar á bisca! Vamos jogar à sueca.» E a Carmelinda responde. «Ó Aires, ainda nos faltam dois militantes, são precisos «4» para a sueca.»

domingo, fevereiro 13, 2005

  Diz o Nu ao Roto

Título do Público: PCP Quer Saber Se "PS Aprendeu com a História"

  Lapsos Freudianos


«Por que será que os apoiantes do PS (jornalistas incluídos) acham que apresentar a fotografia de antigos governantes do PS e colocar a pergunta "Você quer mesmo que eles voltem?" é fazer campanha negativa?»
Fernando Gomes da Costa, por e-mail

  O Emérre Pêpê



O MRPP é quase sempre o maior entre os pequenos partidos. Fica sempre em sexto. O partido de Garcia Pereira vive dum equívoco. A foice e o martelo que aparecem nos boletins de voto servem para roubar votos a eleitores do PCP pouco esclarecidos. A prova é estatística. O Coeficiente de Correlação entre os votos obtidos pelo PCP e pelo MRPP distrito a distrito nas últimas legislativas é de 0,96.

Nada a estranhar. O discernimento não é propriamente a principal característica de quem quer votar no PCP. São pessoas que se enganam muito. Vão votar enganadas e enganam-se votando ainda mais ao engano do que o engano em que já estavam enganadas.

E levam uns votos a Garcia, sobre quem corre o boato de que, quando era jovem, uma vez sorriu.

sábado, fevereiro 12, 2005

  Flamingos no Seixal


Flamingos na Baía do Seixal, Março de 2002

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

  A Falta que Me Faz o Fosgluten

"...Tudo começou com a crise económica em que Ferreira Leite e Bagão Félix mergulharam o país."
Correia de Campos, Ministro Guterrista

  Um Quarto de Milhão

O Sitemeter ultrapassou Um Quarto de Milhão de Visitas (e 400.000 page views). Duzentos e Cinquenta Mil Obrigados.

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

  Flamingo


Flamingos Over Tavira, 2002

  Citação Blasfema


«Aqueles que acreditam que puniram o guterrismo nas eleições de 2002 estão equivocados. Em 2002 evitaram que os guterristas tivessem que enfrentar as consequências das suas políticas. Só lhes fizeram um favor.»
João Miranda, Blasfémias

  Extra! Extra!

Hoje, com o Público:

"O Quarto Mandamento", de Orson Welles.
"O Desmentido", de Cavaco Silva.

  Anda Quase Tudo Coligado

A UDP e o PSR vão coligados no partido dos Anacletos Bloco de Esquerda. O CDS e o PP coligaram-se no Partido do Paulo Portas. Como acontece sempre, o PCP disfarça-se, coligando-se aos Melancias Verdes na CDU. O PSD coligou-se com um fadista o Movimento Partido da Terra. Também o PS achou por bem aparecer coligado nestas eleições. A coligação de Sócrates é a favorita: PS-TVI.

Com coragem para concorrer sózinho, só o POUS. Um casal, meia dúzia de amigos, um computador e uma impressora de jacto de tinta. E assim se faz um partido.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

  A Voz da Experiência

N. é ucraniana e está em Portugal desde 2001. N. já trabalhou em lares de terceira idade, em casas particulares, em limpezas. Ontem, N. via na televisão uma manifestação do Partido Comunista, com um certo ar de estupefacção.

Quando a reportagem acabou, N. comentou, num português cada vez mais perfeito:

"Eles não são comunistas. Eles sabem lá o que é o comunismo. Se eles tivessem vivido no comunismo não estavam ali a gritar e a agitar as bandeiras. Eles não sabem nada."
Falou a voz da experiência.

terça-feira, fevereiro 08, 2005

  blogspot.público.pt

Hoje, no meu jornal.

Dissonância Cognitiva

O Partido Socialista anuncia-nos um tempo novo. "Mudar" é a palavra central da estratégia de marketing de José Sócrates. E, porque qualquer metamorfose bem delineada pressupõe novos executantes, podemos perguntar quem são essas faces da mudança que acompanham o líder socialista neste nobre desígnio de coisa nova. A resposta, cristalina, lê-se na lista de candidatos do PS ao futuro parlamento. As novidades dão pelos nomes de João Cravinho, Maria de Belém, Jaime Gama, Leonor Coutinho, Jorge Coelho, José Lello, Pina Moura, Fernando Gomes ou Ferro Rodrigues, entre muitos outros protagonistas do futuro anunciado que também provocam muitos arrepios na espinha e arranham desconfortavelmente a nossa memória. Para sublinhar esta vontade do novo futuro, o campanha eleitoral do PS foi inaugurada por António Guterres. A abstenção agradece.

No PSD, o início da renovação está agendado para a noite de 20 de Fevereiro. A acreditar nas sondagens recentes, não faltarão os voluntários para pendurar um cartaz na Rua de São Caetano à Lapa anunciando 'Líder, Precisa-se'. Imagina-se já uma hipotética confrontação pós-eleitoral entre candidatos como Luís Filipe Meneses ou Marques Mendes e aguarda-se com a máxima curiosidade o posicionamento de gente tão carismática e de profundo conteúdo político como Raúl dos Santos, João Jardim, Mendes Bota, o filho de Valentim Loureiro ou o pai do João.

Até os sunitas em Bagdade se sentiram mais motivados para votar.

Em defesa do agro-mar

Um dos poucos factores comuns às 30 nações que lideram o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas é, pelo menos, 30 anos de capitalismo. No entanto, apesar destas e de todas as outras evidências sobre as consequências das experiências alternativas, meio século depois de Hayek ter publicado 'O Caminho da Servidão', ainda há em Portugal quem procure "a revolução socialista que destrua o sistema capitalista e a exploração do Homem pelo Homem" ou a "socialização da banca, dos principais meios de produção da indústria, da água, dos recursos energéticos e do agro-mar".

Não, eles não dizem isto nos comícios nem à frente das omnipresentes câmaras das televisões. Frases como "A UDP é um partido marxista, de natureza comunista, que apoia o Bloco de Esquerda" escondem-se apenas nas linhas programáticas dos partidos que constituem o Bloco de Esquerda. A palavra comunismo foi excomungada do uso público. Percebe-se bem porquê.

Ao longo de quase todo o século XX, o comunismo condenou milhões de pessoas à miséria e praticou outras maldades ainda piores por esse mundo fora. É natural que um partido que se chama a si próprio 'Comunista' já não constitua apelo forte para quase ninguém que leia jornais ou saiba aceder à Internet. O Bloco sabe-o bem e foge da palavra maldita como o diabo da cruz. E é por isso que o PCP definha devagar, acompanhando o ritmo da lenta diminuição da iliteracia em Portugal.

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

  Clube do Estado

Há 6 milhões de portugueses que vivem á custa do estado. Há 6 milhões de benfiquistas.

A dúvida está instalada. Serão os mesmos?

domingo, fevereiro 06, 2005

  Recuo Estratégico

Sporting recua para tomar balanço.

  Acredite Se Quiser

Do site de um partideco de extrema-direita:
"O arcebispo de Pamplona e secretário da Conferência Episcopal espanhola, Fernando Sebastián, acredita que dentro de pouco tempo vai declarar-se 'uma epidemia de homossexualidade, fonte de problemas psicológicos e de frustrações dolorosas'. O bispo afirmou ainda que, na sua opinião, 'os homossexuais, com ajudas [psicológicas] bem dirigidas podem alterar completamente a sua orientação sexual', ou seja a homossexualidade, no entender daquele prelado, é um doença com cura."

sábado, fevereiro 05, 2005

  Anedotário (6)

Escreveu Vital Moreira, na sua causa:

"Anedotário (5)

Referindo-se ao Orçamento para o ano corrente, Santana Lopes classificou-o como "notável". A generalidade dos economistas, porém, entende que o orçamento é uma ficção, já que as receitas estão manifestamente sobre-estimadas (dado que assentam numa previsão de crescimento económico que não se verificará) e as despesas largamente subavaliadas (a começar pela verba das remunerações da função pública). Se o défice anunciado à partida já excede os 3%, é fácil imaginar que o défice real será muito superior. Realmente notável!"

Terá alguma razão, Vital Moreira. O orçamento não é corajoso porque adia mais uma vez as decisões inevitáveis que só podem significar cortes substanciais na máquina do estado. Santana não sabe como o fazer, ou não o quer fazer, ou não tem coragem. É irrelevante. O primeiro ministro vai ser Sócrates.

Então, perante esta situação, o que é que nos propõe o futuro primeiro-ministro, candidato de Vital Moreira? Entre outras promessas que vai deixando cair em cada comício, propõe-se eliminar as portagens nas SCUTs, já previstas no orçamento, "investir" fortemente na área social, nomeadamente na redução da pobreza estatística, pagar às empresas para contratar pessoas que elas por si só não contratariam, repôr benefícios fiscais, gastar mais uns milhões num choque de marketing tecnológico, duplicar os fundos públicos para capital de risco, duplicar o investimento público em I&D, criar 1.000 lugares adicionais para I&D na administração pública, não aumentar as propinas, etc, etc, etc. Por aí fora. Não é bem a desbunda guterrista, mas vai no mesmo caminho.

E a maior anedota de todas é que tudo isto é prometido ... sem aumentar os impostos. Afinal, Dr. Vital Moreira, que défice nos propõe Sócrates para 2005?

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

  A Brilhante Solução Anacleta

Num comício, Louçã sugeriu a diminuição da idade de reforma, como meio de garantir a sustentabilidade da segurança social.

  Fiuuuu... fiuuu... Fiiiii

Os candidatos respondem à pergunta que se impõe: "Onde vão fazer os cortes para reduzir a incomportável despesa pública?"



quinta-feira, fevereiro 03, 2005

  Trágico

Um prometeu gastar milhões sem aumentar os impostos.
O outro prometeu reduzir a despesa sem fazer cortes.

  É Só Bola

Domingo, foi o Porto-Braga. Segunda foi o Sporting-Setúbal. Terça foi o Arsenal-Manchester. Quarta foi o Blackburn-Chelsea. Hoje é o Santana-Sócrates. A televisão só dá bola.

  A Campanha Alegre

Louçã indigna-se com Portas.
Santana indigna-se com Sócrates.
Jerónimo indigna-se com Santana.
Sócrates indigna-se com Santana.
Coelho indigna-se com senhoras de Viana.
Portas indigna-se com Sócrates.
Sócrates indigna-se com Nobre Guedes.
Louçã indigna-se com o mundo.

E eu também me indigno: serviram-me uma laranja amarga ao almoço.

  Parabéns a Eles

Fazem 2 anos.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

  O Precedente do Presidente

Escreveu Paulo Gorjão no Bloguítica, nas últimas linhas de mais um post a explicar porque é que se deve votar no PS:

"Se tiver maioria absoluta e não conseguir governar de forma competente e eficaz, então daqui a quatro anos cá estarei para cobrar a factura."
Agora já não é assim. Mudou a tradição. Se o presidente se chatear pode mandá-los embora quando lhe apetecer. E basta ler os posts do Bloguitica destes últimos meses para ter a certeza que o Paulo concorda que essa história dos 4 anos já era.

  A Cruz

Pergunta o Rui, em duplicado, no Adufe e na Grande Loja:

"Se andassem à caça de judeus e o Estado te pedisse para pores num papel uma cruzinha correspondente à tua religião, preenchias o impresso, JCD?"
Nos censos do INE, antigamente, perguntava-se a religião. Num país livre, não faz mal responder. É só para efeitos estatísticos.

Caro Rui, andam por aí outros líderes de partidos sobre quem circulam exactamente os mesmos boatos que nunca 'preencheram a declaração'. Ontem não foi bem assim. Um líder de um partido preencheu o impresso. Disse, indignado, que não é judeu. E por muito que se filtre o sentido da indignação, o que sobrou é que ser judeu é mau. É?

Por falar em vida privada, roubo este texto ao Blogouve-se. Foi escrito pelo antigo director do Expresso, Joaquim Vieira.

"[Paulo] Portas tem realmente um problema com a sua imagem perante o eleitorado conservador que é o seu. Um político, pela natureza da função, está obrigado a um maior grau de exposição perante a opinião pública do que o cidadão comum (...). Portas defende as tradições, os valores familiares e a moral católica, e naturalmente os eleitores interrogam-se: quem é este homem? É católico praticante? Porque é que não casou? Que vida afectiva tem? Porque é que não se abre sobre isso? (...) São perguntas que não desaparecem. Portas sabe, e o eleitorado também".
Claro que isto não faz mal nenhum. É sobre Portas, e as virgens não se ofendem sobre tal personagem. Sobre assuntos de índole pessoal, importante e decisivo é impedir que católicos praticantes amigos do papa sejam comissários europeus.

  Haja Respeito Pelas Minorias!

Se me acusarem de ser benfiquista, desminto, mas não digno que é indigno. Seria um insulto para todos os benfiquistas.

Se me acusarem de ser bloquista, desminto, mas não digo que é indigno. Seria um insulto aos bloquistas. (E à minha inteligência, também).

Então, porquê dizer que uma acusação de homosexualidade é indigna? Bastaria desmentir, não?

terça-feira, fevereiro 01, 2005

  Barnabé Louçã

Finalmente. Daniel Oliveira escreveu no Barnabé um post sobre as eleições no Iraque. Não, o Daniel não ficou feliz pelo sucesso do acto eleitoral, pela baixa abstenção, pela coragem dos milhões de iraquianos que ignoraram a chantagem terrorista.

Nada disso. Lendo nas entrelinhas percebe-se que o que preocupa o Daniel é o assunto da moda: o direito dos iraquianos a gerar filhos. É o que dá andar sempre atrás do Anacleto-mor. Para o Daniel, os iraquianos só tiveram o direito de gerar 7 milhões de sorrisos de crianças.

Daniel, enganaste-te nas contas, outra vez. Deixa lá. Contas erradas é o pão nosso de cada dia, para um bloquista.

  Obrigatório

A verdade não mora aqui. Medina Carreira, hoje, no Público.

O peso da despesa pública levará, em poucos anos, ao colapso financeiro do Estado, com pesadas consequências para todos mas, em especial, para mais de 4,5 milhões de indivíduos dele directamente dependentes: cerca de 730 000 funcionários públicos; 2 591 000 pensionistas da Segurança Social; 477 000 reformados e pensionistas da Caixa Geral de Aposentações; 307 000 beneficiários do subsídio de desemprego; 351 000 beneficiários do RMI. Com os familiares próximos poderão ser uns 6 milhões de indivíduos, numa população de 10 milhões.

  Em Alvalade, Só Alegrias!

Isto não podia ser melhor: jogaram dois verdibrancos e nenhum perdeu e, quem pode desejar mais, estão dois Sportings à frente do campeonato!

Fim de Página