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terça-feira, junho 28, 2005

  Gratuito

Fantástico Google Earth.

  Então e o Contraditório?

O P&C convidou Artur Santos Silva, Medina Carreira, João Ferreira do Amaral e Silva Lopes para discutir o estado da economia, ou o estado a que o estado trouxe a economia.

Ora, isto de debater um assunto tão relevante com 4 extremistas neo-liberais está absolutamente errado. Devia ser proibido. Então e a gente de esquerda, não tem palavra? Deixar sózinhos aqueles quatro lacaios do capitalismo selvagem que advogam a redução do peso do estado na economia, a eliminação de direitos dos trabalhadores, direitos inalienáveis porque revolucionariamente adquiridos, a redução das políticas sociais e tudo isto sem contraditório, é um assalto aos direitos de representatividade do laborioso povo de esquerda.

E logo na RTP, que é paga por todos nós. Para ouvir diagnósticos daqueles, mais vale ler os blogues da direita imperialista ultraliberal pró-capitalismo-selvagem-insensível que já andam a contar aquelas patranhas desde os primórdios do capitalismo blogosférico.

Também me pareceu um desaforo escolher 4 gajos que, aparentemente, sabem fazer contas, todos os quatro. Ora, já se sabe que a matemática, nos dias que correm, é uma terrível arma que a direita utiliza para combater o socialismo. À matemática capitalista é preciso responder com a sociologia científica progressista. Ora, viram lá algum representante desta importante corrente do pensamento pós-moderno? Não!!!

Onde estava o camarada Boaventura? Onde estava o camarada Outro Santos Silva? Onde estava o camarada Prado Coelho? E o camarada Rosas? Ou mesmo o Timshel? Népia. Nulos. Nopes. Nada, nadinha, ninguém! Só botaram opinião tipos que fazem contas!

Porque é que não convidaram a camarada Odete para explicar àqueles ignaros que é urgente aumentar os salários da função pública para que estes ao ampliar o consumo causem o crescimento da economia? Onde estava o camarada Louçã para explicar que a sustentabilidade da segurança social se faz reduzindo a idade da reforma? Onde estava o camarada Coelho para explicar que é estoirando com mais uns quantos milhares de milhões em aeroportos e TGVs que a economia levanta voo a grande velocidade?

Bolas. Que indignação!

  Fraga

No início dos anos 80, as regiões em que o Rio Minho separava Portugal de Espanha eram as únicas em que se sentia que o lado de cá era o mais rico. Hoje já não é assim. A Galiza recuperou rapidamente dos atrasos estruturais que a definiam como a mais atrasada região de Espanha.

A evolução da Galiza foi acompanhada nos últimos 16 anos por D. Manuel Fraga Iribarne, que conquistou 4 maiorias absolutas consecutivas. Aos 82 anos, Fraga sai do governo, perdendo a maioria por um deputado.

Em meu nome e dos portugueses que gostam da Galiza:

Muito Obrigado, D. Fraga.

segunda-feira, junho 27, 2005

  Mercado de Transferências - Rumores

Daniel Oliveira resolveu o contrato que o unia ao Barnabé e está no mercado, a preço zero. Consta que o Anacleto já se está a mexer e terá proposto ao Daniel um lugar de blogador/manager. O Daniel teria como verdadeira missão revitalizar o verdadeiro blogue da verdadeira esquerda verdadeiramente revolucionária. O Daniel ainda não decidiu. Segundo o seu agente, a proposta do Anacleto atrai-o mas, aparentemente, desta vez gostava de fazer algo diferente.

  Três Proas


Três Proas, Avô, 2001

domingo, junho 26, 2005

  Dúvida Genealógica

O tamagotchi da minha filha foi pai. Já sou bisavô?

sexta-feira, junho 24, 2005

  O Estado ao Absurdo

A nova lei das rendas, numa leitura apressada às poucas absurdas ideias que o absurdo Eduardo Cabrita ontem transmitiu, em vez de resolver de uma vez por todas a situação catastrófica que o estado causou no sector do arrendamento, parece ser uma mistura diabólica de burocracia com estatismo atrasado, acompanhada da habitual falta de respeito pela liberdade dos cidadãos e da propriedade privada.

Esta lei parece ser um atentado à liberdade individual e à livre contratação entre cidadãos, uma completo mastodonte administrativo, uma inacreditável intromissão do estado na esfera privada, um convite à corrupção generalizada para que o burocrata de serviço atribua boas ou más avaliações ou adequados coeficientes de conservação e, provavelmente, é o tiro de misericórdia no mercado de arrendamento e o fim da esperança da renovação do centro históricos das nossas cidades.

Resta-me uma esperança. Tendo em atenção a já longa história de disparates televisivos do absurdo personagem Cabrita, pode ser que o texto da lei não seja tão mau como o que nos foi sugerido.

  A Propósito Disto e Disto

A 'minha' última greve foi em 1986 ou 1987. Estagiava na antiga EPSI, em Sines e restavam apenas meia dúzia de dias para terminar o relatório de estágio e partir para férias. Quando cheguei à fábrica estava um piquete à porta. Os homens do sindicato obrigavam todos os que queriam trabalhar a atravessar um corredor apertado com grevistas de ambos os lados, e amesquinhavam os colegas que não queriam fazer greve. Havia muito constrangimento de ambos os lados. A minha entrada foi fácil. "Esse está em estágio, deixem passar", disse alguém. No local de trabalho faltavam 2 ou 3 pessoas. Mais tarde soube pela televisão que a adesão rondara os 90%.

  A Nova Lei das Rendas

Caro amigo fiscal, dou-lhe 500 euritos se escrever aí que a casa está a cair aos bocados...

Caro proprietário, se não me der 300 contecos, o coeficiente de conservação vai-se por aí abaixo...

Ó sôr fiscal, obrigue o dono a fazer obras que eu pago-lhe 500 contecos.

Ó sr. proprietário, a minha Maria está a precisar de um carrito... sempre é mais barato do que ter que fazer cinco mil em obras, não acha?

Ó sr. fiscal, faça favor de dispôr do flat em Vilamoura uma semaninha, em Agosto. Basta escrever aí... digamos, 700.000?

Ó sr. proprietário, tenho 7.000 avaliações para fazer. Quer mesmo que passe a sua para a frente?

Ó Maria, vamos rebentar com a casa senão o coeficiente de conservação vai por aí acima... quanto mais partirmos, melhor e o gajo ainda vai ser obrigado a fazer-nos casa nova à borla...


quinta-feira, junho 23, 2005

  Ayamonte é Nosso!


Ayamonte, Maio de 2005

  Como Diz Que Disse? (2 em 1)

Segundo o Diário Digital, Miguel Frasquilho disse...

«É preciso estrangular a economia privada, introduzir portagens nalgumas SCUT´S, uma maior reorganização da Administração Pública com a racionalizar muitos recursos, a conclusão da centralização da Tesouraria do Estado e rentabilizar a frota automóvel do Estado», aponta, como exemplos que poderiam reduzir algumas das despesas do Estado.»

É mesmo preciso estrangular a economia? Bolas! E Guilherme de Oliveira Martins também ficou muito giro na mesma notícia:

«neste momento não me parece que seja necessário mais cortes do lado da despesa».
Até parece que já fizeram alguns. Alguém poderia explicar ao ex-ministro que aumentos de impostos não são cortes nas despesas, mas nem vale a pena esperar muito mais de um ex-ministro das finanças de Guterres, o tal para quem despesas e receitas eram conceitos estranhos que só serviam para atrapalhar a aplicação de medidas progressivas de cariz social.

quarta-feira, junho 22, 2005

 
Post Foto-Matemático Encarnado-Bombeiro Que Segue a Regra dos Terços

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1113, Tavira, Junho de 2005


  Contribuição Para a Construção de Uma Nova Teoria Económica.

O Sampaísmo - Alguns conceitos de base

1. Os portugueses são vítimas de um embuste porque não foram convenientemente informados de uma peculiaridade envolvendo os créditos bancários: os empréstimos são para pagar. Para evitar este engano perpetrado pelo grande capital contra as classes menos favorecidas, é desejável que os assalariados sejam obrigados a pagar as casas e os carros a pronto.

2. Os bancos atentam contra o crescimento económico porque têm lucros. Se os bancos ganham tanto dinheiro, o país não se pode estar a desenvolver. Precisamos de bancos que consigam ter prejuízos em nome do desenvolvimento do país. (Será necessário chamar de novo o Silva Lopes para resolver o problema?)

3. Axioma Base: Se as empresas têm lucros as coisas estão a correr mal. A redistribuição, base do desenvolvimento sustentável, é incompatível com lucros altos. Há duas maneiras de resolver o problema: aumentando muito os impostos, para que o estado se apodere do excesso de lucros e os redistribua, ou orientar as empresas na aplicação correcta dos excessos. Exemplos: novas tecnologias, risco, inovação, investigação, ambiente, formação, exportação, cooperação. (Nota: é preciso pedir ao Metello mais umas quantas key-words, estas já começam a estar gastas.)

4. Se um governo fizer cortes na despesa e mesmo assim as contas públicas não se equilibrarem, então os cortes não valeram a pena e não deveriam ter sido feitos. Tomemos o exemplo de Portugal. Os cortes feitos no tempo de Manuela Ferreira Leite foram exageradíssimos. Como o Constâncio demonstrou, o resultado foi passarmos de um défice com uma casa decimal para um com duas casas. Daqui se comprova que para combater o défice não se podem fazer cortes na despesa. Está mais que óbvio que se os cortes continuam, para o ano estamos nas 3 casas decimais.

5. As instituições financeiras não percebem nada de gestão de risco. É preciso ser Tó para perceber da coisa. Por cá temos dois: o Zé Teixeira e o Perez Metello. (Nota: sugerir ao Pinto de Sousa que nomeie estes dois para o Banco de Portugal ou para a CGD.)

6. Vamos lá esclarecer isto duma vez por todas: Haverá vida para lá do défice se e só se o défice for tal que permita a dívida para lá do défice. Antigamente o défice era um défice que permitia que houvesse vida para lá do défice mas agora o défice está em défice dificultando a vida a quem quer ter vida para lá do défice sem deixar que haja dívida para lá do défice.. Do mesmo modo podemos pensar se haverá vida para lá da dívida. A dúvida é se a dívida do défice é demasiado deficitária pondo em dúvida a vida para lá da dívida.

7. Há uma relação pouco simpática entre os três vértices da equação económica: os bancos, as empresas e o estado, "não se respeitando uns e outros, num equilíbrio que deveria ser de triângulo equilátero e acaba por ser escaleno".

8. Para resolver a situação das contas públicas, é necessário esperar «uma convergência de esforços de todos os portugueses», para atingir uma plataforma comum de entendimento em que o estado e os organismos públicos cooperem com as instituições privadas em alinhamento com uma necessária vontade de vertente supranacional, num envolvimento englobante e abrangente, conjugador de capacidades e capaz de gerar um «grande acordar colectivo» de inovação e confiança.

  Coisas que Aborrecem Muito o Nosso Presidente

1. Os bancos não querem emprestar capitais de risco.
2. Os juros das acções estão muito altos.
3. Os depósitos dão poucos lucros.
4. Os títulos do tesouro estão a pagar poucos dividendos.
5. Os juros estão a dar muitas mais-valias.
6. Os cupões das opções estão pela hora da morte.
7. As leasings estão a cobrar demasiado pelos swaps.
8. As Unidades de Participação nas seguradoras estão muito caras.

terça-feira, junho 21, 2005

  Salário Mínimo e Desemprego (A propósito destes posts Blasfemos.)

Foi numa aula que me evidenciaram com toda a clareza a relação entre Salário Mínimo e Desemprego.

A lição versava justamente os temas do emprego, desemprego e suas causas. O excelente professor apontou a primeira causa. Salário Mínimo. As políticas de salário mínimo são geradoras de desemprego entre os cidadãos pouco qualificados.

Uma outra causa. Nível dos subsídios de desemprego e de distintos desincentivos à procura activa de emprego. Nada disto gerou muita polémica porque as demonstrações que iam aparecendo a giz no quadro negro eram demasiado simples e compreensíveis, mesmo para quem estava predisposto a não aceitar a explicação.

Algum tempo depois o excelente professor discorreu sobre as razões do desemprego qualificado. Grande parte da discussão que se seguiu incidiu sobre o poder dos sindicatos e das ordens profissionais, a imposição de preços mínimos acima do equilíbrio em determinadas áreas, regulamentos limitadores do acesso que fazem diminuir a oferta aumentando o preço e sobre o efeito da existência de normas rígidas de contratação.

Discutimos por alguns minutos o efeito do excesso de regulamentação no mercado de trabalho, que ao aumentar os custos para o empregador fazia cair a procura. O exemplo mais óbvio era a dificuldade/custo de resolução dos contratos por parte do empregador.

A excelente aula terminou. O excelente professor chamava-se (e ainda se chama) Luís Campos e Cunha.

  Guterres e a Teoria das Expectativas

No início, a desilusão:

«Angelina Jolie admite estar apaixonada por Brad Pitt»
Depois, a esperança:

«Sempre desenvolvi profundos laços de amizade com as pessoas com quem trabalho. Sempre me apaixono...», disse Jolie ao The Sun.

segunda-feira, junho 20, 2005

  Leitura Muito Educativa

«Trabalham 22 horas por semana. Têm um serviço de saúde diferente do comum dos cidadãos, melhor e de muito mais rápido acesso...».

Alexandre Monteiro, No Arame.

  A Carreira

Não é surpreendente Tiago Monteito ter acabado em terceiro quando apenas correram 6 carros. O que é digno de nota é Tiago ter acabado com 3 carros atrás de si e ter ganho mais de meio minuto ao seu colega de equipa. Foi quarto a contar do fim. O nosso Tiago que nunca desiste está em franco progresso!

  Para Que Servem Os Centros de Emprego ?

C. é proprietária de um restaurante no coração de Lisboa. Recentemente, C. lembrou-se de recorrer ao Centro de Emprego da sua zona para recrutar um empregado de mesa e um ajudante de cozinha.

As peripécias foram mais que muitas. O primeiro que lhe enviaram era paquistanês e queria ser empregado de mesa. Trabalhara 2 anos nas obras e está no subsídio de desemprego há quase um ano. Não fala português. Está por cá porque no Paquistão não há emprego. «E por cá, há empregos?», perguntou C. «Não, mas há subsídio».

O segundo era para ser ajudante de cozinha. Mas... mas não podia trabalhar antes das 10 da manhã porque tinha que ajudar a mãe.

O terceiro entrou a matar: «O meu ordenado é de 960 euros por mês, limpos». Como? Isso é absurdo, nesse restaurante os ajudantes ganham entre 500 e 700 euros e já é acima da média... «Então não quero, prefiro ficar no subsídio».

O quarto queria muito o emprego, mas em Setembro teria que se ausentar. Em Setembro começava o julgamento. E um dia por semana tinha que faltar, para se apresentar no posto da GNR.

Outro sugeriu um esquema. «Diga que eu não sirvo, mas eu venho na mesma e paga-me por fora... é só por 5 mesinhos, até acabar o subsídio.»

Ao fim de uma dezena de entrevistas, C. desistiu. Voltou ao velho método do anúncio de jornal, a quem só responde quem está interessado. C. poderia ter poupado todo este trabalho se tivesse falado antes com quem já passou por isto.

No início dos anos 90, inexperiente nestas coisas do recrutamento, pedi a um Centro de Emprego para nos ajudar no recrutamento de um funcionário (m/f) para um lugar tipo "portaria". As únicas exigências para o cargo eram "Conhecimentos de inglês escrito e falado, simpatia e boa apresentação".

Enviaram-nos 10 "candidatos". Um compareceu propositadamente sujo, outro simulava que não percebia nada de inglês, dois pediram explicitamente piedade, digam que não prestamos, porque não podiam aceitar o emprego mas não queriam perder o subsídio, outro estava a preparar os exames e não lha dava muito jeito 'começar agora'. Um outro veio à entrevista numa motoreta de empresa de entregas, gostava de trabalhar nas entregas mas era 'esquema', ali não perdia o subsídio e só tinha 5 minutos porque tinha muitas entregas para fazer, uma 'candidata' trouxe o namorado que ameaçou o entrevistador que "lhe partia as fuças se estragasse o subsídio à namorada", outra cuja experiência de vida era nula dizia que não fazia sentido receber menos de 300 contos por mês.

Dos 10, havia uma candidata que queria mesmo um emprego, provavelmente porque ainda não estava a receber o subsídio. Tinha-se inscrito no Centro de Emprego na véspera.

Foi uma experiência exemplar. Dos quase 500 funcionários que trabalham hoje nessa empresa, nem um único entrou por indicação de um Centro de Emprego. Consta que na província os centros funcionam um bocadinho melhor. (Update: Afinal, parece que não...)

Nota: Em 31 de Dezembro de 2003 trabalhavam no IEFP quase 4.000 funcionários, entre os quais 131 motoristas (!) e 63 telefonistas. O Orçamento do IEFP para 2005 é de 1.059.000.000 ? (Mil e Cinquenta e Nove Milhões de Euros). Bem mais do que o custo anual das SCUTS.

  Há um Boi À Frente do Nariz do Timóteo

Escreveu Timshel:

«Como pode um liberal praticar a caridade? Ao dar esmola está, nos termos do seu credo liberal, apenas a alimentar a incompetência e o desperdício de recursos».
Dar esmola, ajudar quem necessita, praticar um acto de caridade, deve ser uma opção livre, não imposta, resultado de um julgamento que cada um faz na sua própria consciência. Parece-me absolutamente evidente a superioridade moral da esmola que o liberal B dá a C quando comparada com a esmola fruto da caridade nacionalizada em que o socialista A tira a B para praticar a caridade com C.

Até porque, no segundo caso, 80% da esmola servirá para pagar o salário de A e custos administrativos. E B terá escassas hipóteses. Os principais candidatos à esmola serão D que não precisa mas suborna A, E que trabalha nas feiras mas não declara, F que é duma etnia minoritária nómada, G que é primo da empregada doméstica da assistente social, H que só vai procurar trabalho quando não encontrar mais esmolas, I que durante muitos anos fez recados para o partido ou J que já percebeu os truques todos para ficar à frente na lista das ajudas.

Sobre este assunto, também se escreveu no Blasfémias e no Insurgente.

sábado, junho 18, 2005

  A Flor

E se algum dia alguém sugerisse esta flor, logo mil protestos se organizariam, mil consciências se indignariam e mil vozes se ouviriam. A flor destoa. A flor contrasta com a homogeneidade característica das folhas desejadas. Queremos olhar para a flora e ver o verde sem mancha. Chega de encher as floristas. Esta não é uma zona de flores. Corte-se a flor. Proíba-se a flor. O que nós todos precisamos é de mais folhas. A cultura boa é a da alface.


Flor, Tavira, 2005

sexta-feira, junho 17, 2005

  As Torres de Siza e as Torrinhas de Sua Kay

Não sei nada de arquitectura e sou incapaz de encontrar o tal génio que muitos vêem nas torres que Siza Vieira projectou para Alcântara. Mas, quem sabe, com o tempo e alguma aprendizagem, passasse a gostar das ditas cujas.

O que sei é o que vejo. E o que vejo é a diferença entre o antes (as torres de Siza) e o depois (as torrinhas de Sua Kay).

Resta avaliar se o impacto na paisagem seria positivo ou negativo. Abstenho-me.

E o promotor, ficou a ganhar ou a perder?

E no entanto, todos os politicamente correctos do burgo bateram palmas à queda do projecto de Siza Vieira, como sendo uma vitória da cidade sobre os promotores imobiliários...

  Conversa de Café

Ouvido de passagem.

"São todos iguais, os outros também aumentaram o IVA."

"Não é bem a mesma coisa. Ou outros atiraram o IVA para 19%. Estes puseram-no a 21%. 21 é pior que 19..."

"É a mesma coisa, tanto uns como outros aumentaram o IVA 2%."

"Não é, porque estes ficaram com o aumento dos outros e ainda fazem mais um aumento por cima."

"Ó pá, é a mesma coisa..."

"Então para ti tanto faz perder o primeiro olho como perder o segundo? Perder dois dentes é igual a perder só um? Levar duas chapadas é igual a levar só uma?"

"Ahhh? Como?"

"Olha paga-me o café. Para ti pagar duas vezes é igual a pagar só uma..."


quinta-feira, junho 16, 2005

  Delgado

Luís Delgado utilizou parcialmente um texto publicado no Jaquinzinhos numa das suas crónicas no Diário de Notícias e que recebeu por e-mail. Hoje referenciou o autor. Obrigado. E o chequezinho, não vem?

  A Vez da Voz de Aviz

Faz dois anos. Dois anos bons. Venham mais

  Torre


Paris, Abril de 1990

  Livros Recomendados

Competitive Advantage : Creating and Sustaining Superior Performance (Michael Porter)

Case Study: Um exemplo prático da luta de uma organização contra a eliminação de factores críticos de sucesso:

«O Benfica foi o único clube da primeira liga a votar contra o fim das nomeações dos árbitros e pelo regresso do sorteio.»

quarta-feira, junho 15, 2005

  Luto Nacional 2

Agora sei que a cidade do Porto terá, um dia, uma Rua Dr. Alberto João Jardim.

  Luto Nacional 1

Ele era um serial killer incorrigível. O juíz condenou-o à pena máxima mas elogiou o exemplo de uma vida de coerência.

  A Última Vez

«Em meados de junho os jacarandás de Lisboa estão em flor, a sua luz fende a pupila, acaricia o dorso da sombra. É então que - sei lá se pela última vez - a inocência volta a entrar na minha vida.»

Eugénio de Andrade


  Panegírico

Não sei muito de hospitais nem de gestão de instituições de saúde. Conheci levemente o Hospital do Barreiro, o Hospital Garcia da Orta, em Almada e, em Lisboa, o São Francisco Xavier, o Santa Maria e o D.Estefânia. Umas vezes por questões profissionais relacionadas com assuntos marginais às funções básicas dos hospitais, outras por problemas que envolveram familiares e amigos.

Na comparação com estes acima citados e contrariamente às opiniões generalizadas, o Hospital Distrital de Faro bate-os aos pontos. Está muito melhor organizado e os profissionais de saúde mostraram-se muito mais atenciosos do que noutras experiências anteriores.

Pela parte que me toca, muito obrigado.

terça-feira, junho 14, 2005

  O Lado Bom da Fúria

Atrás de um boa tareia pode vir um bom site. Veja-se este Viva-Tavira. O autor brindou-me com esta bela prosa:

«Um jaquinzinho é sempre do tipo 2, tal como a análise à urina tipo II, tem cheiro sui gernéris pestilento, com sedimento e cor amarelada. É uma contravensão às normas da boa pesca e navegas em águas turvas para consolidar o meio reaccionário há muito embotido. Merece ser frito (ou fritado) em óleo porque, no outro meio, estragava o azeite. O Jaquinzinho flutua porque no cimo existe qualquer coisa que está oca e lhe proporciona a deriva direitinha da tona-de-água.»
O site está muito bom, ao nível da qualidade do insulto. Logo, recomendável.

  Procura-se Novo Dono

A história passou-se naquela magnífica estrada que liga a Via do Infante a Faro, uma verdadeira maravilha desurbanística que se constitui em cartão de visita ao turista que visita a capital do Algarve. Quando eu ia a passar junto ao Rei dos Caracóis, essa lenda gastronómica que também dá pelo digníssimo nome de "O Batecu", entra na estrada vindo sabe-se lá donde um Audi, metendo-se perigosamente à frente da carripana que antecedia a minha. Só um prego a fundo e muita borracha na estrada evitaram o acidente. 20 metros à frente, a abécula virou à direita chiando as rodas numa demonstração de grande autodomínio pimba.

No vidro traseiro do Audi, num enorme aviso, lia-se: "Procura-se Novo Dono". Pudera. Se eu tivesse um dono assim também queria mudar.

quinta-feira, junho 09, 2005

  Uma Dúzia de Razões para a Banca Apresentar uma Taxa de IRC Inferior a 25%

1. Regra: A banca não foge ao fisco. Isto é uma regra podendo haver excepções. Mas são apenas isso, excepções. A banca é fiscalizada pelo Banco de Portugal, pelas auditoras e ROCs e pelo fisco. Nenhum sector é tão controlado em Portugal como o sector financeiro.

2. Os bancos são grupos empresariais. Os bancos consolidam contas de várias empresas. Entre essas empresas estão alguns Fundos de Investimento que têm tributação autónoma. Os fundos têm tributação autónoma para serem competitivos. Mesmo assim, em Portugal, a maior parte das vezes não o são. Como a tributação autónoma é inferior à tributação normal, a consolidação faz baixar a Taxa Média de IRC.

3. As aplicações feitas por particulares em PPR, PPR/E e PPH vão parar a fundos. Esses fundos estão isentos de IRC (ou estavam, nos últimos anos não sei se já deixaram de estar.)

4. A reestruturação da banca que se fez longe das capas dos jornais teve custos significativos. A entidade de supervisão autorizou a banca a levar esses custos directamente a reservas, isto é, sem afectar o resultado. No entanto, apesar de não aparecerem nas contas como custos plurianuais, esses custos são evidentemente contabilizados para efeitos fiscais. Esta situação está a terminar, razão pela qual no fim do ano Sócrates se pode gabar de ter posto a banca a pagar mais impostos mesmo que não faça rigorosamente nada.

5. Os fundos de pensões estavam em muitos casos subdotados e incapazes de satisfazer as suas obrigações futuras. A reposição do equilíbrio nos fundos de pensões foi também feita 'directamente a reservas', mas os custos fiscais correspondentes foram repartidos por vários exercícios. Ao não aparecerem nas contas esses custos, os lucros reportados foram maiores pelo que a Taxa de IRC aparentava ser menor.

6. As aplicações dos bancos em off-shore tem fiscalidade reduzida, nomeadamente no off-shore da Madeira. Claro que o governo pode impedir o recurso a off-shores, o que faria a taxa efectiva de IRC da banca subir. Mas as coisas nem sempre são o que parecem. A taxa relativa poderia subir, mas o IRC total baixaria, porque sem acesso a off-shores, os clientes dos bancos nacionais que procuram esse tipo de aplicações iam dar uma volta pela banca internacional, contribuindo alegremente para o aumento da colecta fiscal noutros países.

7. Muitas outras operações bancárias têm benefícios fiscais, porque se não as tivessem não seriam feitas por falta de competitividade.

8. As isenções concedidas na venda de acções de empresas do estado por alturas das privatizações tiveram como objectivo aumentar o valor das acções, fazendo com que o estado recebesse mais à cabeça. O estado antecipou o imposto para poder gastar mais, antes. Os bancos e empresas pertencentes aos bancos compraram muitas dessas acções. Agora, os rendimentos dessas acções têm um tratamento fiscal privilegiado, contribuindo para a baixa relativa da Taxa de IRC.

9. Não sei se ainda é assim, mas as sociedades de capital de risco tinham um regime fiscal muito favorável, que incluía a isenção de IRC sobre rendimentos. Os bancos que são accionistas de sociedades de capital de risco beneficiam desse regime quando consolidam contas com essas sociedades.

10. A fiscalidade das operações de hedging (cobertura de risco) é complexa e há muitas vezes um desfazamento entre o apuramento da matéria fiscal e o apuramento do resultado. Os bancos dispõem de alguma capacidade de planeamento fiscal e de diferimento de impostos por esta via. Os impostos agora diferidos implicarão taxas superiores no futuro.

11. Por vezes há conflitos fiscais que envolvem o estado e alguns bancos, em que o estado pede impostos que diz estarem em dívida ou em que os bancos requerem a restituição de impostos que reclamam ter pago em excesso. Tais conflitos devem-se à multiplicação de leis, por vezes contraditórias, que são sujeitas a interpretações variadas. Nesses casos os tribunais decidem. Note-se que decidem mais vezes a favor da banca do que do estado.

12. Os bancos têm os melhores quadros em diversas áreas. Têm também os melhores fiscalistas. Há várias maneiras de fazer diversas operações e a complexidade absurda da legislação portuguesa permite grandes diferenças de tratamento entre situações aparentemente idênticas. Os especialistas acabam sempre por encontrar o modo mais eficaz de poupar nos impostos, o que é louvável. Todas as empresas e todos os particulares têm o direito de utilizar os mecanismos postos ao seu dispor pela legislação em vigor para maximizar os seus rendimentos. É apenas boa gestão.

quarta-feira, junho 08, 2005

  Juros, Impostos, Lucros e Koeman

Ontem pela tardinha, estava eu à procura de umas coisas antigas num disco de backup quando encontro um velho documento do tempo em fui bancário, que continha a explicação de um conjunto de fórmulas que constavam dum pacote financeiro para Excel. Uma das fórmulas era particularmente interessante:


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Esta era uma expressão simplificada para estimar as taxas de juro base para um determinado tipo de empréstimos. Na fórmula, i é a taxa de juro calculada para equilibrar um dado financiamento, f CP é a fracção de capitais próprios que o banco é obrigado a utilizar para financiar cada empréstimo (se bem me lembro, 4% no caso do crédito à habitação e 8% na generalidade dos empréstimos), RCP é a Rentabilidade exigida para os Capitais Próprios, habitualmente determinada pelo CAPM (Capital Asset Pricing Model) , t é a carga fiscal marginal associada a esta actividade (IRC+Derrama), CD é o risco associado ao financiamento, calculado como custos de default (Probabilidade de Incumprimento * Valor Esperado da Perda em Caso de Incumprimento ou Perdas médias em carteiras de risco equivalente), Cadm são os custos administrativos médios associados à gestão de cada tipo de passivos, Padm representa outros proveitos associados a este financiamento (comissões e outras taxas cobradas ao cliente, etc.) e RCA o Custo médio dos recursos captados pelo banco na sua actividade de angariação de depósitos.

E porque é que esta fórmula é interessante? Por causa da letrinha t. É que a taxa de juro está absolutamente indexada ao custo do imposto. Quando alguém pede que os bancos paguem mais impostos, está basicamente a pedir que as taxas de juro aumentem. Quem vai pagar esse acréscimo de imposto é sempre o cliente. E paga-o por dois motivos. 1) porque a taxa influencia directamente o preço do dinheiro e 2) paga porque o banco ao ficar menos competitivo aumenta os custos administrativos relativos (custos bastante rígidos que não se alteram facilmente quando as carteiras de crédito diminuem)

Claro que é difícil explicar estas coisas a quem só se preocupa com os 'lucros excessivos' do sector financeiro. Hoje tive uma experiência surrealista ao almoço. Eu bem tentei argumentar «que um lucro do BPI de 192 milhões de euros é apenas 8,5% da sua capitalização bolsista o que não me parece nada de especial para quem está disposto a investir em acções», mas do lado de lá só ouvia: «É um escândalo! 192 milhões! Um escândalo! Porque é que não me baixam a taxa de juro do crédito à habitação?», isto vindo da mesma pessoa que se queixava que «os Caixagestes não me estão a dar nada». E eu perguntava: «Mas se acha que 8,5% é muito, como é que quer que a Caixageste lhe pague mais? Onde é que pensa que eles vão buscar o dinheiro?» e de lá só vinha «Desculpe lá, mas isto é um escândalo, 192 milhões é um escândalo, para que é que eles querem tanto dinheiro?» E lá ia eu: «Talvez para poderem remunerar os seus accionistas a 8,5%, não acha?» «Não, acho muito bem é que lhes aumentem os impostos!». «Mas depois a sua taxa de juro sobe»... «Então é preciso que o governo ponha já a mão nisto!».

Foi então que resolvi a discussão com a pergunta definitiva: «Então, já sabe que o Koeman vem para o Benfica?»

terça-feira, junho 07, 2005

  Monsanto 7


Capela de São Miguel, Maio de 2005

  Algumas Coisas que Deviam Acabar para Fazer de Portugal um País Melhor e Mais Próspero e Que Estão ao Alcance do Governo

A 4 de Maio publiquei um post com este título. O conteúdo era este:


O imposto de selo
O estacionamento anárquico nas cidades.
O reconhecimento de assinaturas obrigatório em actos em que o próprio está presente.
O pagamento especial por conta
A impossibilidade de escolha da escola pelos pais.
A impossibilidade de escolha de hospitais e de médicos.
A isenção de IVA aos advogados.
643 institutos públicos e organismos afins.
As limitações ao livre estabelecimento de preço no arrendamento urbano.
O excesso de prisão preventiva.
A impossibilidade prática de despedir incompetentes.
A impunidade dos meninos pintores de paredes alheias.
Os subsídios para subsidio-dependentes.

Aceitam-se mais sugestões, que estas saíram todas de rajada.
No dia 8 de Maio escrevi o texto que se segue e esqueci-me dele no disco do computador. Sai agora, com um mês de atraso.


Outras Sugestões Aceites de Coisas que Deviam Acabar para Fazer de Portugal um País Melhor e Mais Próspero e Que Estão ao Alcance do Governo

Acabar com os Governos civis. (Blitzkrieg)

Privilégios e subsídios aos grandes clubes de futebol. (Lutz) - Eu direi mesmo mais: Acabar com os privilégios e subsídios a quase todas as entidades: clubes, associações, empresas ou particulares. E deixo um quase, mas é um quase muito, muito pequenino...

As marquises! (Teresa) - Acabar com as marquises é uma luta que se perde quase sempre. O direito de quem compra um apartamento a proteger a arquitectura comum não existe em Portugal. Infelizmente, o problema está geralmente nas autarquias e não no governo.

Um voto para a punição exemplar dos 'graffers' que conspurcam as nossas cidades, seus monumentos e equipamentos (JR Ewing)- Absolutamente de acordo. Penas mais pesadas para os pintores de paredes alheias, mas que de nada servirão se não existir alguma fiscalização.

O estacionamento em segunda fila. (BekX) - O que é o mesmo que pedir à polícia para deixar de ser displicente ou privatizar a fiscalização.

Os pesados nas cidades durante o dia. (BeckX)

Acabar com todos os ministérios não essenciais para que o estado cumpra as funções de soberania (Politica Externa, Defesa e Justiça) (AFerreira) - Estamos muito longe, mas era bom começar a pensar nesta alternativa.

Os Ministério principalmente os da Burocracia, perdão, Economia e o da Distribuição de Subsídios, perdão, da Agricultura (Miguel)

As limitações dos horários dos estabelecimentos comerciais (Bekx)

As conservatórias do registo civil, comerciais e de propriedade (Adrianovolframista) - O problema nem está na existência de conservatórias, porque até prestam um serviço útil. O problema é a absoluta incompetência gerada pelo monopólio, pela absoluta ausência de incentivos a um serviço de qualidade e pela impunidade criminosa com que são geridas. Uma boa solução seria a concessão do serviço a privados em concurso público.

Muitas Outra Sugestões não Aceites pelo Editor Deste Blogue Porque Não Concorda que Estas Coisas Devam Acabar para Fazer de Portugal um País Melhor

A EMEL (Isabel Coutinho) - Não é boa ideia acabar com a EMEL, nem tal responsabilidade cabe ao governo. O que era bom era uma boa EMEL, que cumprisse com qualidade a missão pela qual nasceu. Mas, claro, ainda está para vir o dia em que uma empresa pública funcione bem.

A proibição de fumar nos aviões (Isabel Coutinho) - Não é uma questão de liberdade de quem fuma. É a liberdade de quem não fuma.

O sigilo bancário (Olga) - O sigilo bancário deve ser sempre levantado para efeitos de investigações judiciais ou fiscais. Quanto ao resto, manda o direito à privacidade.

Acabar com as juntas de freguesia. Todas. (Blitzkrieg) - Redefinir-lhes as funções, talvez. E financiá-las exclusivamente através de fundos municipais. Os municípios devem também ser financiados maioritariamente através de impostos directos.

As listas de espera em Hospitais Públicos (Olga) - O que interessa é acabar com esperas para obter um serviço, mas tal será impossível enquanto muitos portugueses estiverem limitados ao SNS. Substituiria esta sugestão pelo financiamento directo da saúde aos cidadãos, deixando os hospitais e os centros de saúde concorrer entre si.

A possibilidade dos médicos estarem na actividade pública e privada em simultâneo (Olga) - Os médicos, tal como os outros cidadãos devem poder exercer a sua profissão onde bem entenderem. O que não faz sentido é ter médicos 'funcionários públicos'. Os médicos devem ser funcionários dos hospitais e é às administrações dos hospitais que cabe avaliar o mercado de trabalho e as condições a oferecer a cada médico ? entre essas condições pode ser negociada a exclusividade.

Automóveis particulares nos centros urbanos (Olga)- Depende do que se entende por centro urbano. As zonas pedonais são muito desejadas, mas se forem demasiado amplas, morrem. Acabar com os automóveis nos centros urbanos é também acabar com a habitação de qualidade nesses centros.

A maçonaria e a opus dei (Lutz) - Ninguém deve ter o direito de estabelecer limites à livre associação. Se as organizações ultrapassarem os limites da lei, a justiça deve actuar.

O IA dos automóveis (Pedro)- O IA dos automóveis, bem como os impostos sobre os combustíveis, as portagens e a tarifação dos estacionamentos são excelentes formas de financiamento das infra-estruturas destinadas ao próximo e de custos ambientais associados à utilização do automóvel. Por isso não devem acabar. O que deve acabar é o excesso absoluto deste e doutros impostos. Mas aí entramos no domínio da sanha fiscal dos governos...

Acabar com o chamado 'horário nobre' de todas as televisões, que tem sido a causa número 1 do progressivo embrutecimento geral.(Olho de Chicharro) - Quem somos nós para impedir os outros de ver o que quiserem? As televisões têm comando e quem não quer embrutecer, muda de canal.

Acabar com os políticos (Neo) - Políticos somos todos. Temos que acabar com os que não gostamos, votando noutros.

Acabar com o Jaquinzinhos. (steady) - Ainda não depende do governo. Felizmente.

Ter um altíssimo nível de Segurança Social comparticipado por 1% do IRS. (Mia) - Pois? era bom, era. Era assim como ter uma moradia na linha paga com uma nota de 10 euros.

O direito de funcionários públicos de exercer uma segunda (terceira, etc.) profissão. (Excepção: Professores universitários) (Lutz) - Não vejo porquê. As regras devem ser iguais para todos e todos devem poder exercer todas as profissões que desejem. Também não sei porque é que na sugestão de Lutz os professores universitários são uma excepção?

Proibir a Isabel Figueira de aparecer em revistas e outdoor's (serei eu o único a achar a mulher horrenda???) (Neo) - Horrenda ou não, a opção é dos editores das revistas ou das empresas que a contratam. E neste caso acho melhor não discutir gostos.

Expulsar o José Castelo Branco do país. E já agora a Teresa Guilherme também. E a Cinha. E a Lili. E as Lélés e os Lulus. (Neo) - Era só o que faltava, expulsar gente do seu/nosso país só porque não gostamos deles. (De qualquer maneira, se é mesmo para se irem embora, ao menos levem o Sá Fernandes, o João Jardim, mais o Sousa Santos e a Manuela Moura Guedes).

Acabar com organizações do tipo Ordem dos Médicos ou pelo menos diminuir as suas actuações. Não se pode permitir que uma ordem estabeleça quantos médicos são formados por ano em detrimento do resto da população. (NeuroGlider) - As Ordens têm todo o direito de existir, tal como todas as outras corporações formadas em liberdade por grupos de cidadãos. O que os governos podem e devem fazer é impedir a extrapolação dos seus poderes de actuação para fora da organização.

Começar a impor uma cultura de excelência nas universidades, começando a auditar cientificamente por publicação cientifica internacional os professores todos os 2 anos com mínimos de publicação de pelo menos 2 papers por ano na maior parte dos domínios. (NeuroGlider) - Não é preciso. Um bom clima de concorrência seria suficiente. Mas para criar esse clima as universidades teriam que ser financiadas exclusivamente pelos seus alunos e por patrocínios privados.

Começar a expulsar automaticamente os alunos universitários que chumbam a mais de 40% das cadeiras semestrais. (NeuroGlider) - Seria uma opção de cada universidade. Maus alunos trazem mau prestígio.

A GNR e PSP à paisana nas estradas. (Bekx) - Porquê? Quem não infringe a lei não se importa, pois não?

Exigir que as empresas pagassem para existir, extinguindo-se ao fim de dois anos sem pagar a sua existência. (adrianovolframista) - Porque é que as empresas têm que pagar a sua existência?

segunda-feira, junho 06, 2005

  The Dead Constitution Sketch

O Professor Amaral: I'll tell you what's wrong with this constitution, my lad. It's dead, that's what's wrong with it!

O Ministro dos Negócios Estrangeiros: No, no, it's uh,...it's resting.

O Professor Amaral: Look, matey, I know a dead constitution when I see one, and I'm looking at one right now.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros: No no it's not dead, it's, it's restin'! Remarkable treatie, the Giscard d'Estaing's! Beautiful articles!

O Professor Amaral: The articles don't enter into it. It's stone dead.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros: Nononono, no, no! It's resting! Waiting for ballouts.

O Professor Amaral: All right then, if he's restin', I'll wake him up! Hello, frenchies! Dutchies! I've got a lovely fresh Europe for you if you show...

O Ministro dos Negócios Estrangeiros: There, it's moving.

O Professor Amaral: No, it didn't, that was you shaking the news!

O Ministro dos Negócios Estrangeiros: I never!!

O Professor Amaral: Yes, you did!

O Ministro dos Negócios Estrangeiros: I never, never did anything...

O Professor Amaral: (yelling at people) HELLO PEOPLE!!!!! Testing! Testing! Testing! Testing! This is your nine o'clock alarm call! See? Nobody cares... Now that's what I call a dead constitution.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros: No, no.....No, it's stunned!

O Professor Amaral: STUNNED?!?

O Ministro dos Negócios Estrangeiros: Yeah! You stunned it, just as people were voting.

O Professor Amaral: Um...now look...now look, mate, I've definitely 'ad enough of this. That constitution is definitely deceased, and when I purchased it not 'alf an year ago, you assured me that its total lack of approval was due to people being waiting for votes and it will go on anyway.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros: Well, it's...it's, ah...probably pining for the fjords.

O Professor Amaral: It's not pinin'! It's passed on! This constitution is no more! It has ceased to be! It's expired and gone to meet 'is maker! It's a stiff! Bereft of life, it rests in peace! Its metabolic processes are now 'istory! It's off the twig! It's kicked the bucket, it's shuffled off 'is mortal coil, run down the curtain and joined the bleedin' choir invisibile!! THIS IS AN EX-CONSTITUTION!!

...

  Maniqueísmos

Um bom amigo disse-me: «Ó pá, estás a ser meio maniqueísta!»

Discordei veementemente. Até porque ninguém é meio maniqueísta. Ou se é, ou não se é.

  Terrível Ironia

O nosso primeiro-ministro Sócrates já arranjou uma solução para o problema das reformas dos ministros. Agora, quem quiser vir para o governo ou para outro organismo público depois de 'reformado' tem que optar: Ou 1/3 da reforma e salário por inteiro, ou 1/3 do salário e reforma por inteiro.

Lembremo-nos que "o PS, pela voz de Vitalino Canas, tinha-se declarado «surpreso» com a atribuição da reforma a Alberto João Jardim, considerando-a um «mau exemplo» e referindo que os políticos, numa altura de sacrifícios e restrições, deviam dar o exemplo."

Afinal, a solução para o problema de Campos e Cunha e de Mário Lino é a opção pelo "mau exemplo" do senhor da Madeira.

Jardim deve estar com dores de estômago de tanto rir.

  Monsanto 6


Em Pose, Junto ao Marco Geodésico, Maio de 2005

  Serviço Público

A edição de Domingo do deslinkado Público, trazia preto no branco uma lista de salários das mais altas individualidade do serviço público lusitano. Vem lá tudo. Directores nacionais da guardas e polícias, comissários de tudo e mais alguma coisa, directores-gerais disto e daquilo, governadores daqui e dali e seus respectivos vices, inspectores de públicos e privados, presidentes de frito e cozido e ainda mais uns secretários-gerais de organismos vários. Tudo gente importante, tudo gente que gere e mexe com o erário.

A lista de salários demonstra que qualquer administrador, director financeiro ou director de marketing, directores de fábricas, de jornais ou de obras de uma qualquer empresa privada gerida a sério, ganha significativamente mais do que qualquer um dos listados no Público. Mas também é óbvio que para a maior parte dos muitos medíocres que ocupam lugares listados pelo Público, se não fosse o acesso garantido a essas funções pelo cartão do partido, nunca teriam acesso a semelhantes níveis de remuneração no sector privado.

Os lugares de chefia no serviço público são ocupados maioritariamente por dois tipos de quadros:

1) Competentes mal pagos e potencialmente desmotivados.
2) Incompetentes felizes com salários despropositadamente elevados.

Idealmente, pretende-se mais gente competente em lugares do topo da hierarquia no serviço público. Acontece que o debate em curso levará a pagar pior aos do tipo 1) para lixar os do tipo 2).

E se dos primeiros alguns chateiam-se e acabam por se ir embora, os segundos, chateados ou não, não têm para onde ir. Deste tipo 2) a oferta é grande. Há mais uns quantos milhares em lista de espera pelas benesses.

Temo que a única consequência desta "moralização" em curso seja mais incompetentes e pior serviço público...

  Alma Gémea

João Pinto quer ir para o estrangeiro e disse a alguns jornais que a sua carreira em Portugal acabou e já não tem lugar no futebol português. Como o compreendo. Somos muito parecidos. Tal como ele, também acho que já não tenho lugar no futebol português.

domingo, junho 05, 2005

  Monsanto 5


Muralha do Castelo, Maio 2005

sábado, junho 04, 2005

  Um Passo no Bom Caminho

Ministro da Administração Interna defende fusão de freguesias e concelhos para "racionalizar" recursos.

Força, senhor ministro, este é um passo no bom caminho. E será que terá coragem para avançar? Vai ouvir milhares de gritos irados de oposição, vai aturar centenas de autarcas a garantir-lhe que os dinheiros gastos pelas autarquias e pelas freguesias são sempre bem aplicados o que é uma refinadíssima mentira, apesar de alguns deles estarem sinceramente iludidos e crentes nas declarações de probidade autárquica. Vai ter o seu partido em guerra contra si em muitas terrinhas desta lusolândia e vai assistir a guerras fraticidas entre terras irmãs.

Eu sei que conto pouco, mas nesta, estou consigo. Em 1 de Julho de 2003, escrevia-se neste blogue, antes do veto presidencial à criação do concelho de Canas:

Conselhos sobre os Concelhos

O populismo de todos os partidos que apadrinham cada terrinha com aspirações a urbe maior, temperado com a promessa de novos cargos autárquicos e regado com muitos pequenos orgulhos locais faz destas. Um país cada vez mais retalhado. As auto-nomeadas Comissões de Elevação a Concelho sabem que os futuros lugares pagos pelo erário público estão no papo. E um dia, quem sabe, terão o nome numa placa da terreola.

Hoje foram Fátima e Canas. Já tinha sido Vizela. Amanhã serão Esmoriz, Samora Correia e Tocha. Quarteira e Sagres já estão em bicos de pés. Depois virão Paço de Arcos, Queluz, Costa da Caparica e Amora. Estes dão mais votos, vai ser mais fácil. Também a Expo quer ser concelho. E Troia. E em todos as vilas e aldeias que ainda só são freguesias já há um grupo de pioneiros no café central a germinar a ideia entre uma bisca e um dominó. Em Almancil, Atouguia da Baleia, Alvor, Cabanas de Viriato, Rio Tinto, São Teotónio, Frielas, Bobadela, Parceiros, Quelfes e mais umas dezenas, já se conspira pela fatia do bolo do orçamento. Todos encontrarão os seus padrinhos que mais tarde ou mais cedo pagarão a promessa em troco dos votos agradecidos.

E a manta de retalhos ficará cada vez mais retalhada. Cada vez será maior o montante dos impostos transferidos para as autarquias e que serão cada vez mais desperdiçados em novas e desnecessárias estruturas. Ou seja, está a fazer-se exactamente o contrário do que recomendaria o bom senso. É necessário virar a lei do financiamento ao contrário. A lei deveria beneficiar fortemente a concentração voluntária de municípios. Fazer a regionalização de baixo para cima. Dar mais a quem tem mais população. Extinguir ou fundir os mini-municípios ou integrá-los em municípios vizinhos. Quem quiser ficar orgulhosamente só, terá menos dinheiro. Muito menos dinheiro.
Municípios que escolhessem voluntariamente a sua concentração teriam uma forte bonificação na repartição de verbas. Com menos de 5.000 habitantes, nem pensar. Com menos de 10.000 desapareceriam a pouco e pouco. E num prazo mais ou menos longo, o limite poderia ficar nos 25.000 habitantes.

Com menos de uma dezena de milhar de habitantes, temos estes, só no continente: Aguiar da Beira, Almeida, Almodôvar, Alandroal, Alcoutim, Alfândega da Fé, Aljezur, Alpiarça, Alter do Chão, Alvaiázere, Alvito (2.200 habitantes), Armamar, Arraiolos, Arronches, Arruda dos Vinhos, Avis, Barrancos (1800 habitantes!), Belmonte, Borba, Boticas, Campo Maior, Castelo de Vide, Carrazeda de Ansiães, Castanheira de Pêra, Castro Marim, Castro Verde, Celorico da Beira, Constância, Crato, Cuba, Ferreira do Alentejo, Ferreira do Zêzere, Figueira Castelo Rodrigo, Figueiró dos Vinhos, Fornos de Algodres, Freixo de Espada à Cinta, Fronteira, Gavião, Góis, Golegã, Manteigas, Mação, Marvão, Meda, Mértola, Mesão Frio, Miranda do Douro, Monchique, Mondim de Basto, Monforte, Mora, Mourão, Murça, Nisa, Oleiros, Ourique, Pampilhosa da Serra, Paredes de Coura, Pedrógão Grande, Penalva do Castelo, Penamacor, Penedono, Penela, Portel, Ribeira de Pena, S. Brás de Alportel, S. João da Pesqueira, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, Sardoal, Sernancelhe, Sobral de Monte Agraço, Sousel, Tábua, .Tabuaço, Torre de Moncorvo, Redondo, Viana do Alentejo, Vidigueira, Vila do Bispo, Vila do Rei, Vila Flor, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Paiva, Vila Nova de Poiares, Vila Velha de Rodão, Vila Viçosa e Vimioso.

90 concelhinhos. 90 senhores presidentes, 400 senhores vereadores, 500 secretárias, centenas de directores de serviços, 90 serviços de contabilidade autárquica, 90 serviços de fiscalização, 90 planeamentos, 90 departamentos disto, 90 departamentos daquilo, centenas de fiscais municipais, centenas de regulamentos, de posturas, de editais, 90 serviços munipalizados, 90 abastecimentos de águas e de saneamento, um sem fim de organizaçõezinhas inviáveis. O desperdício levado ao grau mais alto.

Desde hoje já não são 90. São 92. Nelas e Canas de Senhorim entraram na lista dos concelhinhos.

Ainda não mudei de opinião.

  Monsanto 4


Telhados, Maio 2005

sexta-feira, junho 03, 2005

  Ainda a Gritaria

Circula por aí um emeile em que se pede uma bandeira negra na janela no dia 10 de Junho.

Agora é tempo de nova união. Guardemos as bandeiras, e vamos todos pôr uma bandeira negra, luto em forma de portesto, em nome do momento negro que atravessamos e do que ainda virá, fruto de uma má gestão por parte dos sucessivos governos, que continuam a gastar o que não têm, em prole das mordomias sem as quais não conseguem viver. Dia 10 de Junho, façamos luto por Portugal, bandeira negra na janela por todo o país. Passem esta mensagem a todos os seus conhecidos, pois Portugal é dos Portugueses. Não deixemos que meia dúzia de políticos gozem com 800 anos de história.
Não faltará por aí quem desfralde o luto na janela e saia em passo acelerado para a manif da CGTP pela manutenção dos direitos adquiridos...

  Mais Gritos

Em Campo de Ourique alguém colou uma folha em cada árvore. "Mais Impostos Não, Arranjem Outra Solução". Em cada folha impressa a jacto de tinta, uma flor diferente.

  Blogue Sulista em Diário Nortista

O Jaquinzinhos é o bloguedasemana no Comércio do Porto.

  Almas Partidas

Sim, o Francisco podia ter ficado na empresa portuguesa. Alguns Franciscos ficam, outros vão-se embora. Pode ser uma questão de alma, de carteira, de motivação, de amor, de ganância ou de realização profissional. Como bom liberal, não me cabe a mim julgar as opções individuais tomadas em liberdade pelo Francisco. O que me cabe é criticar um estado que tudo faz para ajudar o Francisco a vender a alma, ao encarecer artificialmente todas as alternativas.

PS: Cristiano Ronaldo, Figo, Quaresma e Simão podiam ter ficado para sempre no Sporting. O Miguel podiam ter ficado em Portugal. Este também podia andar por cá. E mais este. E tantos outros...

  Monsanto 3


O Castelo, Maio 2005

quinta-feira, junho 02, 2005

  Esclarecimento

O post que está aqui abaixo e que se chama «Sugestões para Referendos Sem Os Quais Não Sei o Que Será de Nós e dos Nossos Entes Queridos» era para se chamar:

«Contributos para uma Lista Inútil de Referendos Absolutamente Desnecessários, Quiçá Ridículos».

Mudei o nome porque uma das perguntas sugeridas é : «Concorda com a aplicação forçada de métodos criogénicos integrais ao advogado José Sá Fernandes?». Ora, está-se mesmo a ver que um referendo com esta pergunta pode ser extremamente útil para a cidade de Lisboa...

  Sugestões para Referendos Sem Os Quais Não Sei o Que Será de Nós e dos Nossos Entes Queridos

«Concorda com a proibição do terramoto de 1755, com o próximo eclipse de 2006 em Cabo Verde e com o fim das moedas de níquel?»

«Concorda com o arredondamento do PI para 3 para facilitar as contas?»

«Concorda com a eliminação do Símbolo Químico do Cobre da Tabela Periódica?»

«Concorda com a abolição da Constante de Plank?»

«Concorda com a aplicação forçada de métodos criogénicos integrais ao advogado José Sá Fernandes?»

«Concorda com a realização em Portugal da Expo-98, com a decisão de plantar o Pinhal de Leiria e com a participação de Portugal na Sociedade das Nações?»

«Concorda com a Carta de Direitos Fundamentais, a regra das votações por maioria qualificada e o novo quadro institucional da União Europeia, nos termos constantes da Constituição para a Europa que morreu em França e foi enterrada na Holanda?»

  O Grito

Aqui.

quarta-feira, junho 01, 2005

  Monsanto 2


Capela do Pátio do Castelo, Maio de 2005

  Dois em Um

Depois da morte prematura do Tratado Constitucional Europeu, o referendo sobre o dito cujo a realizar no Outono é um verdadeiro 2 em 1. Na prática, vamos referendar um aborto.

Fim de Página