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sábado, abril 30, 2005

  Vitórias


Mourinho - O Hábito da Vitória


Márinho - O Apito da Vitória

  Coisas

1. Mourinho pode ganhar a Premiership, hoje. Mas também pode acontecer que Mourinho queira perder em Bolton. Mourinho não deve querer que os seus jogadores jogem em Liverpool o acesso à final da Liga dos Campeões após a descompressão do título e dois dias de festa. Mais vale perder hoje e festejar na próxima semana, em Londres, com a presença na final da Liga dos Campeões assegurada. E daí, talvez não. O homem não gosta de perder nem a feijões... «Update: Pois. Preferiu os feijões.»

2. Li na Visão um artigo de Helena Roseta em que esta defende intransigentemente a limitação dos mandatos dos autarcas. Ora aí está uma lei que nunca se aplicaria à arquitecta. A performance de Helena Roseta como autarca foi de tal qualidade, que para os seus eleitores um mandato foi mais do que suficiente...

3. Ouvi o fim da entrevista de Margarida Marante na TSF. Não consegui perceber quem foi o entrevistado. Seria Manuel Pinho ou um qualquer industrial têxtil do Vale do Ave. Os minutos que ouvi foram apenas uma lamentável sucessão de statements em defesa do proteccionismo comercial, emitidos quer pelo entrevistado quer pela entrevistadora. Alguém que lhes explique o básico. Se queremos fazer o mesmo que os chineses, só podemos esperar ser tão ricos quanto eles. Podem fazer leis que impeçam os portugueses de comprar produtos mais baratos, empobrecendo-os, mas nunca conseguirão obrigar os suecos ou os norugueses a comprar produtos não competitivos aos nossos empresários protegidos. O boom chinês é bom para 9,8 milhões de portugueses. É temporariamente mau para os restantes, ligados a uma indústria que já não nos deve interessar. Quanto mais tempo tentarem manter a nossa indústria protegida, mais tempo prejudicarão os consumidores portugueses. Alguém que lhes explique que o sol também é de borla e prejudica os industriais de lâmpadas. Devemos proibir as janelas abertas durante o dia?

  Tibre - Tevere


Margem do Tibre em Trastevere, Roma, Abril de 2005

  Agora São Eles que Comem Criancinhas ao Pequeno Almoço

«Para os neoliberais só existe um valor: o mercado.»
Dogma do Grande Arquiteto das Frases Curtas, hoje no Expresso.

sexta-feira, abril 29, 2005

  Aqui Jaz Rafael


Túmulo de Rafael Sanzio, Panteão, Roma, Abril de 2005

  Absolutamente Errado

Título do Público:

"PIB dos EUA ao nível mais baixo dos últimos dois anos."

O joranlista confundiu PIB com 'crescimento do PIB'. O crescimento do PIB no 1º trimestre de 2005 (anualizado) foi de 3,1%. Desde o primeiro trimestre de 2003 que o PIB crescia sempre acima deste valor. A confusão do jornalista é absoluta. O título correcto seria:

"PIB dos EUA ao nível mais alto dos últimos dois anos."

O jornalista escreve também que esta evolução é decepcionante. Crescer a 3,1% ao ano é decepcionante. Portugal não cresce a este ritmo desde 1999. Vou gostar de ler o que este homem vai escrever sobre a evolução da economia portuguesa nos próximos anos.

  Para Nulos, no Escuro

A publicidade a um cartão do Banco Totta que promete 10% de desconto na compra de combustíveis é, obviamente, publicidade enganosa.

quinta-feira, abril 28, 2005

  Iniquidade Fiscal 2

O João e a Maria ganham ambos 30.000 euros anuais brutos e vivem num duplex em Cracavelos. Têm 2 filhos, o Joãozinho e a Mariazinha que estudam na universidade. A família apresenta uma declaração de IRS com 10.000 euros de despesas de educação e 7.500 euros de despesa de saúde. A Colecta Líquida desta família é de 10.002,52 euros.

Um dia decidem enganar o fisco. Separam-se. O João instala-se com o Mariazinha no andar de cima e declaram-se em união de facto. A Maria instala-se com o Joãozinho no andar de baixo e declaram-se em união de facto. O estado compensa-os. As colectas líquidas destes dois "casais" passam para 5.742,80 euros.

O estado português prefere casais modernos a famílias tradicionais.

  Iniquidade Fiscal

O João tem 40 anos e é marido da Maria, que tem 23. O João ganhou 28.000 euros brutos em 2005. A Maria não trabalha. Estuda na universidade. O João e a Maria têm 2.500 euros de despesas de saúde e 2.500 euros de despesas de educação. A colecta líquida do IRS desta família é 2800.29 euros.

Agora substitua na primeira linha a palavra marido pela palavra pai. A colecta líquida da família aumentou para 4342.11 euros.

Isto é iniquidade fiscal. O estado incentiva o envelhecimento populacional. As familias numerosas pagam proporcionalmente mais impostos. Podem confirmar aqui.

Sugestão zapateriana: substituir Maria por Joaquim.

terça-feira, abril 26, 2005

  São Pedro


Basílica de São Pedro, Roma, 14 de Abril de 2005

  O Meu 25 de Abril

Na Vila de Olhão da Restauração, o Faz Gostos faz gostos. Ai, o pato com figos... Schlept! E a perna de cabrito? Uiii. Nhac nhac... Um novo favorito, por terras do Algarve. E diga-se que Olhão já merecia um restaurante assim, revolucionário e na vanguarda do progresso.

Em Bemparece, Santa Catarina da Fonte do Bispo, o Cantinho da Serra tem tudo para ser um local de eleição, começando pela cozinha serrana confeccionada por uma cozinheira que sabe o que faz e pelas vistas de cortar a respiração. Infelizmente, os donos ainda não perceberam o potencial que têm nas mãos e tratam os clientes com os pés. Não querem clientes na esplanada, porque lhes dá mais trabalho. O tempo de espera roça o absurdo. Como ninguém quer perder uma tarde de um curto fim-de-semana num restaurante, a experiência é para esquecer. Resistir e protestar contra atitudes que promovem a desertificação do interior.

O Lucas, em Cuba, estava quase vazio. Depois do acto de inteligência alarve que mandou a base alemã para Espanha e os clientes habituais enriquecer outras terras e do encerramento das Pirites Alentejanas, a clientela que outrora alegrava as noites em tardias cantorias bem regadas, desapareceu. Foram-se os clientes mas não a qualidade. Os lombinhos continuam deliciosos, com um irresistível toque de pimentão e o molho dos camarões grelhados continua a fazer-nos chupar os dedos e chorar por mais. Revolucionário e saudosista. Viva a Reforma Agrária.

No Los Caleros, numa antiga fábrica de cal em Ayamonte, as puntillitas estavam deliciosas. Os chocos também estavam muito bem e as presas ibéricas melhor ainda. Só as canhas não estavam ao mesmo nível. Cerveja amarga, contra a globalização. Tu luta es mi luta.

Falta só referir que as tostas mistas em pão caseiro, no Tavira Romana, são mesmo muito boas. Viva a Liberdade.

  Ainda o Post da Bola

1. Meus caros amigos lampiões, as minhas desculpas. Exagerei. Afinal, o árbitro do jogo com o Estoril foi tão imparcial como eu seria a apitar um jogo do Sporting ou como o Miguel Sousa Tavares a arbitrar o Porto.

2. O comentador da TVI concorda convosco. A certa altura, disse: «O árbitro está a ter uma actuação muito segura». Passada a gargalhada geral, o homem até que tinha razão. Raras vezes vi uma arbitragem tão segura. Eu vi pelo menos umas 30 faltinhas que foram seguramente assinaladas e mais umas quantas que não foram seguramente assinaladas. Foi o mesmo comentador que achou que o abraço de amor de Ricardo a um defesa do Estoril «é um lance habitual de futebol» e que na simulação que dá origem ao primeiro golo do Benfica viu uma falta indiscutível.

3. A frase da noite foi de Luisão, no flash interview. «A vantagem do Benfica hoje foi ter jogado com 12 jogadores». Não era bem isso que ele queria dizer, mas fugiu-lhe a boca para a verdade.

4. Fazem bem em festejar a vitória e em desvalorizar a arbitragem. Eu faria o mesmo. No dia em que o Sporting tiver uma ajuda destas, também vou perguntar se não se lembram duma qualquer falta do Petit ou de outra minundência, para disfarçar. Afinal, adepto quer é que o seu clube ganhe, nem que seja com um golo marcado com a mão, em fora de jogo, precedido de falta e 5 minutos depois da hora. Até que nem me importava que o meu Sporting ganhasse assim na Luz. E quando viessem protestar, relembrar-vos-ia até à exaustão o jogo do 24 de Abril.

5. Por falar em 24 de Abril, ficou definitivamente provado que o Benfica é o clube do 24 de Abril e o Sporting é o clube do 25. Demonstra-se. Em Faro, a 24 de Abril, foi o dia do Benfica. No dia seguinte comemoraram-se os 31 anos do dia da liberdade. Ora, o grande Liedson é o número 31. Isto não pode ser coincidência! Quod Erat Demonstrandum.

  Castor e Pollux


Piazza del Quirinale, Roma, Abril de 2005

 
Gente Que Salva


Patrão Lopes - Ao longo de uma vida de grande coragem, este olhanense radicado em Paço de Arcos socorreu mais de 53 navios e salvou mais de 300 vidas.



Aristides de Sousa Mendes - Desobedecendo a ordens superiores, o cônsul português em Bordéus salvou 30.000 judeus em 1940.



Hélio Santos - Apenas com a ajuda de um apito e dois cartões, numa noite de Abril de 2005 salvou 6 milhões de portugueses.


sábado, abril 23, 2005

  Celebração

A (R)evolução celebra 31 anos. Número tão redondo exige comemorações especiais. O COLCDTAVCAMNSQ - Comité Organizador Local para a Comemoração Digna do Trigêsimo-primeiro Aniversário do Vinte e Cinco de Abril de Mil Novecentos e Setenta e Quatro - reune hoje para um almoço preparatório dos eventos, no Lucas, em Cuba, numa singela homenagem subliminar ao GRAC-CF (Grande Resistente ao Avanço Capitalista - Camarada Fidel). Na sequência das festividades será escolhida a sede das comemorações. Preferencialmente numa cidade republicana, aberta e democrática. Ora bem... Tavira. Saudações (r)evolucionárias e bom fim-de-semana a todos.

sexta-feira, abril 22, 2005

  A Riqueza das Igrejas de Roma


Se a memória não me falha esta obra de arte é o tecto da igreja do "Santissime Stimmate di San Francesco".

  Botox

"Como estava enganada! Tinha a ideia que os portugueses eram um povo muito conservador e afinal vejo que são bem mais corajosos que os franceses ou os alemães: até têm um transsexual como pivot de notícias no primetime!"


  O Conclave Acidental

Agora que os ânimos arrefeceram e esmoreceu a indignação pela tresloucada atitude dos cardeais ao escolherem um papa católico e que, aparentemente, acredita em Deus, resolvi ir espreitar o outro conclave, o que ocorreu no principal local de peregrinação do povo de Lisboa, a FNAC.

Celebrava-se o lançamento do livro dos homens que reinventaram a direita blogosférica. Como todos sabemos e o líder acidental não se cansa de relembrar, há uma Blogosfera a.A. e uma Blogosfera d.A. Antes do Acidental, a blogosfera lusa parecia a comuna de Paris. Isto era só blogues da esquerda e foi por isso, que a direita órfã, rejubilou de alegria com a chegada dos acidentais. Só para dar uma ideia de como as coisas eram, quando o Acidental chegou à rede, nada menos que 3 dos 10 blogues políticos mais visitados eram de esquerda. Esmagador!

Pois não se podia faltar a uma celebração destas. E diga-se de passagem que a festa foi muito elegante. Bom ambiente, bom aroma. Deputados, vereadores, músicos e artistas de cinema, havia de tudo.

E ao contrário de algumas bocas maldosas que ouvi, sei que mais de 20% dos convivas nunca votaram no PP. E também posso afirmar com absoluta convicção que mais de metade dos presentes não eram ex-assessores.

O lançamento do livro foi um verdadeiro sucesso. Esgotou. Juro que tentei apanhar o último exemplar, mas das três vezes apareceu sempre alguém que se antecipou. Ainda bem que o livro já está on-line. Aqui. Isto é que é o choque tecnológico.

Update: No meio disto tudo quase que me esquecia de parabenizar os acidentais, que bem o merecem, principalmente o Lisbon Swinger, que era um dos tais que antes de ser acidental já tinha um excelente blogue de leitura obrigatória.

quinta-feira, abril 21, 2005

  Basílica de S. Pedro


Roma, Abril de 2005

  Eu Gosto Muito do 25 de Abril

Redacção de um aluno da EB1 de Maceda:

«O Marcelo Caetano era o Presidente da República, em 1974. O povo português se falasse alguma coisa contra o governo, ia preso. Alguns soldados combinaram, em segredo, um plano para acabar com o governo. Então, certo dia, os soldados combinaram o plano para acabar com o governo. Os soldados saíram com os tanques e foram para Lisboa, para o Terreiro do Paço. O Presidente da República veio cá fora, eles já iam atirar, mas veio o povo e eles não atiraram, porque assim matavam muita gente...»


quarta-feira, abril 20, 2005

  Fontana di Trevi


Fontana di Trevi, Roma, Abril de 2005

  Vitória

Parabéns a todos os
sadinos felizes com o apuramento do Vitória para a final do Jamor.

Sabendo que a sorte é sempre necessária nestas ocasiões, o meu desejo é que o Vitória consiga ter Estrelinha na final.


terça-feira, abril 19, 2005

  Menos Ovelhas Tresmalhadas

O novo papa é um pastor alemão.

  Desilusões

Mário Soares já se mostrou muito desconsolado com a escolha pelo Espírito Santo de um papa ultra-conservador. O Blogue-de-Esquerda também está em estado de choque com o desastre final do catolicismo e os Barnabés temem ser excomungados pelo Papa Bento. Eu próprio também me sinto muito desiludido. Tive esperança que o novo papa escolhesse um nome mais giro. Liedson I, por exemplo.

  For He's a Jolly Good Fellow



O Cardeal Justin Francis Rigali, Arcebispo de Filadélfia, faz hoje 70 anos. Os outros cardeais vão cantar-lhe os parabéns? Vão ter bolo e soprar velas? Giro era nomeá-lo papa como presente de aniversário.

  Ou és Francês ou Gostas de Papas de Xarém

«Ou Mourinho é o melhor do mundo e os títulos que ganhou em Portugal devem-se, em grande medida, às suas qualidades excepcionais ou, em alternativa, tudo não passou de uma farsa e o F.C. Porto era uma equipa vulgar, com um treinador suficiente que chegou a campeão nacional (e europeu) graças a protecções arbitrais e obséquios carnais. As duas coisas é que não podem ser verdade cumulativamente. »

CAA, Blasfémias


Aqui está uma excelente aplicação prática da Falácia do Falso Dilema.

Até porque Jean-Luc Allouche, de 47 anos, francês de gema, natural de Mulhouse, capital do Haut-Rhin e residente em Alby-sur-Chéran, Annecy, na Haute-Savoie, é um grande apreciador de papas de xarém.

  Grande Performance

O Manchester United goleou o Newcastle por 4-1.

Parabéns ao Manchester pelo magnífico resultado. Não está ao alcance de qualquer clube obter um resultado igual ao de um semifinalista da Taça Uefa e que está só a um pontinho do líder do campeonato no país onde joga o último vencedor da Liga dos Campeões e da Taça Intercontinental.

segunda-feira, abril 18, 2005

  O Tecto da Capela Sistina

Conforme prometido, aqui fica uma fotografia do Tecto da Capela Sistina.


O Tecto da Capela Sistina, Abril de 2005

  Um Homem Está Uns Dias Fora...

... e quando volta, encontra:

1. O Braga a um ponto do Benfica.
2. O Sporting nas meias-finais da Taça Uefa.
3. A explicação do "sistema" em alguns jornais.
4. O FCPorto equidistante do título e da Divisão de Honra.
5. Mourinho entertainer na TV.
6. A Casa da Música, ex-libris da Porto 2001 ? Capital da Cultura, inaugurada com pontualidade socialista.
7. Um número superior a 300.000 no espião das visitas.
8. Um número de quatro dígitos no espião dos links.
9. Uma tarte de maçã estragada no frigorífico.
10. Os trabalhadores de uma empresa que vive da caridade dos contribuintes em greve.

Isto tudo acontecia enquanto passeava por Roma. E foi em Roma que consegui algo de inesperado. Apesar de reservada para o conclave dos cardeais, no Sábado consegui fazer uma foto do tecto da Capela Sistina. Daqui a pouco publico-a, aqui neste blogue.

quarta-feira, abril 13, 2005

  Ciao

Deixo-vos estes 9 minutos de manifestação de um génio. Este blogue regressa na próxima semana.

  Para que Servem os Governos Civis(*)

No Diário da República n.º 70, Série II de 2005-04-11, o Governo Civil do Porto faz publicar a extensa listagem de subsídios atribuídos no segundo semestre de 2004.

Naquele curto período de 6 meses, quase 700 entidades tiveram direito a cheque e isto apenas num dos dezoito Governos Civis da terra lusa. A leitura da listagem permite-nos compreender quais as prioridades do estado para levar Portugal para a linha da frente da Europa moderna.

Por exemplo, as artes marciais são uma das apostas fulcrais do governo civil do Porto. A Associação Bushidokan Artes Marciais e a Karate Shotokan de Vilas das Aves receberam ambas um subsídio de 500 euros. Já o Clube de Karate da Maia levou 750. O critério deve ter a ver com o número de tijolos partidos de um só golpe à porta do Governo Civil.

A Banda Marcial de Ancede, que tanto pode especialista em pancadaria como em música, levou 1000 euros. Bem aproveitadinho, compram uma tuba em segunda mão e ainda sobra um tijolo para cada um dos seus 50 membros.

O desporto não foi esquecido pelo senhor Governador Civil, mas foram cometidas várias injustiças. Tanto o Clube de Bilhar de São José como o Grupo de Amadores de Pesca do Marão foram brindados com 500 euros mas o Clube de Minigolfe do Porto teve o dobro. Nota-se a preferência do governador pelo Club em detrimento do Taco e da Cana. E também gosta da pinga. A Liga Amigos da Saúde e do Vinho teve chapa 1000.

Lendo a lista de prendados, ficamos a saber que a Sobrosa tem um Salão Paroquial. O Salão Paroquial tem um Grupo de Amigos, e alguns desses amigos gostam de rufar os bombos nas festas. Vai daí, o Grupo de Bombos dos Amigos do Salão Paroquial de Sobrosa recebeu 500 euros, o que dá para investir em 4 instrumentos ou, alternativamete, pagar uma jantarada aos bombistas.

Outras associações musicais na lista das prebendas comprovam mais uma vez desigualdades de tratamento. Por exemplo, o Grupo Zés Pereiras "os Amigos do Galego", só conseguiu 500 euros, mas a Fanfarra Recreativa e Cultural do Olival teve direito a 2500! Um exagero, mesmo sabendo que as fanfarras são muito necessárias em períodos eleitorais para abrilhantar inaugurações.

Um facto curioso ocorreu com a Associação Palavra em Mutação. O subsídio atribuído tinha sido de 500 euros, mas a palavra quinhentos transmutou-se em mil na altura da publicação.

O futebol foi, como sempre, bastante apoiado. Foram dezenas os clubes de bairro que receberem o cheque do erário público. E também aqui há muitas diferenças de tratamento. Por exemplo, o Grupo Desportivo dos Cem Paus levou com 1000 vezes cem paus, o que dá aproximadamente 500 euros. Já o muito necessitado clube do bairro das Antas, o Futebol Clube do Porto teve direito a dois quinhentinhos, um pequeno contributo para os rebuçadinhos e para as frutinhas imprescindíveis ao desenvolvimento de alguns desportos da noite na Invicta.

Também a Associação Nacional de Treinadores de Futebol foi brindada com 2500 euros. Os pobres treinadores agradecem a esmola, que servirá para ajudar membros da associação em dificuldades, na sequência de atitudes prepotentes das entidades patronais. Diz-se que um tal José Couceiro será o próximo a procurar apoio.

Já a Associação Portuguesa de Adeptos, uma invenção de um programa da TSF, recebe 500 euros, montante suficiente para levar 10 adeptos ao Alvalade XXI, à final da taça UEFA.

Ainda no âmbito desportivo, o Governo Civil ofereceu 2500 euros à Associação de Paraquedistas do Norte, na sequência de uma cunha de um dos seus membros mais proeminentes, José Raul dos Santos.

A Associação das Donas de Casa de Gondomar teve direito a 500 euros e a Associação Taurina Povoense a 750. Por intuição, desconfio que algumas donas de casa de Gondomar são casadas com membros da associação dos taurinos da Póvoa.

Por falar em Póvoa, tive uma boa ideia para a Associação de Ocupação Sadia do Lazer gastar os 750 euros que receberam. Podem aplicá-los numa viagem de grupo ao casino da Póvoa.

Em Matosinhos, a Associação dos Pescadores Aposentados de Matosinhos vai gastar os seus 750 na compra de minhocas.

Já os Amigos da Investigação Criminal receberam 500 euros. Como a Investigação Criminal é uma coisa discreta, a associação é secreta.

Preocupante foi a atribuição de um subsídio a uma organização terrorista. Não se compreende por que carga de água foram dar dinheiro ao Centro Armado de Investigação e Reflexão do Teatro. E depois ainda dizem que querem controlar o tráfico de armas.

O governador civil mostra uma grande simpatia por quem gosta de matar bichos ao tiro. Atribuiu 1000 euros à Associação de Caçadores e Pescadores Ovil Loivos do Monte e 500 à Associação dos Caçadores das Terras de Faria, o que lhes permitirá comprar umas centenas de cartuchos e rebentar com as entranhas a umas dezenas de pássaros. E, sabendo que por vezes alguns destes cartuchos atingem por engano as existências da Sociedade Columbófila de Santa Marinha do Zêzere, foi atribuído um subsídio de 500 euros a esta sociedade que lhes permitirá proceder à reposição de stocks.

Ainda neste sector, a blogosfera não foi esquecida. A Sociedade Columbófila de Retorta abarbatou-se com 500 euros.

O bem estar dos colaboradores das microempresas não foi esquecido. A Casa de Pessoal da RTP recebeu 500 euros e o Clube de Colaboradores da Axa Portugal - Companhia de Seguros outro tanto. Ainda bem. Assim já podem suportar melhor o tédio das horas mortas.

Quem respirou fundo com o subsídio foi a Associação dos ex-Marinheiros da Armada Briosaminzade. 750 euros não chegam para pagar o almoço a esta gente toda, mas foram um boa ajuda para as pipas.

Ao que consta se não fosse a redistribuição de riqueza que estes subsídios representam, os membros da Direcção Regional Norte da Associação Portuguesa de Management já estariam a passar fome. Os 500 euros permitiram-lhes adquirir dois quilitos de lagosta e 3 garrafas de Moet & Chandon. Após o repasto salvador, os membros da associação com o estômago mais aconchegado, entraram nos seus Mercedes e BMWs e partiram para gerir convenientemente as suas empresas.

Uma crise enorme afectou os escuteiros. Parece que o Corpo Nacional de Escutas, Agrupamento nº 695, que recebeu apenas 500 euros, não ficou nada contente com os 750 euros que foram atribuídos ao Corpo Nacional de Escutas, Agrupamento nº 1173. E, claro, os outros 1171 agrupamentos também têm todos direito ao cheque. Foi Baden-Powell que terá dito "Ou há moralidade ou comem todos."

Para garantir a dignidade do futuro de muitos políticos distribuidores de subsídios, a Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino recebeu 1000 euros.

O por fim, o grande subsídio. O que se livrou da lei dos 500, da lei dos 1000 ou mesmo dos 2500 euros. O grande beneficiado. A única organização que teve direito a um bolo grande só para si. Fiquem então a saber que o Governo Civil do Porto, atribui um subsídio em três tranches no valor de 92.174,65 euros (noventa e dois milhares, cento e setenta e quatro euros e sessenta e cinco cêntimos) ao Centro Recreativo e Social do Pessoal do Governo Civil do Porto.

Lá diz o ditado. "Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte..."

(*) com os meus agradecimentos a AP, pela dica.

terça-feira, abril 12, 2005

  Inteligência

Em 2000, a Sonae mudou o domicílio fiscal de alguns dos seus activos imobiliários para a Holanda. Hoje, num seminário, questionado sobre a razão da deslocalização, um responsável da Sonae Sierra esclareceu:

"Mudámos porque o regime fiscal de tributação de mais-valias da reforma fiscal que entriu em vigor na altura não nos permitia ser competitivos. Na Holanda não há tributação de mais-valias."
Entenda-se. O Engº Sousa Franco e o seu sucessor, o Engº Pina Moura, actual administrador da empresa espanhola Iberdola e deputado do Partido Socialista, fizeram algumas alterações fiscais e chamaram a esse conjunto de alterações, inapropriadamente, reforma fiscal. O objectivo era, apenas, ir buscar mais dinheiro onde se julgava que ele existia, para fazer face aos brutais aumentos anuais de despesa pública que ocorreram no governo de Guterres.

Acontece que a Sonae Sierra, que é hoje um dos maiores especialistas europeus na concepção e gestão de espaços comerciais, após o arranque dos centros, vende-os a Fundos Imobiliários ou fundos de pensões, realizando significativas mais valias que lhe permitem continuar a desenvolver o seu negócio.

Para lá da tributação normal dos lucros dos negócios na Sonae, e de outras empresas do género, os ministros de Guterres pensaram que podiam ir buscar mais e tentaram ficar com uma fatia das mais valias contabilísticas que as empresas realizam quando vendem activos. Na Sonae, ficaram sem nada.

Quem ganhou e quem perdeu com a saída da Sonae? A empresa ganhou, porque paga menos impostos. A Holanda ganhou o IRC que passou a ser pago por lá. E Portugal ganhou o apoio de quase toda a esquerda à anunciada reforma fiscal e ficou a ver navios.

Pensa a Sonae retornar com os seus activos para sede portuguesa? De modo algum, esclareceu o responsável da empresa. Não só o regime fiscal é impeditivo, como as leis estão sempre a mudar. O regime que mandou a Sonae para fora de Portugal já foi outra vez alterado e a instabilidade fiscal não permite planeamento a longo prazo. Aliás, a lei pode mudar todos os anos porque a tributação das mais valias está incluída no regime dos benefícios fiscais e este é dependente de cada orçamento do estado. Não se pode gerir uma empresa neste cenário de desconhecimento absoluto do futuro.

Mas não foi só a questão das mais valias que pesou na opção da Sonae. Os fundos de pensões, fundos imobiliários ou outros investidores que adquirem os centros comerciais também não se sentem muito interessados em investir em Portugal porque também desse lado o regime fiscal não é competitivo.

Os investidores, mesmo quando são portugueses, investem a partir do Luxemburgo ou de outros paraísos fiscais e adquirem os seus activos em países em que a fiscalidade lhes garante a rentabilidade que os activos em Portugal têm dificuldade em obter. Não é surpresa nenhuma. Por alguma razão, a própria Segurança Social portuguesa aplica grande parte do seu fundo de capitalização fora do país, numa tentativa de adiar a falência anunciada...

Continuemos pois neste caminho de inteligência. O governo já anunciou que se está nas tintas para o défice e que nada o fará impedir a gastação à tripa-forra. O que nos promete, é um défice acumulado nestes 4 anos próximo de 15% do PIB. Quando acabar a legislatura, a dívida pública em Portugal andará próxima de 80% do PIB. Claro que a única maneira de fazer face a estas despesas é, mais tarde ou mais cedo, aumentar impostos. E o aumento de impostos atirará com mais empresas para fora de Portugal e tornará o país ainda menos atractivo para o investimento estrangeiro.

O caminho da redução de despesa pública, o único que faz sentido e que não constitui um crime contra as gerações futuras, parece ter sido definitivamente afastado. Cortar despesa não ganha eleições. Portugal vai continuar a crescer devagar, devagarinho e resta-nos invejar outros que não seguiram este caminho.

Nada a fazer. É a opção portuguesa e mede bem a nossa inteligência colectiva. E resta-nos dar os parabéns a Sonae por ter tomado a decisão certa na altura certa.

  Back To The Future


Cenário do Filme 'Back to the Future', Universal Studios, Hollywood, 1992

  Filhos Que Saem de Casa

Não é a primeira vez que acontece, mas não deixa de surpreender. Recebi um e-mail que me chamava a atenção para um texto meu que tinha sido publicado noutro blogue sem citação. Fiz uma pesquisa no Google e descobri que o texto "Quatro Casamentos e Um Funeral", publicado no jornal Público a 14 de Fevereiro deste ano, está replicado pelo menos nos seguintes blogues (com ou sem citação do autor):

Anomalias
Apetece Desligar
Celebridades
Congeminações
Ferdi
Grande Loja do Queijo Limiano
Grenha
Invisible Hand
Kalashnikov
Mar de Todos os Medos
O Micróbio
Semiramis

Mais um post que abandonou o pai e fez-se à vida...

segunda-feira, abril 11, 2005

  Leituras

A esquerda fez a sua leitura do congresso dos laranjinhas. Não apontam as baterias para Marques Mendes. estão viradas para António Borges.

  Tecnologias de Ponta

Uma tal Baetriz Trejo enganou o filtro de spam e fez-me chegar uma mensagem científica que me deixou muito curioso. Diz a dita:

"You are only 15 minutes away from amazing night of love!"
Não compreendo como é que ela faz isto. Ainda são só nove e um quarto, daqui a quinze minutos são nove e meia, o sol ainda está a elevar-se nos céus sobre Lisboa. A tecnologia por trás deste anúncio deve ter a ver com aceleradores temporais, distorções espaço-tempo, viagens no hiperespaço até à Tasmânia ou desmaterializações moleculares seguidas de transporte binário via banda larga e rematerialização nos Ilhas Fidji.

Tudo coisas assaz avançadas que me deixam prostrado perante o engenho humano . A não ser que seja um truque barato e a Beatriz se limite a fechar as cortinas e apagar a luz.

domingo, abril 10, 2005

  A Vaca Atravessou a Segunda Circular

Os lampiões não mereciam perder, mas perderam.
Os leões não mereciam ganhar, mas ganharam.

Mais cinco jornadas como esta e ficamos quites.

  Notas Soltas do Estado de Graça

1. Pode desmentir o que quiser, mas a verdade é que disse mesmo. Ouvi eu, com estas duas(*) que a terra há-de comer.

2. Quem ganhou o congresso do PSD foi o PS.

3. Alguém ouviu as desculpas tontas de um secretário de estado para suspender a troca de manuais escolares? Porque é que o homem não disse simplesmente que cedeu à pressão das editoras?

4. E claro, Marcelo já o sugeriu, mas sugeriu o óbvio. O ministro que tinha dito que não mudava os Hospitais SA antes de uma avaliação profunda, foi, provavelmente, atropelado pelo lobby dos médicos socialistas que querem ir para a gestão dos hospitais. Tchiii, se isto fosse no tempo do Santana, quantos não gritariam 'Trapalhadas'!

(*) Orelhas

  Amarelo, Branco e Azul



sábado, abril 09, 2005

  Introspecção


«António Guterres alerta para "longo período de mediocridade" em Portugal.»
Público, 9 de Abril de 2005

  Lógica Redutora de Soma Nula

Caro Paulo. Eu até entendo que não goste das pessoas que dão a cara nos Compromisso Portugal e coisas afins. Se eu fosse tão próximo do PS como o Paulo, também não gostaria que os melhores gestores portugueses manifestassem sistematicamente opiniões contrárias às ideias generalizadas no partido.

E claro que é desnecessário lembrar-me que "o sucesso no sector privado não lhes confere nenhuma legitimidade democrática". Absolutamente nenhuma. Quando um gestor de sucesso manifesta a sua opinião está a fazer o mesmo que o Paulo faz no seu Bloguítica ou eu neste blogue. Acontece é que os sitemeters de algumas figuras de sucesso reconhecido registam mais 'hits' do que os nossos, mas aí não há nada a fazer. O Deco também vendeu mais livros que muitos bons escritores.

Os seu posts acabam por reflectir o sentido da cultura dominante, que em Portugal é essencialmente anti-empresa e anti-sucesso. Um drama dos nossos tempos. De tal maneira que o sucesso no sector privado parece ser um obstáculo ao acesso no sector público. Já o contrário é fácil. Quantos políticos medíocres não encontraram um lugar de prestígio numa qualquer empresa que precise de favores do estado, depois de terem sido simplesmente ministros medíocres?

O que acho que não faz sentido é a sua imposição aos homens que se dispõem a migrar das empresas para a actividade política.

«...desde que respeitem uma condição prévia: nada de discursos salvadores da Pátria e de homens providenciais».
Um bom liberal como eu está longe de pretender impôr comportamentos morais aos outros. Posso avaliar e não gostar, mas nunca exigir. E também acho que está a ser injusto. Os discursos salvadores da pátria não têm vindo desse lado. Quem o usou extensivamente nos últimos tempos até foram os mesmos que o aproximaram do abismo. "Agora, Portugal vai ter um Rumo", lembra-se?

Mas diga-se que quando um gestor está disposto a prescindir de 20, 30 ou 100 mil euros por mês para dedicar-se à coisa pública eu só posso aplaudir. É precico muita coragem. É que ao dar este passo, sabe à partida que vai ser insultado diariamente por políticozinhos medíocres, que os seus estilos de vida vão ser invejosamente espiolhados, que as suas atitudes serão gozadas e achincalhadas em alguma comunicação social, que as suas opiniões vão ser deturpadas a cada comentário e que as mentiras sobre a sua vida vão ser verdades absolutas porque impressas por jornalistas "impolutos" que nunca se enganam e que são poços de virtudes.

E não vale a pena preocupar-se com António Borges. Como outros, provavelmente será apenas mais um que vai perder a paciência para aturar a lusa mesquinhez e deixar-se de políticas. Dentro do seu próprio partido, pululam muitos personagens que também lhe vão fazer ver que a política é só para os políticos.

sexta-feira, abril 08, 2005

  Código da Google
(via Blasfemos)

É o Google que nos ilumina o caminho e que nos dá as explicações finais para os até aqui insondáveis mistérios da existência. A verdade é que a luz está ao alcance de todos os fiéis numa curta viagem entre o Casalinho da Ajuda e o Bairro da Madre de Deus. A mensagem é quase explícita. Ajuda Divina. Para eliminar qualquer dúvida aos menos crentes, a carreira passa no Calvário e na Cruz das Almas.

E porquê a carreira 42? Go(d)ogle explica.

What is the answer to life, the universe, and everything?

  Miguel

Hoje, a crónica de Miguel Sousa Tavares no Público (ex-free-online) não é sobre o Futebol Clube do Porto, nem sobre Santana Lopes, nem sobre o Iraque, nem sobre a América, nem sobre Bush. E quando assim é, recomenda-se.

quinta-feira, abril 07, 2005

  O Homem do Gorro (parte 2)



O Homem do Gorro é o português Rui Faria que esteve, evidentemente, a receber informações de Mourinho durante todo o jogo. Hoje, quase todos os jornais falam do assunto.

Diz-se também que Mourinho vai ser aumentado e que este aumento é de salário, que o ego já não é passível de crescimento. E a Coaches Fortune 500, ficará com este topo:

Jose Mourinho, Chelsea, £5.2m
Sven Goran Eriksson, England, £4m
Sir Alex Ferguson, Manchester United, £3.6m
Felix Magath, Bayern Munich, £3m
Arsène Wenger, Arsenal, £2.3m
Fabio Capello, Juventus, £2.05m
Roberto Mancini, Inter, £1.7m

Temos o presidente da Comissão Europeia, o treinador mais bem pago, os melhores estádios, o maior défice e até, quem sabe, um papa. Ah, grande Portugal, ninguém nos para!

  Opção Portugal

Paulo Gorjão está irritado com as inicaitivas tipo 'Compromisso Portugal'. E escreve que "estas iniciativas «Portugal» tresandam a yuppies que tiveram sucesso na gestão e na finança e que agora, impolutos, querem saltar para a actividade política."

Pontos de vista. A mim, o que me preocupa é aquela gente que, por falta de sucesso na gestão e na finança, se refugia na actividade política.

Bom, seria ter muitos mais dos primeiros na gestão do estado. Infelizmente, o que temos é uma administração pública a transbordar dos segundos.

quarta-feira, abril 06, 2005

  Relação de Sentido Único

Perguntas o que o Estado pode fazer por ti?

  O Homem do Gorro

Estou capaz de apostar que Mourinho está a comandar o Chelsea à distância, via Homem do Gorro. 1-0 ao intervalo, ganha Mourinho à UEFA.

  Notas Sobre o Post Anterior (O Estado Ladrão)

1. Alguns comentários feitos ao post anterior são claramente demonstrativos da cultura anti-empresa instalada em Portugal. Veja-se este exemplo:

«...enquanto funcionário de Finanças, atrevo-me a lembrar-lhe que as informações prestadas ao balcão são isso mesmo 'informações'. Não nos compete aconselhar (para isso existem advogados e contabilistas) e na maioria dos casos, quem procura o balcão para ser informado, raramente 'abre o jogo' e daí o resultado final ser sempre um misto de confusão e mal entendidos. De boa fé ninguém quer pagar impostos e que competência tem um empresário que cria uma firma e depois não se sabe assessorar de técnicos competentes (contabilistas, advogados, etc.). 'Abrir' uma firma cria responsabilidades para as quais muitos destes 'empresários' não tem capacidade para lidar com elas. Mais ainda. Deviam era ser impedidos de criar firmas. (assinado por Manga de Alpaca)»

Li duas vezes para ter a certeza que isto era a sério. É que se eu tivesse desejado escrever um post satírico sobre o tema, não seria muito diferente deste comentário...

Note-se a ideia prevalecente: Esta gente devia ser impedida de criar firmas. Querem empresas? Contratem contabilistas, advogados e eteceteras. Ou então, deixem-se de negócios e arranjem um emprego.

É mais do que evidente de que Portugal precisa justamente de muitas micro-empresas, de gente que ponha o seu conhecimento ao serviço da economia sem que para isso tenha que lutar contra o estado.

E este comentário tem outro mérito. Demonstra que é comprovadamente necessário proceder a despedimentos na função pública, principalmente afastar todos os mangas de alpaca do caminho.

2. Explicação de P. (via telefone). Deram-lhe a entender nas finanças que o acto isolado só se poderia realizar uma vez em cada ano e P. tinha esperança de conseguir outros trabalhos na área na sequência de uma recente alteração legislativa, como veio a acontecer mais 2 vezes. Os pagamentos foram sempre feitos contra a entrega de facturas de despesas variadas às empresas que o contrataram.

3. Parece que há quem esteja de acordo que o estado vá buscar 200 contos por ano aos antigos sócios de empresas inactivas. Desde pequenino que me ensinaram que quando alguém que se apropria da riqueza de terceiros sem causa, é ladrão. Daí o nome do post. Neste caso em particular, o estado age como um simples ladrão. Rouba 200 contos a pessoas que pouco podem fazer para se defender. J. é hoje empregado por conta de outrém e paga os seus impostos, via IRS. J. sobrevive com facilidade a este abuso de poder por parte do estado porque recebe um salário elevado para os padrões nacionais. Mas outros Jotas poderão ter outros níveis de rendimento e 200 contos por ano são 17 contos por mês. E nem nesses casos o estado ladrão tem qualquer problema em subtrair esses fundos a título de uma deplorável ganância a que devemos chamar qualquer coisa como sanha fiscal.

4. Os comentários e um ou dois emeiles recebidos demonstram que a história de J. é tudo menos um caso isolado. E vale a pena deixar aqui algumas das frases mais marcantes que foram deixadas na caixa de comentário.

"Esta ideia que era a trave mestra das sociedades ocidentais - trabalhar para si, juntar capital e tentar multiplicá-lo com mais trabalho, em parceria com outros - está, em Portugal, completamente posta em causa pelo estado."

"Num caso idêntico, apesar de termos a escritura de dissolução feita no notário, o fisco não a aceitou porque no título dizia Escritura de Dissolução e devia dizer Escritura de Dissolução e Liquidação."

"Portugal é um pais concebido para quem não quer trabalhar, para quem não tem rasgo, para quem não tem iniciativa nem criatividade e até tem raiva de quem possa ter."

"Também eu já passei pelo calvário descrito. Se tudo correr bem este ano pagarei os últimos 2000 euros..."

"No meu caso contratei um advogado que me tratou de tudo por 600 contos. Este ano será o último e a conta que enviaram é de 1.636 euros."

"Burocracia que de tão estúpida e cega quase sempre implica em tentativas desesperadas de escapar dela e aí crescem e florescem os escritórios de advocacia e de contabilidade, ou então cresce e floresce a corrupção."

"Nem uma coisa tão simples como montar um sistema de pagamentos prático e eficaz o Estado é capaz. Depois, quem fica admirado por o desporto nacional favorito ser a fuga aos impostos?"

"... a cultura politica (e, por cópia, jornalística) dominante é a que de que os empresários são todos uns parasitas f?d. p? exploradores dos trabalhadores."

"Ainda por cima os organismos em causa sabem perfeitamente que só têm um futuro: o caixote do lixo, estão a fazer tudo o que podem - isto é, mais regulamentos mais estúpidos ainda, para mais a pretexto da 'segurança' - para fazer crer que são imprescindíveis."

"...E só quem já passou pelo que por lá se conta é que sabe que a prosa, a pecar, é por defeito..."

"O tempo que perco (e deixo de produzir) e os nos que tenho que desatar são tantos que nas alturas em que as coisas correm menos bem tenho vontade de desistir e arranjar um emprego ou fugir do pais."

"...o estado português funciona como constrangimento à actividade. Não ha nada, rigorosamente nada que o estado faça hoje que funcione como incentivo ao empreendorismo."

"...O tipo de incentivo que [as empresas] precisam é que as regras sejam claras, simples, que as instituições estejam ao serviço das pessoas e das empresas e não o contrário como infelizmente acontece agora. Bastaria na maior parte dos casos que os papéis fossem despachados em tempo útil. Experimente pedir nas finanças uma fotocópia com um selo branco. A última vez que precisei, demorou uma semana, paguei 1? e o selo estava encima do balcão."

"Houvesse consciência do que se passa realmente no Estado, nas Empresas, nos Contribuintes, em todas as pedrinhas lançadas à engrenagem que faz com que um povo pouco produza e não precisaríamos de pensar muito até corrigir o que está mal."

"todos os portugueses que um dia quiseram abrir um negocio de pequena dimensão sabem o que lhes sucedeu!"

"...já desisti de iniciar a actividade de analista de dados freelancer causa do pormenor dos 200 contos mínimos ao fisco."
Elucidativo. É aqui que tem que mexer depressa, engenheiro Sócrates.

terça-feira, abril 05, 2005

  O Estado Ladrão

Toda a gente deveria ter o direito a ser empresário de vez em quando. Toda a gente deveria ser incentivada a tentar. É assim em quase todos os países desenvolvidos e é das inúmeras pequenas experiências empresariais que nascem as Nokias, as Microsofts ou as IBMs. Em Portugal é ao contrário. O estado detesta empresários e tem como principal objectivo tramá-los, principalmente se forem pequenos.

O ano passado P. foi contratado por uma pequena empresa. Precisavam de um pequeno trabalho na área de especialidade de P. e a empresa não tinha dimensão para contratar uma das grandes fornecedoras de serviço nessa área. Combinaram um preço (3.000 euros) e P. deitou mãos à obra.

E logo começaram os problemas. A que título é que P. poderia prestar o serviço? P. é empregado por conta de outrem. O trabalho iria ser realizado nas férias e nos fins-de-semana. P. não pode passar facturas porque não é uma empresa. Se P. se colectar como trabalhador liberal, os rendimentos deste trabalho serão englobados com os salários normais da sua profissão, atirando estes novos rendimentos para um escalão fiscal marginal dos 35%, tendo P. que deduzir normalmente o IVA relativo a este serviço. Além disso, P. terá que entregar um montante regular fixo à Segurança Social, o que é anacrónico para quem só quer fazer um trabalho.

P. não pode deduzir quase nenhumas despesas. P. tem um computador pessoal que quer utilizar para fazer o trabalho. O custo desse computador não pode ser deduzido porque foi comprado antes da declaração de início de actividade. As poucas despesas que o fisco aceitará são irrelevantes neste contexto.

P. teria outra alternativa. Criar uma micro-empresa. Teria se P. vivesse noutro país. Em Portugal não tem. O tempo necessário para a criação duma empresa em Portugal é incompatível com este tipo de oportunidades e os custos relativos ao início de actividade são absurdos.

E depois há o fisco. P. pode escolher entre dois regimes para pequenas empresas. Num desses regimes, o fisco cobra 1.250 euros por ano, só pelo direito a criar riqueza, uma brilhante ideia do ministro Pina Moura e que teve o suporte entusiástico de Manuela Ferreira Leite. No outro regime P. teria que ter contabilidade organizada, o que por só por si custaria mais do que os 1.250 euros anuais. E claro, o fisco haveria de cobrar os seus 27,5% sobre os lucros e P. perderia sempre muitos dias de trabalho no seu emprego para correr atrás do estado, pagando sempre bastante pela burocracia que lhe é imposta.

P. trabalharia principalmente para o fisco. E depois? Depois P. era obrigado a fazer uma nova escritura para encerrar a sua empresa, se não quer continuar a pagar todos os anos só pelo direito a existir.

Para tentar ultrapassar este regime kafkiano há quatro alternativas.

1. Alguns tentam fazer as coisas legalmente e rapidamente se arrependem. O estado persegui-los-á e roubará tudo o que puder. A maior parte dos que arriscam nunca mais vão tentar ser empresários e agradecerão aos céus por um emprego, se possível na função pública. A lição é rápida e dolorosa, mas eficaz.

2. Outros farão tudo às escondidos. Pagamentos por fora, sacos azuis, o fisco que se lixe. Infelizmente, em Portugal é impossível criticar esta opção.

3. Outro grupo cai nos esquemas. Facturas de refeições, facturas falsas, papelinhos de portagem, recibos de gasolina, tudo o que se puder entregar à empresa contratante para justificar o pagamento. É, provavelmente, o expediente mais utilizado e o fisco faz-se de parvo, promovendo activamente esta opção.

4. A última alternativa, porventura a mais atractiva, é não fazer nada. Alguma empresa estrangeira estará aí pronta a fornecer o serviço, incluindo no preço todas as penalizações que lhe são impostas pelo estado. A empresa contratante pagará por isso mais do que as suas concorrentes estrangeiras, um factor que pesa de sobremaneira para a fraca competitividade das empresas nacionais.

E para quem ainda pensar na viabilidade da primeira opção, conto-lhe esta história. As datas podem não estar exactamente certas porque escrevo de memória o que me contaram.

Em 1990, J. fez uma pequena empresa com 3 amigos. A empresa funcionou normalmente por 3 ou 4 anos até que um dia, perante novas oportunidades profissionais, decidiram terminar a sua actividade.

Não encerraram a empresa formalmente porque as obrigações legais foram virtualmente impossíveis de cumprir. Implicavam avaliações de imobilizado, impostos adicionais para os donos da empresa, abates de existências e escrituras públicas presenciais com todos os sócios, alguns dos quais viviam fora do país.

Quando J. conseguiu reunir procurações de todos os sócios para fazer a escritura pública exigida para o encerramento de actividade, o notário marcou-a para uma data fora do período máximo de validade das procurações. Arranjou novas procurações dos sócios ausentes e quando as procurações chegaram, caducou a certidão do registo comercial. Pediu uma nova certidão e a conservatória só a entregou 4 meses depois, quando as procurações tinham caducado novamente.

J. marcou uma nova escritura, voltou a pedir procurações aos sócios ausentes. Note-se que fora do país uma procuração implica sempre uma visita ao consulado. Obteve-as mais uma vez. Na véspera da escritura, o notário informou J. que faltaria uma qualquer declaração no livro de actas. J. escreveu essa acta e assinou-a em nome dos ex-sócios mas o notário não aceitou o procedimento porque as procurações não autorizavam expressamente a assinatura de actas.

J. desistiu. Não viria daí grande mal ao mundo. Até é bom ter uma empresa inactiva, porque caso surja uma oportunidade, é mais fácil reactivá-la do que entrar numa nova via-sacra de criação de empresas.

Um dia, em Maio de 2002, J. recebeu uma factura do fisco. A velha empresa tinha que pagar 200 contos, referentes a IRC de 2001. Porquê? Todas as empresas tinham que pagar 200 contos. Era uma medida de combate à fuga fiscal que tinha sido tomada ainda por Pina Moura.

Não havia nada a fazer. O fisco informou J. que todos os sócios veriam as suas devoluções de IRS retidas caso não pagassem os 200 contos. Todos os requerimentos foram indeferidos por falta de base legal ao perdão daquela dívida. A empresa que não existia era obrigada a pagar 200 contos. Ponto final.

E no ano seguinte, seriam mais 200. Daqui para a frente seria sempre assim. O combate aos incumpridores assim o exigia. Agora é que só restava uma hipótese a J. Repetir a tentativa de encerramento da empresa. Começar tudo de novo. Em princípio seria um pouco mais fácil do que anteriormente, porque o novo ministro da economia, Carlos Tavares, tinha simplificado os procedimentos para o encerramento de empresas. Em vez do Inferno, agora prometiam-lhe apenas o purgatório.

Em Julho de 2002, J. pediu uma nova certidão do registo comercial, obrigatória para proceder ao encerramento da empresa. Agosto, Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro passaram. Nada de declaração. 2003. Janeiro, Fevereiro, Março. Nada. Da conservatória apenas respondiam que estavam muito atrasados. E no Verão de 2003, recebeu uma nova factura do fisco. Mais 200 contos, por favor, referentes ao exercício de 2002.

De nada serviram os protestos e as explicações. O atraso da conservatória era um problema da empresa e não das finanças. Pague e cale-se ou fica sem o IRS.

Em Setembro de 2002, J. decidiu-se. Contratou um solicitador que por 250 contos, conseguiu obter a certidão em finais de Outubro e tratar de toda a papelada para o encerramento definitivo, que aconteceu em Novembro de 2003, com escritura pública. A escritura foi entregue nas finanças e a empresa foi, finalmente, formalmente extinta.

Acabou o pesadelo? Não. Em Abril de 2005 (!) J. recebe uma nova factura. 1700 Euros, referentes ao exercício de 2003, incluindo 400 euros de juros de mora por não ter pago mais cedo.

Não vale a pena fazer requerimentos, pedir o que quer que seja. Nem vale a pena contratar advogados, que custariam sempre mais do que o estado exige. A única resposta do responsável local das finanças é "Pague".

É que em Portugal temos um problema. O estado é ladrão. Não é só neste caso. Este foi bem pior.

Já sabem a mensagem que o estado nos transmite: não invistam. Não se metam em empresas, não tentem criar riqueza.

Estas histórias são muito imorais, mas deixam uma máxima que não devemos nunca esquecer. O estado ensina-nos: "Arranjem um emprego ou fujam do país."

segunda-feira, abril 04, 2005

  Ir a Roma e Não Ver o Papa


Deus cria Adão, Miguel Ângelo, tecto da Capela Sistina

A viagem está marcada desde Fevereiro. Uns dias em Roma, que incluiriam a obrigatória visita ao Vaticano. Agora, infelizmente, apanho o período entre papas. Entre o papa mais simpático e o papa que virá a suceder ao papa mais simpático, o que é desde logo um grande handicap para o papa vindouro.

Em princípio chego antes do conclave, o que até é bom, porque não corro o risco de ser eu o escolhido, eu que até passaria com distinção o teste da papisa. O problema é outro. A Capela Sistina está fechada e, ao que parece, os Museus do Vaticano também. Ir a Roma e não ver o papa não é grande problema. Ir a Roma e não ver a Criação de Adão é que é a grande dor de alma.

domingo, abril 03, 2005

  Afundem o Índice de Gini



Os grandes esmagam os pequenos. Concorrência Desleal. Temos que pôr fim ao monopólio e partir o barco grande em dois mais pequenos. Como é que os barcos pequenos podem competir com os grandes? O governo não deve licenciar nem mais um barco com grande calado. O capitalismo selvagem resulta sempre nestas profundas desigualdades. A função residtributiva do estado impõe a taxação de parte do tamanho do barco grande para que o pequeno possa ser um bocadinho maior. É a prova que não se pode deixar a indústria naval ir por aí fora sem a mão visível do estado para atenuar as diferenças. Esta desigualdade pequeno-grande é quase tão escandalosa como a do Boavista-Sporting. A foto é de 2003 e foi feita em Oeiras.

sexta-feira, abril 01, 2005

  TV Papa Razzi

Espectáculo pouco divino. As televisões arrastam a programação à espera do momento da morte do papa com anúncio em 'real-time'.

  A Crítica

Raras vezes li uma crítica tão perspicaz. O autor, que só pode ser um tipo muito inteligente, demonstra uma profunda capacidade de análise, uma notável sagacidade e um nível de discernimento incomum. A arte da crítica atingiu um novo patamar de qualidade. Estou deslumbrado.

PS: Para onde é que mando o cheque?

  Borges



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