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quinta-feira, julho 14, 2005

  Remake

O povo ama-te, Evita Bárbara.

  Comparação

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Como os meus profundos agradecimentos e uma devida vénia ao Senhor Professor Doutor.

quarta-feira, julho 13, 2005

  Um Exemplo do País Adiado

A expansão estava prevista para 2006. Reavaliação da situação. Crescimento em queda. O aumento de impostos diminuiu o rendimento disponível e os preços acompanharam o aumento do IVA. As elasticidades são estimadas, estarão certas? Multiplicam-se os cenários, procura mais ou menios rígida. Outra alteração no modelo, o IRC já não vai para 20%. Fica em 25%. Mastiga os números outra vez. E os juros? Estão em alta. Mais análises de sensibilidade. Está quase tudo a vermelho. Fiquemos por aqui. Investimento adiado, pelo menos até 2008.

segunda-feira, julho 11, 2005

  Leões

Adeptos do Manchester escolhem antigo jogador do Sporting como o melhor do ano.

PS: O que ficou em terceiro também já foi dos nossos.

  FAQ das Modernas Políticas Socialistas do Betão

P: Quanto custa o TGV?

R: Essa pergunta não faz sentido e revela uma mentalidade pequenina. A França e a Espanha têm TGV. O Japão tem TGV. Nós não podemos ser continuar a ser os pobrezinhos da Europa. Temos é que fazer o TGV rapidamente, independentemente de considerações economicistas sobre o tema. Além disso, o TGV será privado. O estado limitar-se-á a garantir o equilíbrio da operação.

P: Faz sentido apostar ao mesmo tempo na Ota e no TGV?

R: A Ota e o TGV são investimentos absolutamente complementares. A Ota vai ser óptima para o TGV, porque os portugueses vão passar a ir de TGV até à Ota para apanhar o avião para o Porto. A Ota, por si só, quase viabiliza o TGV. Podemos até dizer que o TGV só se justifica porque é preciso dotar a Ota de boas infra-estruturas de transporte e a Ota é um investimento que se torna obrigatório como meio de viabilizar o TGV. São as chamadas duplas sinergias.

P: E quanto custa a OTA?

R: O economicismo subjacente a essa questão é próprio dos países atrasados. O investimento na OTA vai criar 100006,83 postos de trabalho, acabar com o desemprego e salvar de uma morte anunciada o sector da construção em Portugal. O investimento vai ser quase todo privado e o estado vai lucrar bastante com toda esta operação, porque tudo isto vai gerar muitos impostos, empregos, felicidade generalizada e, consequentemente, mais filhos.

P: Então, porque é que não se fazem mais Otas?

R: É uma boa ideia que está em estudo. Provavelmente, será construído um segundo aeroporto do Porto, em Ovar. Os portugueses e as portuguesas que se queiram deslocar de Lisboa ao Porto, apanham o TGV até à Ota, o avião até Ovar e de novo o TGV até ao Porto. Com sorte, até apanham 2 vezes o mesmo comboio e nesse caso ser-lhes-á atribuído um benefício fiscal em sede de IRS.

P: Afinal, a política de betão é boa ao má?

R: Depende. A política de betão cavaquista era muito má. Horripilante. As pessoas não são feitas de betão. A política de betão socialista é boa. O betão socialista cria empregos e desenvolvimento. Além disso há uma diferença significativa entre as duas políticas de betão. A política de betão cavaquista era paga com portagens e dinheiros públicos. A política de betão socialista é de borla para os portugueses e é paga por privados. Uma maravilha.

P: E estas obras não contribuem para o défice?

R: Essa questão revela uma mentalidade neo-liberal. Os números não são tudo. O investimento público é a base da economia moderna. O investimento público não deve contar para o défice. É necessário alterar os critérios contabilísticos do défice para excluírem o muito necessário investimento público. É melhor ter défice e investimento do que não ter défice e ficarmos sub-desenvolvidos como a Irlanda, a Finlândia ou a Espanha.

P: Afinal, o défice não é assim tão mau, pois não?

R: Depende. O défice barrosista é asquerosamente mau, porque origina políticas obsessivas neo-liberais de cortes cegos na despesa pública e horríveis receitas extraordinárias. O défice socrático é menos mau, até virtuoso, porque não só não obriga a cortes cegos na despesa como é combatido sem recurso a pavorosas receitas extraordinárias, além do que não impede o choque tecnológico, favorece a modernidade, o desenvolvimento, o bem estar dos portugueses e, consequentemente, mais filhos.

sexta-feira, julho 08, 2005

  Diário de um Ilhéu Realizado na Vida

Texto recebido por e-mail.

«Sou um filho digno desta ilha onde nasci e onde vivo. Alcancei um cargo profissional excelente, bem pago e com boas oportunidades de promoção. Tenho uma bela moradia à beira-mar, dois carros e jipe. Todos os anos tiro férias no estrangeiro e com trinta e poucas primaveras já tenho amigos influentes. Tudo isto porque alcancei o sonho de qualquer jovem ambicioso: um lugar no governo regional. É certo que para ganhá-lo houve alguns senhores que paparam bolos de mel à borla na padaria de meu pai, mas isso não me tira o mérito de ter gramado oito anos lá no contenente tirando o curso de Engenharia de Fiscalização de Ribeiras Estivais.

Meu pai tem orgulho de mim, diz que eu não sou nenhum vilhão, pelo contrário, sou um gajo de categoria, com curso superior e emprego de prestígio. Mas esperto como sou, não fico por aqui. Com os conhecimentos certos no governo regional, saquei uns subsídios e arranjei um negociozito para a minha mulher. Na verdade, ligado como estou à função pública, o negócio tinha que ser mesmo dela. Mas sempre consigo gamar umas horitas do serviço para escapar até à loja. Os vilhões dos meus chefes não ligam nenhuma.

O negócio até vai bem, mas iria melhor se não fosse uma loja de chinocas que se plantou mesmo à frente. Ah mãe! Até aos fins-de-semana trabalham e estão sempre cheios de clientela. Só me faltava agora essa concorrência desleal, depois de tanto me ter esgalgado atrás de subsídios para a loja. Mas eles não perdem pela demora.

Já falei a um amigo meu do governo regional para fazer-lhes a vida negra e persegui-los com multas e inspecções, até que se fartem e desistam. Não é justo concorrer contra preços tão baixos e lojas abertas tantas horas. Ainda bem que conto com o meu amigo para garantir a igualdade. Era o que faltava, eu agora não passear nos shoppings aos fins-de-semana para ter que trabalhar tanto como os chinos!

E é bom que bazem daqui antes que comecem a gerar filharada. Já imaginaram os nossos piquenos e as nossas piquenas a se misturarem com os deles na escola? Ah mãe! Já basta o meu irmão que casou com uma gaja contenental e nos obriga a gramar uma cubana na familhia, ou então a minha prima venezuelana que casou com um preto. Mas o meu irmão sempre foi um paspalho. Anda há anos no contenente a tentar criar uma empresa de tecnologia, quando eu, com as minhas cunhas, podia arranjar-lhe um tacho tão bom por aqui. Recusa as minhas ofertas e diz que prefere ser empreendedor. Para falar com franqueza, nem sei bem o que essa palavra quer dizer, e ainda não houve ninguém por aqui que me soubesse explicar... Bom, assim pelo menos não traz a cubana dele para cá. Quanto à minha prima, está lá longe em Caracas, e está muito bem, que fique por lá com o primo escuro que me arranjou. Agora só faltava era a minha filha me aparecer um dia com um chinês. Ah mãe! Fazia eu morrer mais cedo, de desgosto. Nesta bem ajuizada terra sempre se disse que 'sangue não se mistura'. Já viram como é que eu ficava perante a sociedade, depois do estatuto que já tenho?

O nosso querido presidente já deixou bem claro que essa gente não é cá bem-vinda. Tem razão, pois não queremos concorrência de gente de fora. Cada um na sua terra, assim é que é. É o que diz meu pai, um homem honesto e trabalhador, que durante vinte anos teve uma padaria no Brasil. O meu tio, que retornou há pouco tempo da África do Sul, onde tinha um supermercado, também pensa o mesmo. Por falar nisso, o meu tio da Venezuela não anda lá muito contente, pois uma das lojas dele foi saqueada há poucos dias e ele acha que o governo venezuelano devia proteger mais os negócios dos emigrantes.

Eu gosto do nosso presidente. É verdade que não concordo com tudo o que ele faz, mas o certo é que enquanto ele estiver na frente, as minhas regalias profissionais estão seguras, o negócio da minha mulher está protegido e podemos manter os nossos piquenos no melhor colégio particular da ilha. Ah mãe! Nem quero pensar nos meus ricos filhos misturados com os outros vilhões das escolas oficiais. Por isso, ele pode contar sempre com o meu voto. E é claro, também com o voto da minha mulher, do meu pai, da minha mãe, do meu sogro, da minha sogra, do meu primo que é meu secretário, da mulher que é secretária dele, da família dele, da família dela, e por aí além.

Por aqui se vê que esta ilha é um paraíso na terra, onde há ajuda, amor e carinho. Em nenhum outro lugar do mundo se pode ser mais feliz do que cá, onde ainda por cima o clima é tão fixe e a água é tão quente. Favorecido como sou pelo horário de função pública, mesmo no Inverno saio do trabalho a tempo de mergulhar na praia ou de passear na marina e comer um gelado. E desde que o nosso grande presidente enxotou os estúpidos miúdos que andavam por aí a pedir esmola de caixinha, a cidade ficou ainda melhor. Eu até acho que ele foi bondoso demais. Por mim, devia mandar prendê-los a todos, inclusive à padralhada que defende esses piquenos.

Por isso, sou um homem feliz, na melhor terra do mundo, e só quem for vilhão é que não percebe porquê. »

João Casabranca


  Andar Nas Nuvens (via Nortadas, via Blasfémias)

Uma história de 2 aeroportos:

Áreas: Aeroporto de Málaga: 320 hectares, Aeroporto de Lisboa: 520 hectares.

Pistas: Aeroporto de Málaga: 1 pista, Aeroporto de Lisboa: 2 pistas.

Tráfego (2004): Aeroporto de Málaga: 12 milhões de passageiros, taxa de crescimento, 7% a 8%ao ano. Aeroporto de Lisboa: 10,7 milhões de passageiros, taxa de crescimento 4,5% ao ano.

Soluções para o aumento de capacidade:

Málaga: 1 novo terminal, investimento de 191 milhões de euros, capacidade 20 milhões de passageiros/ano. O aeroporto continua a 8 Km da cidade e continua a ter uma só pista.

Lisboa: 1 novo aeroporto, 3.000 a 5.000 milhões de euros, solução faraónica a 40Km da cidade. É o que dá sermos ricos com o dinheiro dos outros e pobres com o próprio espírito.

  Escotilha


Escotilha, Lisboa, 2002

quarta-feira, julho 06, 2005

  G8

Na Escócia, persiste o circo à volta da cimeira G8. Os activistas anti-globalização, misturados com anarquistas, deserdados do comunismo, GLBTs e outros fenómenos manifestam-se, muitas vezes com violência, contra as políticas dos países do G8.

De algum modo, eles têm razão. Eles são os que estão do lado dos países pobres. Os G8 são "os outros". Como é óbvio, qualquer país rico que seguisse metade das políticas sugeridas pelos manifestantes, rapidamente passaria de membro do G8 para objectivo do Live 8.

segunda-feira, julho 04, 2005

  A Esperança Pinta-se de Verde

Na semana passada o Sporting voltou ao trabalho. Depois da dupla dobradinha (*) na época anterior, este ano é que vai ser! E se não for este ano, então é para o próximo! É o que tem de bom a bola. O futuro é sempre brilhante. O passado é que, por vezes, correu mal.

(*) Primeira dobradinha para os mais novos (Campeões de Juvenis e Juniores), segunda dobradinha para os mais velhos. (Torneio de Newcastle e Torneio Amizade.)

  Imperialismo

Depois do Afeganistão e do Iraque, os americanos continuam a bombardear zonas desfavorecidas.

  Coisas Ouvidas

Na última semana, apesar de pouco atento às notícias, alguns soundbytes chegaram-me aos ouvidos.

1. No dia de São IVA, um senhor da Deco apelava à vigilância popular contra os abusos nos preços do comércio. Por causa do IVA. Os comerciantes poderiam aproveitar para alterar os preços. Buuu. Mas será que o homem ainda não percebeu que em Portugal, com algumas más ou menos más excepções, o preço é livre? Se o Sr. Zé da Mercearia quiser marcar a 19,95 euros o meio queijo Terra Nostra, o problema é do Sr. Zé da Mercearia que vai perder os clientes para o Sr. Joaquim do Minimercado ou mesmo para o Sr. Belmiro do Hiper.

A Deco tem tido uma enorme habilidade para se intrometer onde não é chamada. Compreende-se. A prestação de favores políticos trouxe grandes vantagens à Deco. Há uns anos puseram-se de cócoras perante o PS de Guterres e ganharam uma sede mais algumas assessorias bem remuneradas junto do poder socialista. Desde aí, não pararam mais...

2. Vi pouco do Live 8. A primeira hora, basicamente. Um sucedâneo de lugares comuns por parte da "equipa apresentadora", acompanhados das mais despropositadas interrupções - sim, eu sei que Elton John está fora de moda, mas sempre é melhor ouvir Elton do que um rapazinho imberbe entusiasmado com o acontecimento e que nunca mais se calava. E o Pedro Ribeiro até é um tipo bem simpático, mas de cada vez que o rapaz quer falar a sério a coisa sai um bocadinho torta...

  G


G, Lisboa, 2002

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