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quinta-feira, março 31, 2005

  Hospitais EP

A Interrupção Voluntária da Gravidez em Hospitais Públicos também terá uma lista de espera de 6 meses?

quarta-feira, março 30, 2005

  Marxismo? Keynesianismo? Não!... É Anacletismo!

Hoje há uma página do Público verdadeiramente recomendável. No lado direito, está o nosso intelectual Coelho, no segundo dia de desagravo ao 'intelectual, pai de todos os intelectuais e eu queria ser intelectual como ele e se tivesse uma Simone intelectual também a emprestava aos meus amigos intelectuais mas só se ele fosse mais nova e boa na cama'. Depois de tanta gente ter feito notar nestes últimos dias que em política Sartre não acertou uma e que no confronto com Aron saiu mal na fotografia, o Eduardo saltou em defesa do seu 'role model'.

O Eduardo é também o autor de um dos mais célebres tratados sobre as leis da oferta e da procura, no qual "demonstrou" que o aumento do preço dos livros levaria a um aumento do seu consumo.

Hoje, ao lado do Eduardo, está a crónica do historiador Rosas. O professor insiste em demonstrar os seus conhecimentos económicos semana após semana, e de tão profícuo divulgador já nada nos deveria espantar. Mas hoje, o professor superou-se. Escreve sobre a directiva que tem feito mexer a Europa. E explica as consequências da aplicação do projecto Bolkestein:

«...os clientes dos países com salários mais altos e protecções sociais mais efectivas passariam a recorrer a empresas prestadoras de serviços (desde logo por eles criadas) localizadas nos Estados com salários mais baixos. ...Com um duplo efeito: por um lado, o dumping social, a concorrência desleal, contra os trabalhadores do país de destino, por outro, frustrando a possibilidade de os trabalhadores dos países de origem melhorarem as suas condições de vida e de trabalho, obtendo um verdadeiro rendimento diferencial à custa da sobreexploração do trabalho mais barato importado.»
Brilhante. Por momentos pensei que o Fernando tivesse feito uma das suas habituais confusões e tivesse trocado país destino e país origem, mas não. Ele pensa mesmo que o prestador de serviços portugueses vai dar cabo da sua vida porque as empresas dos países mais ricos querem recorrer aos seus serviços. O Fernando sabe como é: quando aumenta a procura, a oferta está tramada. Isto é quase tão mau como o investimento estrangeiro, que só estraga a vida dos trabalhadores dos países que recebem esse investimento. Um horror.

E este artigo fez-me lembrar uma carta de um leitor para o saudoso Anacleto, sobre este mesmo tema, carta absolutamente genuína, como é evidente:

"Caro Anacleto.

Semos um grupo de jóvens priocupados com o trágico sistema capitalista em que mergulha-mos, que só tem trasido miséria e dificuldades para o nóço povo. Este Verão ferquentámos a escola de Verão do Blogo de Esquerda e apreendemos que são os capitalistas selvájens e os neon-liberáis que expalhão a pubreza pelo mundo e já só sobrão um ou dois países avanssados mas que não pudemos dizer purque na escola explicarão-nos que se a jente dis bem dêsses paízes a extrema direita pode aporveitar para nos atacar.

Ora a jente tem feito umas cessões de breine estoming todas as noites para termos ideias que possão ajudar o povo a melhurar a sua vida e então tivémos esta lembrança que queria-mos dizer a vocês. É assim: os capitalistas só são ricos purque as pessoas comprão as coisas nas lojas dos capitalistas por cauza das leis da prócura e da oferta. Também se diz que os charros são caros proque à muita prócura e à pouca oferta. Atão, pensámos nós, proque é que o blogo não apersenta na Cembleia um prujeto para revugar as leis da prócura e da oferta?"
E a resposta foi:

Obrigado pela sugestão. Esta ideia é muito interessante. Resolvemos delegar a redacção da proposta de Revogação das Leis da Procura e da Oferta no companheiro Fernando Rosas. Ele próprio nunca percebeu muito bem para que é que estas leis servem. Até agora nunca precisou de as usar.
Ora aí está a confirmação. A escolha era perfeita. É que isto não é keynesianismo nem é marxismo. É puro anacletismo.

  O Estado Tonelada

Parece que ainda há por aí quem duvide que um estado maior implica crescimento menor. Para esses recomendo este link, que um leitor deixou na caixa de comentários deste post.

Estes gráficos resumem bem a história:



É bom que se compreenda que as opções que Sócrates revelou até agora são iguais às de Guterres e apontam claramente no sentido do estado tonelada. É a opção errada. Terrivelmente errada. A brincadeira vai sair-nos muito cara. A nós e aos nossos filhos.

terça-feira, março 29, 2005

  O 8 e o 80

Perto da fronteira portuguesa de Vila Real de Santo António, nasceu Punta Moral. Punta Moral é mais uma urbanização turística, com hotéis, apartamentos e marina, desenvolvida em cima das praias para a classe média média/alta e que foi planeada com um evidentes cuidados urbanísticos.

Punta Moral foi construída num espaço desocupado, uma zona costeira até aí livre de promoções imobiliárias e contou com a oposição de organizações ecologistas.

«Las terribles obras de Castillo de San Miguel, Punta del Moral en Isla Canela, Puente Esuri en el Guadiana, y los Avances de Planes Generales de Ordenación anunciados en estas localidades y en otras como Isla Cristina y Lepe pronostican una lluvia de cemento y ladrillo sobre la costa occidental de Huelva.»
Agora que Punta Moral está quase terminada, é curioso constatar que parte significativa dos apartamentos foram comprados por portugueses, que já detinham uma quota significativa na vizinha Isla Canela.

A razão para esta compras fora de portas é evidente: não há oferta equivalente em Portugal. Cá só temos o 8 ou o 80. Como já não se pode fazer rigorosamente nada de novo na costa, apenas os aglomerados já existentes continuam a oferecer espaço de construção. O pandemónio multiplica-se nas Quarteiras, Albufeiras e Milfontes com a complacência/colaboração/displicência das nossas autarquias.

E se alguém se lembrar de tentar construir o que quer que seja com alguma qualidade fora destes centros, entrará numa via sacra de aprova/chumba/atrasa/altera/adia. E quando alguém consegue avançar, nascem Vales da Telha. Em Portugal não há meio termo. E os portugueses fogem para Espanha. Estranho país que reclama uma vocação turística.

segunda-feira, março 28, 2005

  Onde Estamos e Para Onde Vamos


Paper aqui.

Estamos nos 48%. Sócrates promete levar-nos em 4 anos para 52-53%. Que bom.

quinta-feira, março 24, 2005

  O Plenário dos Servidores dos Utentes

Alguns empregados da STCP param hoje durante algumas horas por causa de um plenário. O plenário é uma das últimas reminiscências do PREC que ainda subsistem no Portugal do século XXI. O plenário é uma festa. Uma quebra de rotina. A malta larga o trabalho e junta-se nas instalações da empresa para ouvir as prelecções dos sindicalistas de serviço. Estes vão falar mal da administração, dos governos, do pacote laboral e vão exigir mais uns milhares de euros para cada colega e/ou a reposição do poder de compra e/ou a reformulação dos planos de carreira e/ou subsídios vários e/ou a manutenção de acordos colectivos que protejam os medíocres e/ou mais algumas regalias que no conjunto se constituem quase sempre em enormes impossibilidades económicas mas que por vezes são bem sucedidas porque quem paga é quase sempre o contribuinte que não é tido nem achado na conversa.

Ninguém vai falar da razão de existir da STCP. Os clientes. O conjunto de cidadãos que querem adquirir um serviço chamado transporte e que, privados de concorrência e crentes na justiça dos preços fortemente subsidiados, ficaram novamente apeados por quebra de serviço no monopólio. Para os sindicalistas, um portuense sem transporte é uma irrelevância. Um pião no jogo. Para um sindicalista de empresa pública, raramente há clientes. Há utentes. Clientes são chatos, exigem. Utentes calam-se e deviam ser obrigados a agradecer o serviço que os trabalhadores abnegados fazem o favor de lhes prestar, quando não há greve ou plenário. Os utentes são a parte aborrecida do emprego. Para um bom sindicalista, o core business destas empresas é servir os seus trabalhadores e proporcionar-lhes um salário. Os utentes são apenas um detalhe incómodo, uma aborrecida verticalização empresarial habitual no sector.

É por isso importantíssimo para os sindicalistas que os preços continuem a ser absolutamente subsidiados. Se as receitas dos SCTP tivessem origem exclusiva nos passageiros, as coisas podiam ficar negras, mas a realidade é outra. O verdadeiro cliente não são os passageiros. O cliente é quem paga pelo serviço. O grande cliente da STCP é a autarquia que paga sempre. Nada como uma boa greve para obrigar esse grande cliente inconsciente e aparentemente milionário a despejar mais dinheiro sobre a empresa, pressionado por esses milhares de utentes votantes lixados com os transtornos das paralisações.

Hoje, os trabalhadores da STCP borrifam-se novamente para os que deveriam ser clientes mas são apenas utentes. Se isto acontecesse na maior parte das empresas privadas, as portas fechavam. Em mercados abertos e concorrenciais, um cliente que bate com o nariz na porta é cliente que vai e não volta. É por isso que há poucas greves no sector privado. E é também por isso que não devem haver empresas públicas, nem monopólios. A força destes sindicalistas jurássicos que se estão nas tintas para o mercado que devia ser a razão da sua existência nasce justamente destas distorções. E a força que eles demonstram explica também parte das razões do atraso português.

terça-feira, março 22, 2005

  Erros Liberais

Os liberais têm quase sempre razão, mas devem saber reconhecer quando erram. Os exemplos são poucos, mas quando aparecem devem ser publicitados. Por isso, saliento que esta opinião de um bom liberal está absolutamente errada.

  The Return of Shut Up and Spend Your Money

Perez Metello continua a desgraçar as últimas migalhas da sua credibilidade. Hoje, na TSF, num programa que por algum motivo absolutamente enigmático se chama "Economia Dia-a-Dia", o António tecia loas ao novo défice anunciado que estimava em 6% (não, não é erro, ele atirou mesmo para os seis por cento). Exultante, explicava-nos que a oposição ficou boquiaberta com a opção socialista e não foi capaz de responder à altura aos novos desígnios socráticos. Percebe-se que o 'economista' está feliz. O governo vai desenvolver o país e está-se nas tintas para o défice. Peres Metello chama a isto uma nova maneira de fazer política.

Na realidade não é nova. Chama-se guterrismo e já foi experimentado com tristes resultados. A ser verdade, vai sair-nos bem caro.

  Pessimus

Anda por aí um anúncio da TMN em que uma menina pede a um rapaz ensonado para 'se chegar para lá' e diz-lhe que está quase a cair da cama. Depois, na punch line final, descobre-se que a garganeira está a dormir com um rapaz de cada lado. Ora, se está amparada entre dois marmanjos, como é que pode cair da cama? É por estas e por outras que sou cliente da Vodafone.

  A Mão

A mão esquerda continua inoperacional. É se é certo que há muitas coisas que se podem fazer só com a mão direita, outras há que são muito complicadas. Como é que se faz Alt-Ctrl-Del só com uma mão? Como é que se corta pão de Martinlongo? E, principalmente, porque neste período de férias escolares os filhos exigem a presença do pai nestas coisas, como é que se conduz o magnífico DeLorean S2 no Gran Turismo 4 sem o polegar esquerdo?...

  Cabo da Boa Esperança

Na prática, o Sporting está apenas a 3 pontos do Benfica.

segunda-feira, março 21, 2005

  Telegrama

Trambolhão Obras Túnel Marquês STOP Saco Portátil Enlameado STOP Vários Dedos Mão Esquerda Temporariamente Inoperacionais STOP Culpa é do Sá Fernandes STOP

sábado, março 19, 2005

  McGuffin

«...a story about two men in a train. One man says, 'What's that package up there in the baggage rack?' And the other answers, 'Oh that's a McGuffin.' The first one asks 'What's a McGuffin?' 'Well' the other man says, 'It's an apparatus for trapping lions in the Scottish Highlands.' The first man says, 'But there are no lions in the Scottish Highlands,' and the other one answers 'That shows how effective it is!'»
Dois anos de blogueação livre, sempre Contra-a-Corrente.

sexta-feira, março 18, 2005

  A Carroça Volvo vai à Frente dos Bois Lusos

Anda por aí uma ideia muito inteligente. Uma ideia também compartilhada pelo nosso primeiro-ministro, o que a faz parecer ainda mais inteligente.

A ideia é que Portugal deve seguir o modelo nórdico de desenvolvimento. Ora eu acho muito bem. Parece que os nórdicos vivem melhor que os portugueses e nós por cá devemos saber imitar o que se faz bem lá fora. De más imitações já estamos fartos.

Se a ideia inteligente é mesmo para avançar, só é preciso escolher entre 3 opções de modelo a seguir. Queremos seguir o modelo nórdico inteligente finlandês, o modelo nórdico inteligente norueguês ou o modelo nórdico inteligente sueco?

Podemos escolher o modelo nórdico inteligente finlandês, até porque é o modelo nórdico inteligente que dá menos trabalho. Só teremos que fazer duas Nokias. Os finlandeses só têm uma mas eles são só 5 milhões. Nós somos mais, precisamos de duas. Este é um excelente caminho. A Nokia sozinha tem uma capitalização bolsista por cada finlandês corresponde a 80% do PIBpc de Portugal; Se juntarmos duas Nokias ao que já temos em Portugal estamos em cima dos finlandeses. Vamos nessa?

Outra opção é seguir o modelo inteligente nórdico norueguês. Claro, vamos começar por transformar os défices em superavits superiores a 10% ao ano, mas dava-nos algum jeito termos petróleo. É que as exportações de petróleo da Noruega em 2005 correspondem a mais de metade do rendimento de cada português. Eu gosto deste, até porque a gasolina está cara e nós por cá temos poucas barragens para produzir energia. É óbvio que se apostarmos inteligentemente no petróleo, em três tempos pedimos meças a meio mundo.

Temos uma terceira alternativa. O modelo nórdico inteligente sueco. Este também é muito fácil. Só temos que fazer 3.000 empresas competitivas. Claro, teremos que ter as nossas versões da Volvo, Ikea, H&M, Atlas Copco, Astra Zéneca, Saab, Alfa Laval, Stora Enso, Ericsson, ABB, Electrolux... As casas não se começam pelo telhado. É verdade que quase todas estas empresas começaram há muitos, muitos anos, mas com o choque tecnológico a gente chega lá num instante.

Agora é só escolher. 1,2 e 3, pick one!

Que felicidade para nós, portugueses, ter estes modelos nórdicos inteligentes à nossa disposição. Já imaginaram o que seria começarmos por copiar as despesas públicas destes países sem antes nos preocuparmos em adaptar o modelo que criou as receitas? É que com estes ministros que temos, e com estas teorias do estado que faz tudo e dá tudo a todos, sem o modelo nórdico a funcionar, estávamos bem tramados, safa!

quinta-feira, março 17, 2005

  Insultos Sociológico-Intelectuais

O júri não escolheu os amigos do Eduardo e logo o Prado sentiu afrontamentos. E vai daí, o Coelho insultou os malandrecos. Chamou-lhes 'duplamente analfabetos', apelidou de 'indigente' o português utilizado. E porque o Eduardo é um intelectual das fitas, explica-nos que a 'concepção de cinema [do júri] é absolutamente nula, misturada com um sociologismo mais próprio da Feira da Ladra'.

O Prado não se fica por aqui. Imparável, diz ele que este júri é constituído por 'gente desqualificada'. O parecer destes 'trôpegos senhores' é 'rameloso', concluiu o Coelho.

Ora os subsídios são sempre maus, por definição, porque as escolhas são sempre subjectivas e por muitos outros motivos que não são deste post. Mas depois de ler tal manifesto eduardino, só podemos tirar uma conclusão: este ano, pela primeira vez, o júri do Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimédia deve ter feito um excelente trabalho.

quarta-feira, março 16, 2005

  Geopolítica II

Alguém é capaz de imaginar o que não diriam os nossos comentadores ou o que não escreveriam os nossos jornalistas se esta história de Cabo Verde na União Europeia em vez de vir de Adriano Moreira e Mário Soares, viesse da cabeçinha cabessinha cabecinha de Santana Lopes?

  A Lógica da Batata

TSF, esta manhã. Nicolau Santos protestava contra a degradação da qualidade do serviço dos CTT. Das filas nos correios. De querer comprar um selo e ter que esperar que um contínuo duma qualquer empresa, à sua frente na mesma fila, despachasse 30 cartas registadas com aviso de recepção e meia dúzia de encomendas. Segundo Nicolau, os CTT não ganham dinheiro a vender selos e por isso desinvestiram no atendimento público.

E porque o serviço não presta e deveria ser melhor, Nicolau concluiu: "É por isso que serei sempre contra a privatização de serviços essenciais como é o caso dos CTT".

Confesso que já dei várias voltas à cabeça e ainda não compreendi a lógica de Nicolau...

  Antes Que Seja Tarde

O Sporting é o único representante de Portugal nas competições europeias.

  Geo-Política

Adriano Moreira e Mário Soares viram uma luz e proclamaram a adesão de Cabo Verde à União Europeia. Coisa gira. A ideia tem pernas para andar e até já levou a benzedura do ministro Freitas do Amaral.

Na ASEAN já andam todos em polvorosa. Por lá ninguém quer perder Cabo Verde para a Europa. Segundo o porta-voz da ASEAN, "É óbvio que Cabo Verde está culturalmente mais próximo da Malásia, da Tailândia e da Indonésia do que da Escandinávia. O lugar dos caboverdianos é na ASEAN, onde todos gostamos de jantar cachupa e beber café com gufongo, antes da hora das mornas".

Quem não vai ficar parado é Bush. Ao que consta, já terá ordenado a integração de Cabo Verde na NAFTA: "Qualquer americano médio sabe que Cabo Verde, Canadá, Estados Unidos e México formam entre si um todo coerente, em espaço geográfico único, uma região de liberdade e os europeus não nos vão roubar esta parte integrante do continente norte-americano". E Bush concluiu, dizendo a Rice. "Go there, pick a room at Morabeza, give them some weapons or else. Bring Cabo Verde to NAFTA. And don´t let that muslim guy, Amar Al-Freitas, put his hands on our green land, Condo!"

Ora aí está, uma boa causa fracturante. Freitas, Amigo, Contamos Contigo. Não deixes esses americanos nazis levarem-nos a cachupa. Força, força, companheiro Freitas.

  KO


Grade de Janela, Meio Banco e Parte de Bicicleta, Vila Real de Santo António, 2001

terça-feira, março 15, 2005

  Parado, Paradinho

Sim, é verdade. O blogue tem estado parado, desde sexta-feira. Mas o Algarve não estava. Tavira e Lagos pareceram-me muito bem, agora que o frio se foi embora. Gostei de ver as esplanadas soalheiras bem compostas de turistas, os clientes do nosso único cluster que não dá sinais de crise.

E lá estarei outra vez, em breve. A Páscoa está já aí ao virar do fim-de-semana.

sexta-feira, março 11, 2005

  O Homem Que Não Gostava de Soljenitsin

Por intermédio do meu conterrâneo Fernando Viegas, soube quem era o senhor da Biblioteca Itinerante da G~ulbenkiam sobre quem escrevi neste post. Chamava-se Guilherme Camacho e era militante do Partido Comunista Português.

«Natural de Mértola, Guilherme Camacho viveu grande parte da sua vida em Tavira. Funcionário da Fundação Calouste Gulbenkian levou às várias freguesias do concelho o saber através dos livros. O único bibliotecário itinerante do concelho promoveu o gosto pela leitura junto da população em geral, mas sobretudo nos jovens, os quais desde muito cedo tiveram a oportunidade de descobrir o prazer da leitura e o valor das palavras.

Todavia, não foi apenas como bibliotecário que Guilherme Camacho se destacou. No seio do Partido Comunista de Tavira, este homem encontrou e defendeu os seus ideais políticos, ficando assim conhecido no meio partidário.
»(retirado desta página)
Afinal, o homem que não gostava de Soljenitsin tinha nome.

  O Tiro Nos Pés

A greve na fábrica da Opel da Azambuja e o irresponsável papel de alguns sindicalistas à portuguesa. No Contra-a-Corrente.

  11-M



  Vi a Ana do Castelo

O famoso prédio Coutinho, que marca negativamente a paisagem dos que miram Viana do Castelo do alto de Santa Luzia, vai continuar de pé. Acho bem. O prédio Coutinho é o melhor local para se morar em Viana do Castelo. É até um dos únicos lugares de Viana em que a vista das janelas dos apartamentos não está estragada pela presença do prédio Coutinho.

quinta-feira, março 10, 2005

  A Biblioteca Itinerante

No Abrupto escreve-se sobre a biblioteca itinerante da Gulbenkian. Boas memórias. Fui 'cliente' frequente da carrinha cinzenta que estacionava no largo da terra a cada 15 dias. Na altura eram as grandes aventuras que me entusiasmavam. Miguel Strogoff, Ivanhoe, os Três Mosqueteiros, D.Quixote. Se a memória não me falha, o limite estava nos 6 livros a cada duas semanas.

Do que não me esqueço é do dia em que peguei num livro sobre o qual tinha ouvido falar mas nem sabia muito bem sobre o que era. 'O Arquipélago de Gulag' de Soljenitsin. Quando o politizado condutor/bibliotecário/arquivista viu o livro nas mãos de um jovem de 14 ou 15 anos, não se conteve. Fez tudo para mudar a minha opção. Sugeriu-me alternativas à esquerda. Explicou-me que este autor não era credível e que vivia como um nababo num castelo nos Alpes, amantizado com uma baronesa austríaca multi-milionária rodeado de criados, sempre bêbado. O livro era um chorrilho de sugestões mentirosas sobre a União Soviética e tinha como objectivo desmotivar as pessoas para a construção do comunismo. O autor recebia milhões dos magnatas americanos para inventar aquelas histórias.

A prelecção foi tão forte que mal cheguei a casa, peguei no Arquipélago e devorei-o em três tempos. Passadas duas semanas voltei à carrinha cinzenta. Entreguei os livros e, de entre a nova leva, escolhi propositadamente 'O Pavilhão dos Cancerosos'. Desta vez não houve 'sessão de esclarecimento'. Apenas o silêncio foi esclarecedor, amplificado por um olhar quase assassino...

quarta-feira, março 09, 2005

  É a Inveja, Senhor

Via Insurgente, cheguei a este post de Filipe Moura, no Blog-de-Esquerda. Escreve isto:
«...Há que afirmar com frontalidade que dificilmente se podem pôr em prática políticas de esquerda sem subidas de impostos. Agora, da mesma maneira, dificilmente uma política pode ser de esquerda sem que sejam, principalmente, os ricos a pagar esses impostos...»
Mais claro não se pode ser. Políticas de Esquerda => Mais Impostos. Não interessa se os impostos já são altos ou não. Se são comportáveis ou não. Têm é que ser mais. Não há um limite. Mais. Mais.

O Filipe está apenas a ser transparente e a escrever uma grande verdade. A história demonstra-o, tem sido sempre assim. Esquerda sempre foi gastar mais.

E gastar mais, como? Com mais impostos. E mais impostos de onde? Dos ricos, evidentemente. Esses malandros. Os empresários á frente, pois está claro. Eles que paguem. Não interessa se praticamente toda a riqueza que paga o nosso estado social seja criada pelas empresas, o que é importante é ir sacar mais a esses tipos e evitar que eles apliquem o que ganharam. Até porque podem comprar Ferraris ou criar novas empresas, por causa do lucro. Não pode ser. O lucro é tão mau como o Ferrari.

Mas há um problema. Grave. Os ricos mesmo muito ricos não chegam. O problema é que depois de roubar muito aos ricos, eles fogem ou deixam de ser ricos. Ora é preciso ir buscar mais. Muito mais. A esquerda (e também muita direita) não se cansa de inventar novas ideias para gastar o dinheiro que vão sacar aos outros. E tanta idiotice tem que ser solidamente financiada. Alarguem-se as definições, venham mais ricos. Chamemos 'ricos' a todos os portugas que ganham salários 'altos', o que para o fisco lusitano é qualquer coisa acima do limiar de pobreza estatística de um luxemburgês. Vamos lá obrigar esses 'ricos' a suportar os programas que os iluminados decidem. Eles que paguem, em nome das políticas de esquerda.

A grande diferença entre um liberal e um homem de esquerda é mesmo esta. Eu quero que o Filipe crie muita riqueza, aplaudo-o se ele o fizer e gosto de ver o seu mérito reconhecido pela sociedade. E não tenho nem quero ter a veleidade nem a arrogância de achar-me no direito de decidir o que fazer do dinheiro que o Filipe ganha devido ao seu mérito e ao seu trabalho.

O Filipe, pelo contrário, julga-se no direito de decidir o que fazer à riqueza que os outros criam. Um direito divino, iluminado, que só os homens de esquerda podem ter. Para os Filipes, o sucesso alheio deve ser nacionalizado. E foi por isso que o socialismo deu no que deu.

Gostava de dizer "Deus nos livre destes Filipes", mas não só sou agnóstico como sei que eles já andam por aí. E bem por trás desta pretensão dos homens de esquerda, ainda que escondido bem fundo nos seus subconscientes, está um sentimento que tento sempre evitar que atinja aos meus filhos. Chamem-lhe o que quiserem. Eu chamo-lhe inveja.

  Preocupação

A minha conta do Google Mail atingiu os 10% da capacidade. Avizinha-se o fim.

terça-feira, março 08, 2005

  O (Des)Acordo

Parece que não se entendem, no Luxemburgo. Entre os que querem gastar à tripa-forra e os que têm um mínimo de juízo, não há espaço para acordos. Rezemos para que não se entendam.

Imaginem-se governos como o que aparenta ser o nosso sem limites à gastação... Pobres filhos, os nossos. Pobres filhos e filhos pobres.

Afinal, o PEC tem sido o único travão à despesa pública. Um fraco travão, mas um travão. Os limites impostos pelo pacto constituem-se hoje na única defesa dos cidadãos perante a ganância de alguns estados europeus. Por isso, que viva o PEC. Agora só era preciso apertar os limites...

  Pragmatismo

Realmente, não faz qualquer sentido enviar o retrato de Diogo Freitas do Amaral para o Largo do Rato. Nestes dias eles andam sempre juntos. Se quiserem um boneco do dramaturgo ministro, tiram-lhe a fotografia, que isto agora, com as máquinas digitais, não custa nada.

  Medas


Celorico da Beira, 2002

segunda-feira, março 07, 2005

  Wishful Thinking

"O novo governo não é uma equipa de galácticos, como o Real Madrid; talvez se pareça mais com o Chelsea de Mourinho."
Vicente Jorge Silva, excitado, no Diário de Notícias


  Lost Weekend

O Penafiel deixou-se ir abaixo no tempo de descontos, o Nacional falhou um penalty e um tal de Pelé fez juz ao nome. Fiquei preso num elevador, torci um pé e diz-se que os impostos vão aumentar. Bolas!

sexta-feira, março 04, 2005

  À Espera de Edite.

Nesta onde de reestruturações da blogosfera livre, pensei seriamente encerrar o jaquinzinhos e aderir a um blogue conjunto. Foi então que alguém me lembrou:
«E agora vem lá o novo governo e se calhar a Edite Estrela com ele. Imagine o que terá para escrever.»
Pois é. Vale mesmo a pena esperar mais um bocadinho.

  O Homem Quem Pensou Não Sei o Quê

EPC promove MMC. Os intelectuais da cultura do subsídio sempre se entenderam muito bem entre eles.

Manuel Maria Carrilho já demonstrou ser um excelente gerador de ideias de aplicação do dinheiro dos outros. Hoje, no Público, Eduardo Prado Coelho sugere que o marido da Bárbara Guimarães seria também um grande candidato à Câmara de Lisboa, porque tem ideias. E demonstra:

«Manuel Maria Carrilho há muito que vem reflectindo sobre a cidade em geral e Lisboa em particular. Veja-se o seu livro mais recente: "Lisboa precisa de cortar com a terceira-mundialização que a ameaça, precisa de um projecto ousado que aposte em todo o potencial do "secreto rebrilhar" de que falava Sofia, de um projecto verdadeiramente cosmoplita na sua forma e nas suas intenções, de um projecto que destaque uma direcção, que defina novas ambições e que especifique objectivos mobilizadores para a cidade" (in "O Impasse Português")»
Ah, pois. Traz-nos à memória o sketch que deu em anúncio do Montepio.

  Potencial

Tiago Monteiro foi último nas sessões de treino livres para o Grande Prémio da Austrália. Excelente. Não há actualmente nenhum piloto na Fórmula 1 com maior margem para progressão.

  Assim Se Vê, a Força da Direita Liberal

O Blasfémias continua em grande forma. A Mão Invisível aproxima-se a passos largos. O Insurgente arrancou a todo o gás. Cada vez resta menos tempo para espreitar pasquins anacletos.

quinta-feira, março 03, 2005

  O Triunfo das Deadlines


Pedimos Desculpa por Esta Interrupção
O Blogue Segue Dentro de Momentos


  O Outro Padre Louçã

Quem evita gerar, não comunga.

quarta-feira, março 02, 2005

  Anti Spin no Estado de Graça

O Paulo Gorjão tem toda a razão. Blogue sério não espalha boatos. E a imprensa séria? Imagine-se o que teriam sido as capas de todos os nossos jornais e as notícias de abertura de todos os telejornais se estes assuntos atingissem o antigo primeiro-ministro no segundo semestre do ano passado...

terça-feira, março 01, 2005

  O Empata-Obras Ataca de Novo

Consta que este novo super-herói pró-anacleto também terá sido picado por um insecto radioactivo quando era jovem. Como se sabe, o jovem Peter Parker, após ter sido mordido por uma aranha radioactiva, deu origem ao famoso Homem-Aranha. Supõe-se que no caso da advogado Sá Fernandes o insecto radioactivo que o picou tenha sido outro, atendento a que o resultado foi o Homem-Chato.

  Transacções

Manos Oliveirinhas O empresário Joaquim Oliveira compraram a Rádio Bagdade adquiriu o controle da TSF.

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